São as elites que ditam as Preferências Políticas

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Cientistas sociais que estudam eleições tendem a supor que os eleitores têm preferências por políticas públicas e que partidos e candidatos projetam suas plataformas de acordo com essas preferências. Na verdade, a direção da causação (principalmente) é inversa. Os membros da elite política elaboram suas plataformas e os eleitores adotam as preferências políticas desses candidatos e partidos.

As questões de políticas públicas são numerosas e muitas vezes complexas, com argumentos convincentes de todos os lados. Enquanto isso, cidadãos e eleitores, como indivíduos, não têm influência sobre os resultados das políticas públicas, portanto, têm pouco incentivo para se informar.

Os eleitores sabem que seu voto individual não terá influência sobre o resultado da eleição. Pense nisso você mesmo. Se você tivesse votado em Haddad para presidente na última eleição, quem seria presidente hoje? Se você tivesse votado em Bolsonaro, quem seria presidente? E se você não tivesse votado na eleição, quem seria presidente? A resposta para todas essas perguntas é Bolsonaro.

Percebendo que seu único voto não terá influência sobre as políticas públicas, os eleitores votam em candidatos e partidos que os fazem se sentir bem consigo mesmos, em vez de considerar se as políticas que esses candidatos e partidos apoiam são boas políticas. Se seus amigos ou familiares apoiam um candidato, as pessoas sentem solidariedade de grupo ao apoiar esse candidato. Se os eleitores pensam em si mesmos como tendo uma certa ideologia ou orientação política, eles vão votar dessa forma para reforçar essa identidade política.

Cidadãos e eleitores ancoram-se na identidade política. Pode ser um partido, um candidato ou uma ideologia. A maioria de suas preferências políticas são então derivadas dessa identidade. As pessoas não pensam: eu apoio o direito da mulher de fazer um aborto, apoio mais controle de armas, acredito que o governo deveria estar mais envolvido com a saúde e acho que lockdonws deveriam ser impostos. Portanto, sou um esquerdista. O raciocínio é inverso. As pessoas se identificam como esquerdistas; portanto, elas apoiam o direito da mulher de fazer um aborto, mais controle de armas e assim por diante.

Cidadãos e eleitores derivam suas preferências de políticas públicas da elite política – as pessoas que realmente determinam as políticas públicas. Uma implicação é que cidadãos e eleitores têm menos influência sobre as políticas públicas do que uma noção romântica de democracia poderia sugerir. A elite política diz aos eleitores o que pensar, e eles se alinham com seus líderes.

Para aqueles que estão interessados ​​em ler mais, uma versão estendida desta linha de raciocínio, escrita para um público acadêmico, pode ser encontrada aqui.

 

 

Artigo original aqui

1 COMENTÁRIO

  1. “As pessoas não pensam: eu apoio o direito da mulher de fazer um aborto, apoio mais controle de armas”

    Isso deriva diretamente da extrema cartelização e centralização do sistema democrático em meia duzia de partidos sem projeto político definido e ainda extremamente controlados pelo sistema que, escolhe os partidos que podem funcionar; escolhe os candidatos que podem concorrer; organiza a eleição; declara o vencedor da eleição; determina quem pode assumir os cargos; determina quem pode permanecer no cargo. Que liberdade existe em tal inferno burocrático?

    Não estou aqui defendendo a democracia, bem longe de mim esse cálice. A minha preocupação é sempre apontar as falhas que existem e que o próprio sistema afirma ser uma virtude.

    Não existe a menor possibilidade de um libertário participar desta jogo de cartas marcadas, seja votando ou sendo votado. Mas um sistema que minimamente pudesse ser democrático, deveria no mínimo, permitir a livre organização dos partidos, sem limite. Assim, o indivíduo que por inclinação cultural fosse a favor das armas, por exemplo, deveria ter o direito de votar em um partido que tivesse surgido com este objetivo, de maneira bem pontual.

    Como basicamente nada disso irá acontecer – no modelo americano sequer os partidos existem na constituição, as elites continuarão no comando, exatamente como escreveu o camarada Randall, autor do artigo. De toda a forma, qualquer ilusão sobre a democracia já foi destruída por Herr Hoppe e por um livro chamado “The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies”