Saúde no Livre Mercado x Saúde Estatal

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Muitos dos serviços hoje fornecidos pelo Estado de Bem Estar Social já foram fornecidos por sociedades voluntárias e mútuas.

Sociedades fraternais se baseavam em uma ajuda recíproca, onde pessoas de mesmo estilo de vida se ajudavam, ou seja, quem recebe a ajuda no presente pode ser o doador no futuro.

Um exemplo de ajuda dessas sociedades fraternais[1] eram com os orfanatos para crianças que perderam os pais, membros de sua fraternidade. As crianças criadas nesses orfanatos oferecidos pelas sociedades fraternais tinham educação de melhor qualidade que a média nacional, consequentemente também recebiam salários maiores que os outros quando entravam no mercado de trabalho.

Mas o mais impressionante nessas sociedades fraternais eram os sistemas de saúde que eles ofereciam para seus membros. Os médicos eram empregados da loja que fornecia assistência médica para pessoas pobres que não poderiam pagar de outra forma. Até hospitais próprios algumas lojas conseguiram construir, para que o atendimento fosse melhorado, o que foi muito importante para os africanos que moravam no país e tinham atendimento negado ou precário em outros hospitais.

Médicos eram contratados pelos plantadores via contrato para cuidar de escravos e indústrias também faziam contratos para seus trabalhadores, com base na experiência das sociedades fraternais. A taxa média paga por cada membro era de 2 dólares por ano. Existiam algumas diferenças de uma sociedade fraternal para outra, como valor anual para cada membro, plano estendido ou não para familiares, em um plano eram incluídos remédios e outros não e quase todos contratavam um farmacêutico para ficar por conta dos membros, assim como os médicos contratados.

Mas nem todo mundo entrava nas sociedades fraternais, que exigiam um certo nível de comportamento para ingressar. Motoristas e soldados em tempo de guerra ou fabricantes de explosivos eram proibidos de ingressar, algumas outras profissões até poderiam mas pagando uma taxa maior, como bombeiros, policiais e eletricistas.

Além de algumas profissões proibidas e algumas com exigências maiores, existiam também algumas regras para caráter moral, como mulheres com comportamento imoral ou questionável, mulheres que tentassem aborto com consentimento, membros que fossem pra prisão tinham seus benefícios cortados, e também restrições ao álcool e narcóticos, segundo eles, para manter um padrão de saúde.

Médicos contratados pelas sociedades fraternais viviam em alojamentos para ficar a disposição de seus contratantes, essa prática de alojamento dos médicos era uma inovação no mercado, mas sofreu uma forte pressão de médicos que não concordavam e alegavam exploração de colegas de trabalho a capricho de leigos. Para a classe médica isso era uma falta de respeito ao profissional, que era incomodado pelos pacientes com algum caso onde não era nada de urgente mas as pessoas desesperadas chamavam os médicos de prontidão, para que examinassem.

Quando os médicos examinavam algo errado ou não quisesse fazer o trabalho como deveria no contrato, as pessoas reclamavam. Existiam regras e caso o médico descumprisse era punido de acordo com as normas. A classe médica que era contra as sociedades fraternais diziam que pessoas leigas de camadas mais baixas não poderiam julgar o trabalho dos médicos e nem ficar na mão dessas pessoas a escolha de quanto um médico poderia receber, além de chamar os médicos que aceitavam trabalhar para essas comunidades de charlatões. Vendedores ambulantes não poderiam comercializar a arte da medicina, dizia a oposição.

Como a classe médica sempre teve um lobby muito grande arraigado com o governo, a guerra contra os médicos que aceitavam contratos começou e teve efeito com várias sanções a quem optasse por atender as sociedades fraternais. O que aconteceu ao longo dos anos é que o governo sempre foi aumentando regulamentações e burocracias, juntamente com os progressistas e médicos que faziam lobby para que o mercado não ficasse nas mão de pessoas humildes, na opinião deles somente eles sabiam o que era melhor para as pessoas e também para a classe médica.

Os requisitos para se entrar em cursos de medicina também foram ficando cada vez mais rigorosos, enquanto se tinha 164 médicos para 100000 pessoas em 1910, em 1930 já estava em 125. Escolas de medicina caíram de 166 em 1904 para 81 em 1922, o que fez a concorrência diminuir e o poder de negociação das sociedades fraternais ficasse mais fraco.

Corrupção, má administração e surgimentos de empresas rivais subsidiadas foram algumas coisas que estagnou o crescimento das sociedades, mas leis com regulamentações cada vez mais restritivas tornaram a vidas das sociedades fraternais mais curtas, como regular valor de doação para um seguro de vida. Quem se beneficiou nesse tempo foram as empresas de seguro de vida, que monopolizaram o setor.

O governo também ajudou a acabar com as sociedades quando criou coberturas de saúde, onde todo cidadão deveria pagar por um serviço de saúde obrigatoriamente. Como esses programas de saúde obrigatórios corroíam o salário das pessoas, a possibilidade de se ter o plano oferecido pelas sociedades eram muito pequenas. Regulamentações fortes e onerosas fizeram com que as sociedades fechassem os pequenos hospitais pelo alto custo impossível de se pagar para manter.

Os surgimentos de serviços de bem-estar social fizeram com que a procura por esses serviços voluntários ficassem cada vez mais escassos, pelo alto custo gerado por toda regulamentação, burocracia e falta de competitividade.

—fim —

Já imaginou ter saúde acessível a qualquer hora do dia, com médicos a seu dispor, onde um médico ruim pode ser contestado e retirado do contrato, além disso tudo ser um serviço barato? Pois é, não foi o livre mercado que te tirou, foi justamente quem propôs resolver o problema: o governo.

O governo te obriga a pagar por um serviço e cria barreiras para que novas empresas entrem, diminuindo a concorrência e deixando o preço alto. Cada pessoa no Brasil paga hoje cerca de R$1300 por ano para manter o SUS, pouco mais de R$108 por mês, se você pudesse escolher entre um plano de saúda da UNIMED pagando R$250 e cancelar o SUS ou continuar somente no SUS, qual seria sua escolha? Eu aboliria o SUS hoje mesmo, e você?

Ou então imagine que poderíamos ter 2000 empresas no Brasil operando hoje na área de saúde e ofertando planos de R$100 por mês? Poderíamos ter dezenas de escolas ofertando curso de Medicina e ter uma grande oferta de médicos, barateando o preço de consultas, mas o governo proíbe criar novos cursos de medicina, graças ao lobby dos médicos que querem pouca concorrência.

Para a esquerda que critica o livre mercado e adora falar de Cuba como um sistema de saúde perfeito, as sociedades fraternais foram inspiradas nos cubanos.

Muita concorrência, preços menores e serviços melhores, isso só o Livre Mercado pode lhe dar, e foi mais que provado que regulamentação e burocracia só piora, basta ver como saúde é item de luxo hoje e já foi serviço que qualquer assalariado podia pagar.

 

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Notas:

[1]From Mutual Aid to Welfare State: Fraternal Societies and Social Services, 1890–1967” de David T. Beito

 

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