Uma Crítica ao Intervencionismo

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III. LIBERALISMO SOCIAL

1.      INTRODUÇÃO [1] 

Heinrich Herkner, Presidente da Associação para a Política Social, recentemente publicou sua autobiografia com o subtítulo: The Life of a Socialist of the Chair (A vida de um socialista de cátedra).   Nela propôs-se a “facilitar uma compreensão da era em que se encerrou o ciclo do socialismo acadêmico alemão” [2] .   De fato, não se pode negar que os Socialistas de Cátedra [3] disseram tudo o que pretendiam dizer: aliás, parece mesmo que sua supremacia está agora em declínio.   Portanto, é hora de fazer um balanço de suas realizações.

Por ocasião do septuagésimo aniversário de Gustav Schmoller, os mais eminentes membros da Escola Histórico-Realista reunidos, elaboraram uma extensa obra em que apresentavam os resultados dos esforços da economia alemã, durante o século XIX[4].   Nunca se fez um resumo das 40 monografias deste livro.   O prefácio afirma claramente que o estudo da natureza e da extensão do progresso da ciência econômica alemã como um todo deve ser reservado para análise futura [5].

Se alguém tivesse tentado elaborar essa análise, sem dúvida se teria desapontado.   O resumo, mais do que as monografias individualmente, teria revelado que a Escola atingiu muito poucas de suas metas.   Teria mostrado como a Escola, toda vez que tocava em questões fundamentais, não podia deixar de apropriar-se de descobertas de outra escola teórica que menosprezava.   Em todas as contribuições dessas monografias, que atingem apenas parcialmente o objetivo a que se propõem, evidencia-se o trabalho dos teóricos em economia, apesar de eles estarem separados da Escola Histórico-Realista e serem por ela criticados.   No que diz respeito a salários, por exemplo, Bernhard, autor de uma das monografias, chega à conclusão de que “a Escola Histórico-Estatística mal abordou o principal problema relativo a salários”.   Iniciou investigações detalhadas, mas sobre as grandes questões, acabou por confessar “que os processos eram mais complexos do que todas as detalhadas pesquisas realizadas por nós”.   Não haveria novas pesquisas na Alemanha, não fosse pela ação da Escola Austríaca, conhecida por abstrata [6].   Se isso se aplica aos salários—tópico sobre o qual os Socialistas de Cátedra adoravam fazer comentários —, o que não se poderá dizer de todos os outros problemas!

Também consideramos superficiais e falhas todas as outras coleções de ensaios que essa Escola publicou.   Em Outlines of Social Economics, os economistas austríacos preocupavam-se com a história do pensamento e a teoria econômica.   E as contribuições clássicas de Menger, Böhm-Bawerk, Wiese e de alguns outros “teóricos” representam os únicos ensaios de interesse permanente na coleção de dez mil páginas da terceira edição do Handbook of Social Sciences.   

Há, contudo, um outro abrangente Festschrift, (volume biográfico comemorativo, escrito por vários autores), que procura apresentar a ciência inteira em monografias.   Mas há sinais de que estas coleções, que abrangem problemas heterogêneos, torturam leitores e estorvam bibliotecários, estão sendo, gradativamente substituídas por compilações que tratam de apenas um grupo de problemas.   Por ocasião do octogésimo aniversário de Lujo Brentano, o veterano decano do socialismo acadêmico dentro e fora da Alemanha, seus alunos publicaram Economics After the War [7].

Naturalmente, a qualidade das contribuições individuais varia muito.   Não é preciso ressaltar que os 29 colaboradores trabalharam independentemente e não tomaram conhecimento das teorias e ideologias uns dos outros.   Mas uma linha comum aparece em todos os trabalhos, especialmente naqueles que os editores consideram mais importantes e que Brentano, provavelmente, lia com a maior satisfação: a intenção de defender e elaborar o “sistema Brentano”.   As condições externas para tal tarefa são menos favoráveis hoje do que eram há 17 anos.   Quando surgiu o Festschrift de Schmoller, o socialismo acadêmico e a economia da Escola Histórico-Realista estavam no auge de sua reputação e influência política.   Houve uma grande mudança desde então.   O Festschrift de Schmoller tinha o som de uma fanfarra.   O Festschrift de Brentano exige uma discussão.

 

 

2.      SOCIALISMO DE CÁTEDRA

 

O socialismo acadêmico não é uma ideologia homogênea.   Sendo o sindicalismo concorrente do socialismo—embora não se faça, com frequência, uma distinção nítida entre eles há duas escolas de pensamento no Socialismo de Cátedra: a Escola Socialista (socialismo estatal ou estatismo) e a Escola Sindicalista (às vezes chamada “liberalismo social”).

Socialismo e sindicalismo são antagonistas implacáveis, e duas ideologias que, por sua vez, opõem-se de forma irreconciliável ao liberalismo.   Nenhum argumento capcioso pode ignorar o fato de que o controle direto sobre os meios de produção só pode ficar ou com os indivíduos, ou com a sociedade como um todo, ou com as associações de trabalhadores de cada indústria.   A política, nunca pode ter êxito em dividir o controle direto sobre certos meios de produção entre a sociedade (o estado), os sindicatos, e os indivíduos.   A propriedade, sob a forma de controle direto dos meios de produção, é indivisível.   É verdade que pode haver uma ordem social na qual alguns meios são propriedade do estado ou de outros órgãos administrativos, alguns, dos sindicatos, e alguns, de indivíduos.   Neste sentido, pode haver socialismo parcial, sindicalismo parcial, e capitalismo parcial.   Contudo, nunca pode haver um acordo entre socialismo, liberalismo e sindicalismo com relação a esses mesmos meios de produção.   Esta incompatibilidade fundamental e lógica das três ordens sociais concebíveis tem, muitas vezes, ficado obscurecida na teoria e na política.   Todavia, ninguém jamais teve êxito em criar uma ordem social que pudesse ser chamada de síntese—ou mesmo de reconciliação—dos princípios em conflito.

O liberalismo é a ideologia que considera a propriedade privada dos meios de produção como o único alicerce possível ou, pelo menos, o melhor que se pode conceber para a sociedade com base na divisão de trabalho.   O socialismo procura transferir a propriedade dos meios de produção para as mãos da sociedade organizada, do estado.   O sindicalismo quer transferir o controle dos meios de produção para a associação de trabalhadores nos ramos individuais de produção [8].

O socialismo estatal (estatismo, também socialismo conservador) e os sistemas correlatos de socialismo militar e socialismo cristão almejam a formação de uma sociedade na qual “a administração da propriedade é reservada aos indivíduos”, mas seu emprego é supervisionado e orientado pela coletividade como um todo, de modo que “formalmente a propriedade é privada, mas essencialmente é pública [9].   O fazendeiro, por exemplo, torna-se funcionário público, devendo cultivar aquilo de que o país precisa, de acordo com seu conhecimento e consciência, ou por ordem governamental.   Receber sua participação e um salário que lhe garanta o sustento, é tudo o que pode exigir” [10].   Algumas empresas grandes são transferidas diretamente para o estado ou para a comunidade; todas as outras permanecem formalmente nas mãos de seus proprietários, mas devem ser administradas de acordo com o plano das autoridades.   Desta forma, toda empresa torna-se uma repartição pública e toda ocupação, um “compromisso”,

Houve época em que ainda foram feitas sérias considerações com relação ao programa socialdemocrata, no sentido de se proceder à transferência formal do controle de todos os meios de produção para o controle da sociedade, parecia existir uma diferença considerável—embora não fundamental—entre o programa dos estatistas e o dos sociais democratas.   Hoje o programa socialdemocrata simplesmente pede a nacionalização imediata de grandes empresas, e reivindica para lojas comerciais e propriedades rurais, o controle do estado.   Neste sentido, estatistas e socialistas estão muito mais próximos do que estavam há cerca de uma década.

Entretanto, a diferença fundamental entre os ideais sociais do estatismo e os dos sociais democratas estava no problema de distribuição de renda e não no programa de nacionalização.   Para os sociais democratas estava fora de dúvida de que todas as diferenças de renda deviam desaparecer.   O estatismo, porém, tencionava distribuir a renda de acordo com a “dignidade”.   Cada um devia receber de acordo com sua posição.   Neste ponto, também, a diferença que separava socialdemocratas de estatistas diminuiu consideravelmente.

Estatismo também é socialismo genuíno, embora possa diferir, em alguns aspectos, do socialismo doManifesto Comunista e do Programa de Erfurt.   Essencial apenas é seu posicionamento quanto ao problema da propriedade privada dos meios de produção.   Como os Socialistas de Cátedra representavam o estatismo e exigiam a nacionalização das grandes empresas, bem como a supervisão e o controle pelo governo, de todas as outras, os estatistas adotaram a política socialista.

Mas nem todos os Socialistas de Cátedra foram estatistas.   Lujo Brentano e sua Escola promoveram um programa sindicalista, embora, em muitas questões da política cotidiana, tenham-se unido aos outros Socialistas de Cátedra e tenham lutado, juntamente com os socialdemocratas, contra o liberalismo.   Como já dissemos, seu sindicalismo não é mais definido e direto que o de qualquer outro programa.   Na realidade, é tão contraditório, acarretando consequências tão absurdas, que nunca poderia ser inabalavelmente defendido.   Brentano dissimulava sua posição cuidadosamente, mas, não obstante, era um sindicalista.   Essa posição tornou-se muito clara, quando Brentano tratou dos problemas de coerção e de greves dos sindicatos, bem como da proteção aos trabalhadores dispostos a trabalhar.

Se os empregados têm o direito de paralisar uma empresa, enquanto o proprietário tem o de rejeitar suas exigências, o controle de produção, em última análise, fica nas mãos dos sindicatos.   O problema não deve ser abafado pela confusão entre livre negociação coletiva—a liberdade dos trabalhadores de organizar-se—e a impunidade de trabalhadores que infringirem o contrato.   A proteção aos trabalhadores dispostos a trabalhar é uma questão inteiramente diferente.   Enquanto a paralisação do trabalho pelos trabalhadores de uma empresa ou de uma indústria inteira puder ser neutralizada pela contratação de trabalhadores provenientes de outras indústrias ou de uma determinada reserva de trabalhadores desempregados, os sindicatos não podem elevar os salários acima do que seriam pagos se não tivessem intervindo.   Mas tão logo a força física de trabalho—com consentimento tácito ou promoção explícita do estado—torne impossível substituir os grevistas, os sindicatos podem agir como quiserem.   Os trabalhadores de empresas “essenciais”, então, podem determinar, livremente, os salários.   Podem elevá-los tanto quanto quisessem, não fosse a preocupação com a opinião pública e com a suscetibilidade dos trabalhadores de outras indústrias.   De qualquer forma, todos os sindicatos têm, transitoriamente, a força de elevar os índices salariais acima daqueles que a situação econômica determinaria sem a intervenção do sindicato.

Quem quiser negar proteção a trabalhadores dispostos a trabalhar deverá preocupar-se em encontrar uma forma de lidar com o excesso de demandas por parte da mão de obra.   Não adianta apelar para que os trabalhadores tenham uma conduta razoável ou investir, com poderes de decisão, comitês de patrões e empregados.   Comitês com igual força de representação de ambos os lados só podem chegar a um acordo, se um dos lados fizer concessões.   Mas, se a decisão for tomada pelo estado—seja através de uma instância jurídica forte, seja por algum membro do comitê que represente o estado.  —a solução adotada será, novamente a do estatismo, justamente aquilo que se queria evitar.

Uma ordem social que recusa proteção àqueles dispostos a trabalhar não possui vitalidade e deve desintegrar-se rapidamente.   É por este motivo que todos os sistemas políticos, independentemente de quanto colaborem com os sindicatos, precisam, no final, opor-se à coerção dos sindicatos.   Sem dúvida, a Alemanha antes da guerra nunca se preocupou com uma legislação que garantisse proteção do governo àqueles que se dispunham a trabalhar; houve uma tentativa de estabelecimento de tais leis, que não teve êxito por causa da resistência de Brentano e de sua Escola.   Mas deve-se observar que a Alemanha, antes da guerra, podia facilmente esmagar uma greve em empresas essenciais, convocando-se os grevistas para o serviço militar ativo.   A Alemanha republicana de pós-guerra não dispõe mais dessa força.   E, contudo, apesar da supremacia do Partido Social Democrata, ela assumiu, com sucesso, uma posição contra greves nas empresas essenciais e, dessa forma, assegurou, expressivamente, proteção aos trabalhadores que queriam trabalhar.   Por outro lado, na Rússia soviética, as greves são absolutamente impossíveis.   Kautsky e Lênin concordam inteiramente que, aos trabalhadores que desejem trabalhar, deve ser permitido “furar” greves em instalações vitais.

 

O estatismo confia na experiência e no posicionamento dos representantes do governo.   Knapp afirma:

Nossos representantes estão aprendendo bem rápido como se passam as coisas durante um conflito de interesses econômicos.   Não deixarão as rédeas escaparem de suas mãos, nem mesmo para as maiorias parlamentares, que sabemos muito bem como manejar.   Nenhum poder surge com tanta facilidade nem é aceito com tanta satisfação quanto o de funcionários magnânimos e com muita instrução.   O estado alemão é burocrata, esperemos que permaneça sempre assim.   Deverá ser, então, bem fácil sobrepujar a confusão e os erros dos conflitos econômicos [11].

Brentano e sua Escola não tinham essa fé na infalibilidade dos funcionários do governo, e nisso baseavam até sua pretensão de serem “liberais”.   Mas, com o passar dos anos, as duas escolas aproximaram-se muito: a Escola de Brentano defendia a nacionalização ou municipalização de diversas empresas, e a Escola de Schmoller enfatizava a atividade dos sindicatos.   Por muito tempo, suas posições quanto à política do comércio exterior separaram as duas escolas.   Brentano rejeitava o protecionismo, enquanto este era a meta perseguida pela maioria dos estatistas.   Nesse particular os estatistas fizeram algumas concessões: esta mudança revelava uma resolução ambígua em relação ao livre comércio, planejada em 1923 por professores universitários, que se encontravam em Stuttgart.

O próprio Brentano procurou descrever as diferenças entre as duas escolas nas questões fundamentais de política social, como se pode ver a seguir:

 Ambos estamos a favor da atividade de organizações livres, bem como da intervenção governamental, sempre que o indivíduo, abandonado ao seu próprio destino, não contar com a possibilidade de preservar sua personalidade e desenvolver suas capacidades.   Contudo, desde o início, nossas posições relativas a essas duas situações inverteram-se.   Meus estudos sobre as condições britânicas levaram-me a fundamentar minhas esperanças na elevação das classes trabalhadoras, primordialmente quanto às atividades de suas organizações, enquanto que, para Schmoller, era muito mais importante que o estado assumisse o papel de protetor dos fracos [12].   

Brentano escreveu isso na primavera de 1918, pouco depois do colapso do sistema de Schmoller, e pouco antes do colapso do sistema de Brentano tornar-se evidente.   As diferenças fundamentais entre as duas escolas podem não estar claramente delineadas, mas são, pelo menos, discerníveis.

 

 3.   LIBERALISMO E LIBERALISMO SOCIAL

 

Os nomes não são importantes: o que importa é a substância.   O termo “liberalismo social” soa, de fato, estranho, visto que socialismo e liberalismo são mutuamente excludentes.   Mas estamos acostumados com essa terminologia.   O socialismo e a democracia também são irreconciliáveis, em última análise e, não obstante, há o velho conceito de “Democracia Social”, uma contradiction in adjecto.   Se, hoje, a Escola de Brentano, que adotava o sindicalismo, e alguns estatistas “moderados” designassem seu movimento de “liberalismo social”, não surgiria qualquer objeção à terminologia.   Mas não podemos permitir—não por razões políticas, mas no interesse da clareza científica e do pensamento lógico—que esta designação elimine as diferenças entre liberalismo e socialismo.   Ela permite chamar “liberal” o que é justamente o oposto daquilo que a história e a ciência social definem como liberal.   O fato de que, na Grã-Bretanha, a terra natal do liberalismo, prevaleça essa confusão semântica, não justifica que nós a adotemos.

Herkner está certo quando observa que a inviolabilidade da propriedade privada não é um objetivo fixado dogmaticamente para o liberalismo, mas um meio de atingir as metas fundamentais.   Entretanto, está errado quando afirma que isto acontece “apenas temporariamente” [13].   Na sua meta mais alta e fundamental, liberalismo e socialismo estão de acordo.   Diferem precisamente quanto ao que julgam o mais conveniente meio para atingir essa meta: para o liberalismo é a propriedade privada dos meios de produção, enquanto que para o socialismo é a propriedade pública o meio mais adequado.   Essa diferença nos dois programas, e somente essa, corresponde à história do pensamento durante o século XIX.   Suas posições diferentes sobre o problema da propriedade dos meios de produção separa o liberalismo do socialismo.   A questão ficaria obscura se apresentada de outra forma qualquer.

O socialismo, de acordo com Herkner, “é um sistema econômico no qual a sociedade organizada como estado assume diretamente a responsabilidade pela existência de todos os seus membros.   Como sistema econômico, baseia-se no atendimento das necessidades nacionais mais do que na obtenção de parcos lucros.   Todo o processo de produção e distribuição passa a ser atribuição da autoridade pública, em substituição da propriedade privada dos meios de produção e de seu uso para lucro” [14].   Isso não tem muita precisão, mas é exposto com muita clareza.   Adiante Herkner afirma, “Se esse sistema pudesse ser realizado com recursos liberais, isto é, sem a força e a violação da lei, e se pudesse não só melhorar as condições materiais do povo, mas também garantir maior liberdade individual, não se poderia, então, levantar nenhuma objeção contra ele do ponto de vista liberal” [15].   Assim, quando o parlamento discutir a questão da nacionalização, os liberais, de acordo com Herkner, podem votar a favor do bem comum, se a referida questão for apresentada “sem pressão e sem violação da lei”, e se não tiverem dúvidas quanto ao que venha a ser bem-estar material do povo.

Herkner parece acreditar que o liberalismo mais antigo defendia a propriedade privada em benefício próprio e não pelas consequências sociais dela.   Como Wiese e Zwiedineck, ele analisa a diferença entre o liberalismo mais antigo e o contemporâneo.   De acordo com Herkner, “enquanto o liberalismo mais antigo considerava a propriedade privada uma instituição da lei natural, cuja proteção, juntamente com a proteção da liberdade individual, era o primeiro dever do estado, o liberalismo contemporâneo enfatiza, com veemência cada vez maior, o fator social da propriedade…   A propriedade privada não é mais defendida com justificativas individualistas, mas com considerações de conveniência social e econômica” [16].   Numa tendência semelhante, Zwiedineck observa que há razão para otimismo, uma vez “que uma propriedade privada, em benefício próprio, que só atenda aos interesses dos proprietários seria de curta duração”.   Desta forma, o liberalismo moderno também defende a propriedade privada com base na “conveniência social” [17].

Não é nosso dever aqui examinar como as teorias não liberais da lei natural pretendiam defender a propriedade privada como fenômeno natural.   Mas deve ser de conhecimento geral que os liberais mais antigos eram utilitaristas (pelo que são frequentemente criticados), e que, para eles, estava fora de cogitação que alguma instituição social, alguma norma ética, qualquer coisa, em suma, pudesse ser defendida em função do seu próprio interesse, ou de qualquer interesse particular: só admitiam uma defesa fundamentada em razões de conveniência social.   O fato de o liberalismo moderno exigir a propriedade privada dos meios de produção em virtude de sua utilidade social, e não visando seu próprio bem, ou os interesses dos proprietários, não indica que o liberalismo esteja caminhando para o socialismo.

“Propriedade privada e herança”, Herkner continua, “dão origem a renda não derivada de trabalho.   O liberalismo simpatiza com os esforços dos socialistas em opor-se a essa renda não obtida por trabalho em nome da justiça e da igualdade de oportunidades para todos os membros da sociedade” [18].   O fato de a renda não ganha derivar da propriedade é tão evidente quanto o fato de a palavra “pobreza” derivar depauvreté.   De fato, a renda não ganha através do trabalho assalariado provém do controle dos meios de produção.   Quem se opõe a essa renda, deve opor-se à propriedade privada dos meios de produção.   Os liberais, portanto, não podem simpatizar com a rejeição socialista à renda não derivada do trabalho.   Se, por acaso, o fizerem, deixarão de ser liberais.

Então, o que, segundo Herkner, é liberalismo?  Sua resposta é esta:

Liberalismo é uma visão de mundo, uma espécie de religião, uma fé.   É uma fé na dignidade e bondade naturais do homem, no seu grandioso destino, na sua capacidade de crescer por seus poderes de razão natural e liberdade, uma fé na vitória da justiça e da verdade.   Sem liberdade não há verdade.   Sem verdade não pode haver triunfo da justiça, não pode haver progresso e consequentemente não pode haver desenvolvimento, cujos estágios posteriores são sempre mais desejáveis que os precedentes.   O que a luz do sol e o oxigênio significam para a vida orgânica, razão e liberdade significam para o desenvolvimento intelectual.   Nenhum indivíduo, classe, nação, ou raça deve ser considerado simples meio para a consecução dos fins de outro indivíduo, classe, nação ou raça [19].

Tudo isto é muito bonito e nobre, mas infelizmente tão geral e vago que se aplica igualmente ao socialismo, sindicalismo e anarquismo.   Essa definição de liberalismo não contém o ingrediente decisivo, ou seja, uma ordem social que se fundamenta na propriedade privada dos meios de produção.

Não nos surpreende que, com tal desconhecimento sobre liberalismo, Herkner também concorde com praticamente todos os conceitos errôneos que se encontram tão em voga hoje.   Entre outros, destaca-se esse conceito: “ao contrário dos liberais mais antigos, que almejavam, principalmente, o fim das restrições prejudiciais, o liberalismo moderno (isto é, o liberalismo social) tem um programa construtivo e positivo” [20].   Se Herkner tivesse descoberto que a propriedade privada dos meios de produção é o ingrediente básico do liberalismo, teria sabido que o programa liberal não é menos positivo e construtivo que qualquer outro.   A mentalidade burocrática—que, de acordo com Brentano, é “a única caixa de ressonância da Associação para a Política Social” [2l]—considera construtiva e positiva apenas a ideologia que exija o maior número de repartições públicas e de funcionários.   E quem procura reduzir o número de agentes do estado é tachado de “pessimista” ou de “inimigo do estado”.

Tanto Herkner quando Wiese [22] salientam categoricamente que o liberalismo nada tem a ver com o capitalismo.   Passow tentou mostrar que os termos ambíguos “capitalismo”, “ordem econômica capitalista” etc., são palavras de ordem políticas que, com algumas exceções apenas, nunca são usadas objetivamente para classificar e compreender os fatos da vida econômica.   Ao contrário, são usadas para criticar, acusar e condenar fenômenos que são mais ou menos mal compreendidos [23].   É claro que quem aprecia o liberalismo, independentemente da definição que lhe dê, procura defendê-lo dos rótulos considerados aviltantes, difamatórios e ofensivos.   Entretanto, se concordamos com.   Passow, quando observa que, para a maioria dos escritores que deram ao termo “capitalismo” um significado definido, sua essência está no desenvolvimento e expansão de grandes empresas [24], devemos admitir que liberalismo e capitalismo estão estreitamente relacionados.   Foi o liberalismo que criou as condições ideológicas que deram origem à moderna produção industrial em grande escala.   Se usarmos o termo “capitalista” para designar um método econômico que organiza a atividade econômica de acordo com a previsão de capital [25], devemos chegar à mesma conclusão.   Mas se não levarmos em conta a forma pela qual definimos capitalismo, o desenvolvimento dos métodos de produção capitalistas foi e é possível apenas dentro do quadro de uma ordem social fundamentada na propriedade privada dos meios de produção.   Consequentemente, não podemos concordar com Wiese quando defende a ideia de que a essência do liberalismo ficou obscurecida em decorrência de “sua coincidência histórica com o capitalismo de grande escala” [26].

O que faz o capitalismo parecer “não liberal”, de acordo com Wiese, é “a falta de sensibilidade para com os que sofrem, a brutal competição, e a luta para dominar e escravizar o semelhante” [27].   Essas expressões vêm dos velhos registros de queixas socialistas sobre a corrupção e crueldade do capitalismo.   Revelam a errônea interpretação socialista quanto à natureza e à substância de uma ordem social baseada na propriedade privada.   Se, numa sociedade capitalista, o comprador procurar comprar um bem econômico onde for menos caro, sem se preocupar com outras considerações, ele não demonstra “falta de sensibilidade para com os que sofrem”.   Se a empresa superior compete, com sucesso, com uma que funcione de modo menos econômico, não há “competição violenta” nem “luta para dominar ou escravizar o semelhante”.   Esses exemplos não indicam efeitos colaterais negativos nem são um “resultado” do capitalismo indesejado pelo liberalismo.   Pelo contrário, quanto mais acirrada for a competição, melhor ela atende à sua função social de melhorar a produção econômica.   O fato de que o cocheiro da diligência tenha sido substituído pela estrada de ferro, o tecelão pela tecelagem mecanizada, o sapateiro pela fábrica de sapato não ocorreu contra as intenções do liberalismo.   Quando pequenos proprietários de veleiros foram substituídos por uma grande companhia de navios a vapor, quando algumas dúzias de açougueiros foram substituídos por um matadouro, algumas centenas de comerciantes por uma loja de departamentos, isso não significou “domínio e escravidão do semelhante”.

Wiese observa corretamente que “na realidade, o liberalismo nunca existiu em larga escala, e a comunidade de liberais ainda precisa ser criada e incentivada” [28], Dessa forma, ainda não se completou inteiramente o quadro a que o desenvolvimento pleno do capitalismo pode atingir.   Esse quadro não se delineou nem mesmo na sociedade britânica no auge do capitalismo, quando o liberalismo ditava o caminho.   Hoje, é comum culpar o capitalismo por tudo o que causa desagrado.   Aliás, quem sabe o que nos poderia acontecer se não fosse o “capitalismo”?  Quando grandes sonhos não se realizam, o capitalismo é imediatamente acusado.   Esse procedimento, possível na política partidária, deve ser evitado na discussão científica.

 

 

4.   CONTROLE OU LEI ECONÔMICA?

 

Entre os vários erros, a que os Socialistas de Cátedra de todas as espécies se aferram obstinadamente, está a confiança nas limitadas intervenções governamentais na vida econômica.   Estão convencidos de que, com exceção do sindicalismo, há três possibilidades concebíveis de controle dos meios de produção numa sociedade pública e da privada, existe uma terceira possibilidade: a propriedade privada sujeita ao controle do governo.   A possibilidade e a conceptibilidade desse terceiro sistema serão examinadas nesta parte, com base na antítese “controle ou lei econômica”.

Para os Socialistas de Cátedra essa questão tinha importância política especial.   Só podiam manter sua reivindicação de uma posição intermediária imparcial entre a Escola de Manchester e o comunismo, se essa posição apontasse para um ideal social aparentemente “equidistante” dos ideais dos dois movimentos em competição.   Rejeitaram como irrelevante para seus ideais toda censura endereçada ao ideal socialista.   Podiam agir assim, porque não levavam em conta que intervenções limitadas na ordem da propriedade privada são improfícuas, e que os objetivos desejados pelos estatistas só podem ser atingidos, quando a propriedade privada existir apenas, formalmente, e quando uma autoridade central controlar toda a produção.   Möeller observa, corretamente, que a Escola Histórica mais nova se opôs à economia clássica por razões práticas: “Schmoller não se preocupou em buscar justificativa científica da política social bloqueada pelo conceito da regularidade econômica externa, independente do homem”.   Mas Möeller está enganado, quando comenta uma observação de Rist, segundo a qual a escola clássica não sustentou a validade geral das leis econômicas.   Está enganado, quando insiste que “não eram as ‘leis’ de economia clássica propriamente ditas que criavam obstáculos” [29].   Na verdade, elas representaram um obstáculo porque revelaram que a intervenção do governo nas operações de uma ordem social capitalista é incapaz de atingir os resultados desejados, o que deixa duas alternativas: a de renunciar a tal intenção ou ir até o fim e assumir o controle total dos meios de produção.   A esse respeito, nenhuma das críticas feitas pela Escola Histórico-Realista vem ao caso.   Não era importante que essas leis econômicas não fossem “leis naturais” e que a propriedade privada não fosse eterna, mas “apenas” uma categoria histórico-legal.   A nova economia deveria ter substituído a teoria da cataláctica, desenvolvida pelos fisiocratas e economistas clássicos, por um outro sistema que não demonstrasse a inutilidade da intervenção do governo.   Como não teve êxito, teve que rejeitar categoricamente todas as investigações “teóricas” de problemas econômicos.

Às vezes, diz-se que há várias espécies de economia.   Isto não é mais correto do que dizer que há várias biologias e várias físicas.   Certamente, em toda ciência, várias hipóteses, interpretações e debates procuram resolver problemas concretos.   Mas há uma lógica coerente em toda ciência.   Isso vale, também para a economia.   A própria Escola Histórico-Realista, que por razões políticas discordou das teorias tradicionais e modernas, prova este fato, quando, em vez de substituir as doutrinas rejeitadas por suas próprias explicações, nega, simplesmente, a possibilidade de conhecimento teórico,

O conhecimento econômico leva necessariamente ao liberalismo.   Por um lado, demonstra que há apenas duas possibilidades para o problema de propriedade em uma sociedade baseada na divisão de trabalho: propriedade privada ou pública dos meios de produção.   O chamado sistema intermediário da propriedade “controlada” ou é ilógico, porque não conduz ao objetivo pretendido e não produz nada a não ser uma ruptura do processo de produção capitalista, ou acaba conduzindo à socialização total dos meios de produção.   Por outro lado, prova o que apenas recentemente foi aprendido com clareza: uma sociedade fundamentada na propriedade pública não é viável, uma vez que não permite previsão monetária e, consequentemente, não permite a ação econômica racional.   O conhecimento econômico, portanto, representa um obstáculo às ideologias socialista e sindicalista que prevalecem em todo o mundo.   E isto explica a guerra movida em toda parte contra a economia e os economistas.

Zwiedineck-Südenhorst procura dar à doutrina indefensável da terceira ordem social possível uma nova feição.   Diz ele:

Não estamos tratando apenas da instituição da propriedade, mas, provavelmente, com maior destaque, também, da totalidade de padrões legais que formam uma superestrutura, acima de todo o sistema de propriedade e, desse modo, de toda ordem econômica.   Devemos perceber que esses padrões legais são decisivos para o modo de cooperação dos vários fatores de produção (isto é, não apenas capital, terra e trabalho, mas também as diferentes categorias de trabalho comum).   Em suma, estamos tratando de tudo aquilo que compreende a organização da produção.   Essa organização só pode servir ao objetivo de colocar as condições de controle momentâneas acima dos vários fatores de produção que estão a serviço da economia como um todo.   E, só desta forma, terá caráter social.   Naturalmente, essas condições de controle momentâneas, isto é, o instituto da propriedade, constituem uma parte da organização da produção.   Isto, porém, não conduz à conclusão de que a organização teria de ser diferente nas economias individualista e coletivista.   Na verdade, o fundamental é conhecer as condições para a existência dessa diferença e o modo pelo qual ela pode ocorrer [30]

Nesse ponto, novamente,—como ocorre com todos os representantes do estatismo—o autor apresenta a ideia de que uma estrutura legal que coloque a propriedade privada “a serviço da economia como um todo”, pode atingir os objetivos que as autoridades governamentais pretendiam atingir.   Afinal, foi apenas recentemente que Zwiedineck assumiu seu posicionamento sobre o problema da opção entre “controle e lei econômica”, questão tão característica de todos os Socialistas de Cátedra [31].

É notável que todos estes estudos nada tenham produzido de novo.   Velhos equívocos que já tinham sido contestados uma centena de vezes voltaram a ser cometidos.   A questão não é saber se o poder do estado “pode” intervir na vida econômica.   Hoje nenhum economista negaria, por exemplo, que é possível o bombardeio de uma cidade, ou uma proibição de exportações.   Mesmo o livre-cambista não nega que sejam possíveis taxas de importação; sustenta, apenas, que as tarifas protecionistas não têm os efeitos que seus defensores lhes atribuem.   E até quem rejeita controles de preços por julgá-los inadequados, não nega que o governo pode impô-los e fiscalizá-los.   O que podem negar é a possibilidade de que os controles conduzam ao objetivo que o governo pretendia atingir.

 

5.   O METHODENSTREIT

 

Na década de 1870, Walter Bagehot reprovou, de forma irrefutável, os argumentos com que os seguidores da Escola Historicista rejeitavam a credibilidade de investigações “teóricas” no campo da economia.   Chamou os dois métodos—que a Escola Historicista considerava como os únicos permissíveis—de o “método de todos os casos” e o “método do caso único”.   O primeiro usa apenas a indução e supõe erroneamente que é esse o caminho que normalmente conduz as ciências naturais a suas descobertas.   Bagehot demonstrou que este caminho é inteiramente impraticável e que, por ele, ciência alguma jamais atingiu resultados satisfatórios.   O “método do caso único”, que aceita apenas descrições de dados históricos concretos, não percebe, de acordo com Bagehot, que não pode haver história econômica nem descrição econômica, “sem que haja um acúmulo anterior considerável de doutrina aplicável” [32].

O Methodenstreit foi há muito decidido.   Jamais uma mudança de método científico provocou, para uma das partes, uma derrota tão esmagadora.   Felizmente, admite-se isso abertamente em Economics After the War.   No seu trabalho de pesquisa sobre o ciclo econômico, fundamentada no conhecimento total do material, Löwe aborda, superficialmente, a questão do método, provando, habilmente, a indefensabilidade das objeções, que os empíricos levantam contra a teoria.   Infelizmente, devemos também concordar com Löwe, quando ele observa que “a heresia da pesquisa ‘imparcial’ de dados, que privou uma geração inteira de eruditos alemães de atingir resultados”, recentemente, também se impôs na pesquisa americana [33].   Contudo, é ainda mais lamentável que, apesar dos debates metodológicos minuciosos dos últimos anos, frequentemente encontremos na ciência alemã os velhos erros há muito contestados.   Bonn, por exemplo, elogia Brentano porque, no seu livro Agricultural Policy, ele não se satisfez em “descrever o esqueleto de um sistema, separado da carne viva.   Detestava abstrações incruentas, deduções de conceitos estéreis, como as que combatera na juventude.   Procurava a plenitude da vida” [34].

Devo admitir que achei o termo “carne viva” vazio.   O uso de Bonn do adjetivo “incruenta” relativo ao substantivo “abstração” me parece ilógico.   Qual é o contrário de uma abstração “incruenta”—uma abstração “sanguinária” talvez?  Nenhuma ciência pode furtar-se a emitir conceitos abstratos, e quem os detesta deve permanecer distante da ciência e tentar viver sem eles.   Quando examinamos o Agricultural Policy de Brentano, encontramos diversas análises sobre arrendamento, preço de terras, custo etc., investigações puramente teóricas, que evidentemente se relacionam com abstrações e conceitos abstratos [35].   Toda investigação que, de alguma forma, toca em questões econômicas deve necessariamente “teorizar”.   Na verdade, o empírico não sabe que está teorizando, assim como Monsieur Jourdain jamais soube que estava sempre dizendo coisas sem importância.   E, como os empíricos não estão cientes disso, adotam descuidadamente teorias incompletas, ou mesmo incorretas, e evitam considerá-las quanto à lógica, Pode-se criar facilmente uma teoria explicativa para cada “fato”: todavia, apenas quando as teorias individuais estão ligadas, constituindo um todo, podemos determinar o valor ou a inutilidade da “explicação”.   Mas a Escola Historicista rejeitou todas; não queria admitir que as teorias devem ser estudadas e ligadas num todo coerente.   De forma eclética, essa Escola lançou mão de pedaços de todas as teorias possíveis, seguindo, indiscriminadamente e sem qualquer senso crítico, ora essa, ora aquela opinião.

Os Socialistas de Cátedra, além de não construírem um sistema próprio, equivocaram-se inteiramente na crítica à moderna economia teórica.   A teoria de valor subjetivo não recebeu a crítica externa, que é tão indispensável para o progresso científico.   Essa teoria deve seu progresso nas últimas décadas, à sua própria iniciativa, à crítica vinda de suas próprias fileiras de defensores.   Os seguidores da Escola Historicista nem mesmo notaram esse fato.   Sempre que se fala sobre economia moderna, eles se voltam para 1890, quando a maior parte das obras de Menger e Böhm-Bawerk já estavam, em geral, concluídas.   Os avanços teóricos ocorridos a partir dessa época na Europa e América são praticamente desconhecidos para eles.

A crítica que os próceres do socialismo acadêmico fizeram à economia teórica provou ser bastante irrelevante e—aparentemente sem razão—não isenta de ressentimentos pessoais.   Como acontece nos escritos de Marx e seus discípulos, em que uma pilhéria de mais ou menos bom gosto, frequentemente substitui a crítica.   Brentano achou conveniente se lançar uma crítica ao Capital and Interest de Böhm-Bawerk—uma crítica que, a propósito, ninguém avaliou nos dezessete anos decorridos de sua publicação—da qual se destaca o trecho seguinte; “Como um dos meus discípulos do primeiro semestre corretamente observou…” [36].   O professor armênio Totomianz, escreve na sua History of Economics and Socialism:

Um crítico alemão da escola psicológica observa ironicamente, não sem um mínimo de verdade, que o solo no qual a Escola Austríaca cresceu foi a cidade de Viena, com seus inúmeros estudantes e militares, Para um jovem estudante à procura dos prazeres da vida, os bens presentes, naturalmente, são mais valiosos que os bens futuros.   Da mesma forma, um elegante militar, sofrendo cronicamente de falta de dinheiro, pagará qualquer taxa de juros sobre o dinheiro que lhe emprestarem [37].

Esse livro, com essa pesada critica a teoria de Böhm-Bawerk, apareceu primeiro em língua russa.   Rist escreveu uma introdução para a edição francesa; Loria, para a edição italiana, e Masaryk, para a edição tcheca.   Na sua introdução para a edição alemã, Herkner elogia a obra por ser “simples e clara”.   Todas as ideias importantes e produtivas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Itália, Rússia e América são analisadas “com carinho e compreensão” por Totomianz, que mostra “notável capacidade de fazer justiça a ideias tão diferentes como as de Fourier, Ruskin, Marx, Rodbertus, Schmoller, Menger e Gide” [38].   Tal julgamento, por parte de Herkner, é muito estranho já que ele conhece bem a história do pensamento econômico [39].

Na Methodenstreit, a ala da Escola Histórico Realista, que apoiava Brentano, age com mais prudência que os seguidores de Schmoller.   Devemos dar crédito pessoal a Brentano, que uma geração antes, teceu críticas veementes à pesquisa da Escola no campo da história econômica.

Muitos autores, cujos trabalhos não passam de citações retiradas de documentos econômicos, acreditam que escreveram um tratado sobre economia.   Ora, quando a citação termina, a análise econômica está apenas começando.   Seu conteúdo deve, então, ser analisado e transformado num quadro cheio de vida; e deve-se tirar uma lição desta pesquisa.   Não basta preparar com eficiência os trechos dos documentos.   É preciso a força da intuição, combinação, sagacidade, e o mais importante dom científico; a capacidade de reconhecer elementos comuns na multiplicidade dos fenômenos.   Quando isto falta, nada ganhamos a não ser detalhes sem interesse…   Essa espécie de análise histórico-econômica não tem qualquer valor para a economia [40].

Levando-se em conta a tendência estatizante das obras da Escola de Schmoller, Brentano considera uma aberração “confundir citações entusiásticas de arquivos com investigações e pesquisas econômicas” [41].

 

6.   AS DOUTRINAS ECONÔMICAS DO LIBERALISMO SOCIAL

 

Fiéis ao seu princípio, os Socialistas de Cátedra não criaram um sistema de economia, o que era o objetivo dos fisiocratas e economistas clássicos, e passou a ser o dos economistas subjetivistas modernos.   Os socialistas não estavam preocupados em criar um sistema de cataláctica.

Marx simplesmente adotou o sistema dos clássicos e concluiu que, numa sociedade com base na divisão do trabalho, não há uma terceira possibilidade, em termos de organização, além dos sistemas privado e público.   Zombava de todas as tentativas de estabelecimento de um terceiro sistema, chamando-as de burguesas.   A posição do estatismo é diferente.   Desde o início não procurou entender, mas julgar.   Trouxe opiniões éticas preconcebidas: “Deve ser feito” e “Não deve ser feito”.   Tudo era caótico, enquanto o estado não interveio.   Apenas a intervenção do governo poderia pôr fim à arbitrariedade das ambições individuais.   A ideia de que uma ordem social podia ser baseada num sistema contra o qual o estado nada faria senão proteger a propriedade privada dos meios de produção pareceu-lhe inteiramente absurda.   Considerava ridículos os “inimigos do estado”, os que acreditassem nessa “harmonia preestabelecida”.   Os estatistas consideravam extremamente ilógico rejeitar toda “intervenção” por parte do governo na vida econômica, já que essa rejeição levaria ao anarquismo.   Se for permitida a intervenção do governo para proteção da propriedade privada não é lógico rejeitar qualquer outro tipo de intervenção.   A única ordem econômica razoável é a social na qual a propriedade privada existe formalmente, porém, na prática, foi abolida, pois é o estado que detém os controles finais da produção e distribuição.   A situação reinante no auge do liberalismo pôde prevalecer apenas porque o estado descuidou-se de seus deveres e assegurou liberdade exagerada aos indivíduos.   Sob esse ponto de vista, o desenvolvimento de um sistema cataláctico é desnecessário, e até ilógico.

O melhor exemplo da ideologia do bem-estar social é a teoria da balança de pagamento.   Um país pode perder todo seu poder monetário se o estado não intervir, segundo a versão mercantilista mais antiga.  Entretanto, os economistas clássicos demonstraram que o perigo tão temido pelos mercantilistas não existe: há forças em movimento que, a longo prazo, evitam a perda de dinheiro.   É por isto que a teoria da quantidade foi sempre tão censurada pelos estatistas.   Eles apoiavam a Escola Bancária.   A vitória da Escola Historicista trouxe, praticamente, a excomunhão da Escola Monetária.   Karl Marx,[42] Adolf Wagner, Helfferich, Hilferding, Havenstein e Bendixen defenderam as doutrinas da Escola Bancária.

Após duas gerações de ecletismo e fuga de conceitos claros, muitos escritores contemporâneos sentem dificuldade de compreender as diferenças entre estas duas famosas escolas britânicas.   Assim Palyi admira-se por “um seguidor resoluto do Princípio Bancário, M. Ausiaux, ocasionalmente …” defender “o contabilismo de Solvay” [43].   Não vamos ignorar o fato de o “contabilizou” e todos os outros sistemas correlatos serem aplicações lógicas do Princípio Bancário.   Se os bancos não estiverem em posição de emitir mais notas que as necessárias (a “elasticidade da circulação”), pode não haver objeção à adoção da reforma monetária de Solvay,

A posição de adepto do estatismo de Palyi explica por que não podia acrescentar uma única palavra às velhas observações mercantilistas, e por que toda a sua teoria se limitava a mostrar a disposição egoísta dos súditos do estado, em quem não se deveria confiar.   [44] O liberalismo social não podia compartilhar dessa posição estatista.   Para melhor ou pior, tinha de mostrar como, de acordo com seu ideal social, os membros de uma sociedade de trocas cooperam sem auxílio do governo.   Contudo, o liberalismo social, por sua vez, nunca desenvolveu uma teoria abrangente.   Provavelmente, alguns dos seus seguidores acreditavam que ainda não era a hora oportuna, pela insuficiência do preparo de coleta de dados; provavelmente, a maioria jamais sentiu necessidade de uma teoria abrangente.   Sempre que surgia a necessidade de uma teoria, os liberais sociais, geralmente, recorriam ao sistema clássico, a maioria das vezes no estilo do marxismo.   Neste particular, os liberais sociais diferiam dos estatistas, que preferiam voltar ao mercantilismo.

O liberalismo social, entretanto, realmente procurou dar uma contribuição independente à teoria: uma doutrina sobre salários.   Não podia usar nem a teoria clássica nem a moderna.   Marx, com muita lógica, tinha negado que a negociação coletiva, através dos sindicatos, pudesse elevar os salários.   Apenas Brentano e Webb procuram provar que a negociação coletiva pode elevar, permanentemente, a renda de todos os trabalhadores.   Essa teoria que é a principal doutrina do liberalismo social, não podia, entretanto, resistir a uma crítica científica, tal como a de Pohle [45] e Adolf Weber [46].   No seu último ensaio, Böhm-Bawerk, também, chegou à mesma conclusão [47], e hoje ninguém ousa sustentar, com seriedade, a doutrina de Brentano-Webb.   É significativo que o abrangente Festschript, que reverencia Brentano, não contém uma única contribuição sobre a teoria salarial e as políticas salariais dos sindicatos.   Cassau, simplesmente, observa que, antes da guerra, o movimento sindicalista funcionava “sem qualquer teoria salarial” [48].

No seu exame crítico da primeira edição do livro de Adolf Weber, Schmoller comentou que, de um modo geral, sem aumento de produtividade, é impossível elevar os salários com a recessão da produção.   De acordo com Schmoller, “tais discussões teóricas e abstratas sobre preços” não conduzem a resultados úteis.   Só podemos fazer um “julgamento seguro” “se pudermos avaliar numericamente esses complexos processos”.   Adolf Weber vê nesta resposta uma declaração de falência de nossa ciência [49].   Mas o estatista não precisa estar preocupado com a falência da cataláctica.   Na verdade, o estatista coerente nega a existência de qualquer regularidade no processo de fenômenos de mercado.   De qualquer forma, como todo político, o estatista sabe como evitar o dilema: o estado determina o nível de salários.   Contudo, a contestação única e exclusiva da doutrina de Brentano-Webb não é decisiva.   Mesmo se nós a aceitarmos—o que, conforme demonstramos, ninguém ousaria fazer, a partir dos trabalhos de Adolf Weber, Pohle e Böhm-Bawerk—a questão decisiva ainda necessitará de uma resposta.   Se, na verdade, os sindicatos tivessem o poder de elevar o salário médio de todos os trabalhadores acima do nível que prevaleceria sem sua intervenção, ficaria ainda por determinar o teto que esses salários podem atingir.   Poderão os salários médios subir tão alto que absorvam toda a renda “não ganha”, devendo por isso ser pagos com capital?  Ou haverá um limite inferior para esta elevação.   É um problema que.a “teoria do poder” deve responder em relação a todo preço.   Contudo, até hoje, ninguém jamais tentou resolvê-lo.

Não devemos tratar do problema do poder considerando a intervenção autoritária “impossível”, como faz o liberalismo mais antigo.   Não pode haver qualquer dúvida de que os sindicatos se encontram numa posição em que podem elevar os salários o quanto quiserem, se o estado, negando proteção aos trabalhadores dispostos a trabalhar, lhes der apoio e pagar seguro-desemprego ou forçar os empregadores a contratar trabalhadores.   Nesse caso, aconteceria o seguinte: os trabalhadores de empresas essenciais ficariam em posição de exigir qualquer salário arbitrário, independente do restante da população.   Mas, mesmo que não se leve isso em consideração, os próprios trabalhadores teriam de arcar com o repasse do aumento de salários para os preços ao consumidor, e não os capitalistas e as empresas, cujas rendas não se elevaram devido ao aumento de salários.   Os capitalistas e as empresas passarão a reduzir o acúmulo de capital, a consumir menos, ou mesmo a gastar parte do capital.   Exatamente o que farão, e até que ponto o farão, depende do volume de redução de sua renda.   Certamente, todos concordarão que é inconcebível pretender, dessa forma, eliminar a renda “não ganha” ou simplesmente reduzi-la, sem, pelo menos, reduzir ou estancar a formação de capital e, muito provavelmente, consumir capital (afinal, nada existe que possa impedir os sindicatos de elevar suas exigências a níveis que absorvam toda a renda “não ganha”).   Mas é evidente que a depreciação do capital não eleva, permanentemente, os salários dos trabalhadores.

Os estatistas e sociais liberais divergem no tocante aos métodos de obtenção de salários mais altos para os trabalhadores.   Contudo, nenhum dos caminhos que apontam levam ao objetivo.   Como o liberalismo social certamente não pode desejar parar, nem mesmo reduzir a formação de capital—e muito menos, provocar a depreciação do capital —, fatalmente terá de escolher entre capitalismo e socialismo.   Tertium non datur(“Não há terceira opção”).

 

 

7.   O CONCEITO E A CRISE DA POLÍTICA SOCIAL

 

Todas as políticas econômicas das duas últimas gerações são planejadas, passo a passo, no sentido de abolir a propriedade privada dos meios de produção—se não em forma, ao menos em substância—e no sentido de substituir a ordem social capitalista pela ordem socialista.   Décadas atrás, Sidney Webb já o anunciava no seu Fabian Essays [50].   Como as concepções da futura ordem social desejada variavam segundo as correntes individuais do socialismo, variavam também as opiniões sobre o caminho através do qual o objetivo devia ser atingido.   Havia questões sobre as quais todas as correntes podiam concordar; sobre outras, porém, havia profundas divergências, como, por exemplo, o trabalho de mulheres casadas nas fábricas, ou a proteção de artesãos contra a concorrência dos grandes negócios.   Mas todas as correntes concordavam com a rejeição do ideal social do liberalismo.   Não importava o quanto diferissem um do outro, cerravam fileiras na luta contra, o “manchesterismo”.   Nesse ponto, pelo menos, os defensores do Socialismo de Cátedra e os defensores do liberalismo social estavam de pleno acordo.

No processo de substituição gradual do capitalismo por uma ordem social socialista ou sindicalista, o termo “política social”, lentamente ganhou aceitação.   Nunca se elaborou uma definição precisa do termo, visto que a Escola Historicista nunca mostrou interesse em definições conceituais bem delineadas.   O uso do termo “política social” permaneceu ambíguo.   Apenas nos últimos anos, com a pressão da crítica econômica, os políticos sociais tentaram defini-lo.

Sombart, provavelmente, percebeu a natureza da política social de maneira mais clara.   “Por política social”, escreveu em 1897, “entendemos aquelas medidas de política econômica que afetam a preservação, promoção ou repressão de certos sistemas econômicos” [51].   Amonn, com razão, encontrou muitas falhas nessa definição, mas, em especial, mostrou que as medidas devem ser caracterizadas por seus objetivos, não pelos seus efeitos na estrutura da política, e que a política social ultrapassa o campo normalmente chamado “política econômica” [52].   Contudo, é certo que Sombart viu em uma mudança na ordem econômica o objetivo da política social.   Não podemos nos esquecer de que, quando Sombart escreveu isso, estava convicto da doutrina marxista, que o fez pensar na introdução do socialismo como a única política social concebível.   Devemos admitir que ele percebeu corretamente o essencial.   A única deficiência da sua definição é a inclusão de todos os esforços para a realização do programa liberal, esforços feitos num momento em que, no dizer de Marx, a burguesia ainda era uma classe revolucionária.   Da mesma forma, Sombart expressamente incluiu, como um exemplo de política social, a libertação dos camponeses da servidão feudal.   Muitos escritores imitaram-no neste particular.   Frequentemente, procuravam definir o termo “política social” de tal forma que ele incluísse outras medidas políticas além daqueles que visavam à realização do socialismo [53].

Faz pouco sentido aprofundar-se numa discussão inútil acerca do conceito de política social, debate que apenas recentemente se acalorou, desencadeado pela crise que surpreendeu o socialismo e sindicalismo de todas as espécies com a vitória dos democratas sociais marxistas, na Alemanha.

O estatismo prussiano e seguidores intelectuais de outros países tinham-se aproximado ao máximo do ideal socialista sem grande prejuízo visível para a economia e sem redução excessiva na produtividade da mão de obra.   Ninguém com horizontes esclarecidos pela política partidária pode negar que a Prússia-Alemanha da era anterior, à guerra estivesse mais preparada que qualquer outro país para conduzir as experiências socialistas.   A tradição do funcionalismo prussiano, a fé de todas as pessoas educadas na ordem do estado, a classificação hierárquica militar da população, sua inclinação a obedecer cegamente às autoridades, enfim, todos os pré-requisitos para o socialismo, que não se encontravam em nenhum outro país.   Jamais poderá haver pessoas mais preparadas para a administração de uma operação comunitária socialista que os prefeitos das cidades alemãs, ou que os diretores da ferrovia prussiana.   Eles fizeram todo o possível para o êxito das empresas sociais.   Se, apesar de tantas vantagens, o sistema fracassou, isso prova exclusivamente que o sistema não podia ser posto em prática; de forma alguma.

De repente, os sociais democratas subiram ao poder na Alemanha e na Áustria.   Durante muitas décadas anunciaram, repetidamente, que seu socialismo genuíno nada tinha em comum com o falso socialismo dos estatistas, e que iriam proceder de forma totalmente diferente dos burocratas e professores universitários.   Agora era a hora de demonstrar o que podiam fazer.   Entretanto a única coisa nova que conseguiram introduzir foi o termo “socialização”.   Em 1918 e 1919, todos os partidos políticos da Alemanha e da Áustria acrescentaram a socialização de indústrias convenientes a seus programas.   Naquela época, nenhum passo na direção do puro socialismo da variedade marxista encontrava séria resistência.   Mesmo assim, o que foi feito em termos de orientação ou objetivo, não foi além das antigas recomendações e inúmeras tentativas dos Socialistas de Cátedra.   Apenas alguns sonhadores, em Munique, acreditavam que o exemplo de Lenin e Trotsky, na Rússia agrária, podia ser seguido pela Alemanha industrializada, sem causar uma crise sem precedentes.

O socialismo não fracassou por causa da resistência ideológica—até hoje, a ideologia dominante é a socialista.   Fracassou pela sua inviabilidade.   À medida que se tomava consciência de que, quanto mais distante se ficava da ordem de propriedade privada, mais reduzida ficava a produtividade da mão de obra, e consequentemente mais aumentava a pobreza e a miséria, tornou-se necessário não só parar a corrida para o socialismo, mas também anular algumas das medidas socialistas já tomadas.   Até os soviéticos tiveram de ceder.   Não continuaram a socialização da terra: limitaram-se a distribuir as terras à população rural.   No comércio interno e externo, substituíram o socialismo puro pela “nova política econômica”.   Entretanto, a ideologia não acompanhou esse recuo.   Agarrou-se, obstinadamente, às concepções de décadas atrás e procurou atribuir os fracassos do socialismo a todas as causas possíveis, excetuando a única verdadeira: sua inviabilidade básica.

Apenas alguns defensores do socialismo perceberam que o fracasso do sistema, embora não tenha sido concomitante, era inevitável.   Alguns, indo ainda mais longe, admitiram que todas as medidas sociais reduzem a, produtividade, consomem capital e riqueza e são prejudiciais.   A renúncia aos ideais que esses homens anteriormente abraçavam chama-se, na literatura econômica, “crise da política social” [54].   Na realidade, é muito mais; é a grande crise mundial do “destrucionismo”—a política que procura destruir a ordem social baseada na propriedade privada dos meios de produção.

O mundo só pode manter a humanidade em prosperidade, como a tem mantido nas últimas décadas, se o homem trabalhar segundo a ordem capitalista.   Só o capitalismo pode aumentar ainda mais a produtividade do trabalho.   O fato de a grande maioria das pessoas aderir a uma ideologia, que, por se recusar a admitir isso, conduz a políticas que levam a uma redução da produtividade da mão de obra e ao consumo de capital, está na base da grande crise cultural que ora nos assola.

 

 

8.   MAX WEBER E OS SOCIALISTAS DE CÁTEDRA

 

A oposição contra os Socialistas de Cátedra, que surgiu na Alemanha, teve início, de modo geral, com a conscientização de que as pesquisas teóricas acerca de problemas econômicos são fundamentais.   Como economistas, Dietzel, Julius Wolf, Ehrenberg, Pohle, Adolf Weber, Passow, e outros se levantaram contra os Socialistas de Cátedra.   Por outro lado, historiadores levantaram objeções à maneira como Schmoller, Knapp e seus discípulos procuravam resolver questões históricas.   Equipados com os instrumentos de suas ciências, esses críticos abordavam as doutrinas dos Socialistas de Cátedra sob uma perspectiva externa.   Naturalmente, os Socialistas de Cátedra, com posições importantes e de grande prestígio, criaram empecilhos para os críticos, sem que esse combate criasse para eles problemas de consciência.   Eles nunca se deixaram seduzir pelo socialismo ou se libertaram dele sem dificuldades.

Com Max Weber, a coisa foi bem diferente.   Mais jovem, dava grande importância aos ideais do estatismo prussiano, e Socialismo de Cátedra e a reforma social evangélica.   Ele os tinha absorvido antes de ter começado a estudar cientificamente os problemas do socialismo.   Considerações religiosas, políticas e éticas tinham determinado sua posição.

A formação universitária de Max Weber foi em Direito, mas seus primeiros trabalhos científicos tratam de história legal.   Começou sua carreira como conferencista sem honorários, tornando-se depois professor de direito.   Suas tendências se dirigiam para a história, não para a pesquisa histórica de peculiaridades, que se perde em detalhes e negligencia o todo, mas para a história universal, a síntese histórica e a filosofia da história.   Para ele, a história não era a meta em si, mas um meio de se chegar a introspecções políticas mais profundas.   A economia era-lhe indiferente.   Foi promovido a professor de economia sem que antes tivesse estudado essa ciência, o que era um procedimento comum na época [55].   Isso refletia a opinião da Escola Empírico-Realista sobre a natureza das “ciências sociais” e sobre a perícia científica de historiadores legais.   Pouco antes de sua morte prematura, Weber lamentou que seu conhecimento sobre a economia teórica moderna e sobre o sistema clássico fosse tão limitado.   Disse recear não ter tempo para preencher essas lacunas, que considerava lamentáveis.

Quando aceitou o cargo, foi obrigado a dar conferências sobre as questões que os Socialistas de Cátedra consideravam o assunto adequado para o ensino universitário, Weber, porém, não se satisfez com a doutrina dominante.   O jurista e o historiador que havia nele rebelaram-se contra a forma como a Escola tratava das questões legais e históricas.   Foi por este motivo que ele começou seu pioneirismo em pesquisas metodológicas e epistemológicas.   Daí vem as questões de filosofia materialista da história, a partir das quais abordou os aspectos religiosos e sociológicos.   Por fim, empreendeu uma tentativa grandiosa de criar um sistema de ciências sociais.

Contudo, todos esses estudos, passo a passo, afastaram Max Weber dos ideais políticos e sociais de sua juventude.   Passou a defender, pela primeira vez, o liberalismo, o racionalismo, o utilitarismo.   Foi uma experiência pessoal dolorosa, semelhante à de muitos outros intelectuais que romperam com o Cristianismo.   De fato, sua fé e religião eram o estatismo prussiano; romper com ele foi como abandonar, a esperança, seu próprio povo e até a civilização europeia,

Quando ficou claro para ele que a ideologia social dominante era indefensável e quando percebeu em que direção ela se encaminhava, começou a ver o futuro da nação alemã e das outras nações líderes da civilização europeia.   De certo modo, assim como o cauchemar des coalitions (“pesadelo de coalizões”) privava Bismark de seu sono, também a conscientização decorrente de seus estudos não deu mais descanso a Weber.   Por mais que se apegasse à esperança de que, no fim, tudo daria certo, uma negra premonição dizia-lhe, repetidamente, que uma catástrofe se aproximava.   Essa conscientização consumiu sua saúde, encheu-o de crescente inquietação depois do início da II Guerra Mundial, incitou-o a uma atividade, que para um homem não solicitado por qualquer um dos partidos políticos, tornou-se inútil e, finalmente, apressou sua morte.

Desde o começo, em Heidelberg, a vida de Max Weber foi uma luta interior ininterrupta contra as doutrinas dos Socialistas de Cátedra.   Contudo, ele não levou tal luta até o fim, morreu antes de conseguir livrar-se completamente do fascínio destas doutrinas.   Morreu solitário, sem herdeiros intelectuais que pudessem continuar a luta que teve de abandonar com a morte.   Na verdade, seu nome é elogiado, mas a verdadeira essência de seu trabalho não foi reconhecida, e aquilo que ele considerava mais importante não teve reconhecimento e também não encontrou discípulos.   Apenas seus opositores reconheceram o perigo que representavam para a sua ideologia as ideias de Max Weber.[56]

 

9.   O FRACASSO DA IDEOLOGIA DOMINANTE

 

Em todas as variantes e matizes, as ideias de socialismo e sindicalismo perderam suas amarras científicas.   Os que por elas lutaram foram incapazes de apresentar outro sistema mais compatível com seus ensinamentos e, desse modo, contestar a acusação de vazios, que vêm recebendo dos economistas teóricos.   Por conseguinte, tinham de negar, fundamentalmente, a possibilidade do conhecimento teórico no campo da ciência social e, especialmente, em economia.   Na negação, contentaram-se com algumas objeções críticas referentes ao fundamento da economia teórica.   Mas sua crítica metodológica, bem como as objeções às várias teorias provaram ser inteiramente indefensáveis.   Nada, absolutamente nada, restou do que, há meio século, Schmoller, Brentano e seus amigos costumavam proclamar como a nova ciência.   O fato de que estudos sobre a história econômica podem ser muito úteis e de que devem ser realizados, já era conhecido antes, e nunca antes fora negado.

Mesmo durante o apogeu da Escola Historicista, a economia teórica não permaneceu ineficiente.   A data de nascimento da teoria subjetiva moderna coincidiu com a fundação da Associação para a Política Social.   Desde então, a economia e a política social vivem em confronto permanente.   Os cientistas sociais, que nem mesmo conhecem a fundamentação do sistema teórico, não observaram o importante desenvolvimento do conhecimento teórico nas últimas décadas.   Sempre que procuraram abordar o assunto criticamente não conseguiram ir além dos velhos erros, já inteiramente analisados por Menger e Böhm-Bawerk.

Nada disso, porém, enfraqueceu a ideologia socialista e sindicalista.   Hoje, esta ideologia exerce sobre as pessoas um domínio maior do que nunca.   Os grandes acontecimentos políticos e econômicos dos últimos anos estão sendo vistos, quase que exclusivamente, desse ponto de vista, embora, naturalmente, haja exceção.   O que Cassau disse sobre a ideologia do socialismo proletário aplica-se, também, à dos Socialistas de Cátedra.   Todas as experiências dessa última década “passaram pela ideologia sem influenciá-la.   Nunca ela teve mais oportunidade de expansão, e dificilmente foi tão estéril quanto durante os debates sobre socialização” [57].   A ideologia é estéril e, contudo, é predominante.   Mesmo na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, o liberalismo clássico está perdendo terreno a cada dia.   Certamente existem diferenças características entre os ensinamentos do estatismo e do marxismo na Alemanha, de um lado, e os da nova doutrina de salvação nos Estados Unidos do outro.   A fraseologia dos americanos é mais cuidadosamente escolhida que a de Schmoller, Held ou Brentano.   Contudo, as aspirações dos americanos, basicamente, coincidem com as doutrinas dos Socialistas de Cátedra.   Eles também partilham do equívoco de que estão defendendo a ordem da sociedade privada.

Quando, no todo, o socialismo e o sindicalismo se encontram em estado de estagnação, quando notamos que há algum recuo na caminhada para o socialismo, e quando se pensa numa limitação de força dos sindicatos trabalhistas, não se pode dar crédito à percepção científica da economia nem à sociologia dominante.   Em todo o mundo, apenas algumas dezenas de pessoas são competentes em economia, e nenhum chefe de estado ou político se preocupa com isso.   A ideologia social, mesmo a dos partidos políticos que se classificam partidos de “classe média”, é inteiramente socialista, estatista ou sindicalista.   Se o socialismo e o sindicalismo estão em declínio, embora, a ideologia dominante esteja exigindo maior progresso, deve-se exclusivamente ao visível declínio na produtividade do trabalho, em consequência de medidas restritivas.   Sob o domínio das ideologias socialistas, todos procuram desculpas para o fracasso e não para as causas desse fracasso.   O resultado prático, entretanto, tem sido maior prudência na política econômica.

A política não ousa apresentar o que a ideologia dominante pede, porque subconscientemente perdeu a confiança nesta ideologia, em decorrência de amargas experiências anteriores.   Nessa situação, entretanto, ninguém está pensando em substituir essa ideologia obviamente inútil.   Não se espera ajuda da razão.   Alguns procuram refúgio no misticismo; outros colocam suas esperanças na vinda do “homem forte”—o tirano que pensará por todos e cuidará de todos.

 

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Notas

[1] Zeitschrift Für die Gesamte Staatswissenschaft (Revista de todas as ciências sociais), vol. 81, 1926.

[2] Volkswirtschaftslehre der Gegenwan in Selbstdarstellung (Economia contemporânea numa autobiografia), editada pelo Doutor Félix Meirter, vol. I, Leipzig, 1924, p. 1113.

[3] N. T.: Katheder-sozialisten.

[4] Die Entwicklung dei deutschen Volkswiríschaftstehre im 19, Jahrhundert (O desenvolvimento da economia alemã durante o século XIX), Leipzig, 1908, dois volumes.

[5]Ibid., vol. 1, p. VIII.

[6] Bernhard. “Der Arbeitslohn” (Salários) in, Ibid., vol. I, XI, p. II et seq.

[7] Festgabe für Lujo Brentano: Die Wirtschaffswissenschaft nach dem Kriege (Economia no pós-guerra), Twenty-nine Contributions to the State of German and Foreign Research after the War; vol. T, Economic ideologies: vol. II—The Situation in Research, editado por M. J. Bonn e Palyi, Munique e Leipzig, -1925.Abaixo, faço citações destas contribuições, indicando nos rodapés: autor, volume e número de página.

 [8] O sindicalismo como ideal social não deve ser confundido com sindicalismo como -tática; As táticas sindicalistas específicas (a action directe dos sindicalistas franceses) podem também servir a outras ideologias. Por exemplo, elas podem ser usadas para a efetivação do socialismo.

[9] Também na reestruturação da sociedade de Othmar Spann. Der Wahre Staat (O estado verdadeiro), Leipzig, 1921, p. 249. Cf. Honigheim, Romantische und religiö = mystisch verankerte Wirlschaftsgesinnungen(Opiniões econômicas românticas e de fundamentos místico-religiosos), vol. I, p. 264,

[10] Ver Philip von Armin, Ideen zu ciner vollständigen Landwirtschaftlichen Buchhaltung (Ideias sobre contabilidade agrícola completa), 1805, citada por Waltz, Vom Reinerirag, in der Landwirischaft (Sobre o retorno líquido na agricultura), Stuttgart e Berlim. 1904, p. 21.

 [11] Knapp, Die Landarbeiter in Knechtschafl und Freiheit (Trabalhadores agrícolas em escravidão e liberdade) 2.a ed., Leipzig, 1909, p. 86; agora também em Einfübrung in einige Hauptfragen der Nationulökonomie (introdução e algumas questões fundamentais da economia), Munique e Leipzig, 1925, p. 1922.

 [12] Brentano, Ist das System Brentano tusaummengebrochen?  (O sistema de Brentano desmoronou?), Berlim, 1918, p. 14 et seg.

[13] Herkner, “Socialpolitischer Liberalismus” (Liberalismo social), vol. I, p. 41.

[14]Ibid., vol. í, p, 43.

[15] Ibid., p. 44.

[16]Ibid., p. 49.

[17] Zwiedineck-Siidenhorst, “Zur Eigentums-und Produktíonsverfassung” (Da organização da propriedade e da produção), vol., TI, p. 447.

[18] Herkner, vol. I, p. 49.

[19] lbid., p. 39

[20] lbid., p. 47.

[21] Brentano, op. cit., p. 19.

[22] Ver Herkner, vol., I, p. 38; Wiese, “Gibt es noch Liberalismus?” (Ainda há liberalismo?), vol. I, p. 22.

[23] Ver Passow, Kapitalismus (Capitalismo), Iena, 1918, p. 1 et seg.

[24] lbid., p. 132 et seq.

[25] Ver a obra Gemeinwirstschaft, de minha autoria, Iena, 1922, p. 110 et seq. (Edição em língua inglesa:Socialism (Londres: Jonathan Cape, 1936), IR. 1:11 et seq.).

[26] Wiese, op. eis., vol. I, p. 23.

[27] lbid.,

[28] Ibid., p. 16.

[29] Möeller, “Zur Erage der ‘Objectivitat’ des wirtschaftlichen Prinzips”. (Sobre a “objetividade” dos princípios econômicos), Archives for Social Science, vol. 47, p. 163.

[30] Zwiedincck-Sudenhorst, op. cit., vol. III,p, 4420 et seq.

[31] Ver Zwiedineck-Sudenhorst, “Macht oder ökonomisches Gesetz” (Controle ou lei econômica), in Yearbook, de Schmoller, ano 49, p. 273-92.

[32] Bagehot, “The postulates of English Political Economy” in Wolks, editado por Russel Barrington, Londres, 1915, vol. VII, p. 100-04.

 [33] Löwe, “Der gegenwartige Stand der Konjunkturforschung in Deutschland” (O estado atual da pesquisa do ciclo econômica na Alemanha), vol. II, p. 365 et seg.

 [34] Bonn, “Geleitwort: Lujo Brentano ais Wirtschaftspolitiker” (Prefácio: Lujo Brentano como político econômico), vol. I, p. 4.

[35] Ver Brentano, Agrarpolitík (Política agrícola), Sluttgart, 1897, p. 60 et seq., 83 et seq.

[36] Brentano, Konkrete G lundbedingungen der Volkswirtschaft (Condições concretas da economia), Leipzig, 1924, p. 113.

 [37] V. Totomianz, Geschichte der Nationalökonomie und des Socialismus (História da economia e do socialismo), Iena, 1925, p. 152. Mesmo se desprezarmos essa critica de Böhm-Bawerk, o empenho de Totomianz é inteiramente insatisfatório e equivocado. Ele afirma, por exemplo, na p. 146: “Enquanto o empreendimento de Menger visava principalmente o desenvolvimento de uma nova metodologia, os dois outros representantes da Escola Austríaca, Böhm-Bawerk e Wieser, construíram uma teoria inteligente de valor psicológico”. Dessa afirmação, devemos concluir que Menger contribuiu menos para o desenvolvimento da nova teoria de valor do que Böhm-Bawerk e Wieser, o que não é de forma alguma verdadeiro. Totomianz introduz seu trabalho sobre a teoria utilitarista marginal com a seguinte afirmação: “A economia consiste em bens de consumo. ‘Esses bens, de certa forma, relacionam-se com o bem-estar do homem. Essa relação está expressa em dois graus ou estágios diferentes: o inferior e o superior. Estamos utilizando o estágio superior, quando o bem econômico não é apenas útil, mas também necessário ao bem-estar, de modo que sua posse ou perda implique uma perda de consumo ou de prazer”. Sua análise sobre outros economistas não é melhor. Como não leio russo, não posso determinar se este contrassenso é da responsabilidade do original russo ou da tradução para o alemão.

[38]Ibid., p. 7 et seq.

 [39] Ver Herkner, Die Geschichte der Natilionatökonomie, Festschrift für Lujo Brentano zum siebzigsten Geburlstag (História da economia, Festschrifí para Lujo Brentano em honra do seu septuagésimo aniversário), Munique e Leipzig, 1916, p. 223-35.

[40] O grifo é meu. Brentano, “Uber den grundherrilichen Charakter des hausindustriellen Leinengewerbes in Schlesien” (Sobre o caráter da indústria artesanal de linha na Silésia), Journal for Social and Economic History, vol. I. 1983, p. 319 et seq.

[41] Ibid.,p. 322.

[42] Marx não percebeu que, adotando o Princípio Bancário, reconhecia o fundamento em que se baseavam as ideias de banco de operações cambiais de Proudhon. Marx não tinha uma noção bastante clara de operações bancárias. Muitas vezes ele adotou, sem qualquer objeção, as ideias dos teóricos bancários. Pelas poucas observações que colocou nas citações, evidencia-se que ele entendia muito pouco de problemas tais como, o caráter católico do sistema monetário e o caráter protestante do sistema de crédito (Das Kapital,vol. III, parte II, 3.a ed. Hamburgo, 1911 p. 132). Ainda mais característica é uma outra observação que se relaciona com o fundamento básico do Princípio Bancário de que a “emissão de uma determinada quantidade de notas de uma libra substitui uma quantidade igual de soberanos”. De acordo com Marx, “um passe de mágica bem conhecido de todos os bancos!’ Ibid., vol. I, 7 ed., Hamburgo, 1914, p. 84. Qual a finalidade desse “passe de mágica”?” Os bancos não estavam interessados em atrair soberanos pela emissão de notas. Estavam interessados, apenas, em conceder mais créditos pela emissão de mais notas e, com isto, elevar sua renda de juros. Este “passe de mágica”, bem conhecido dos bancos, não correspondia, todavia, ao mencionado por Marx.

[43] Palyi, “Ungelöste Fragen der Geldtheorie” (Questões não resolvidas da teoria monetária), vol. II, p. 514.

 [44] Apenas súditos têm “interesses particulares” egoístas e não sabem o que é bom para eles. Funcionários do governo e “o soberano” são sempre altruístas e sábios.

[45] Ver Pohle, Die gegenwärtige Krisis in der deutschen Volkswirtsbaftslehre (A crise contemporânea na economia alemã), 2,a ed., Leipzig, 1921, p. 29 et seq.

[46] Ver Adolf Weber, Der Kampf zwischen Kapital und Arbeit (A luta entre capital e trabalho), 2.a ed., Tubingen, 1920, .p. 411 et seq.

[47] Böhm-Bawerk, “Macht oder ökonomisches Gesetz” (Controle ou lei econômica), Collected Works, editado por Weiss, Viena, 1924, p. 230 et seq, (Edição em língua inglesa: Shorter Classics, of Böhm-Bawerk, (South Holland, III: Libertarian Press, 1962), vol. I, p. 139 et seq.).

 [48] Cassau, Die sozialistische Ideenwclt vor und nach dem Kriege. (O universo socialista de ideias antes e depois da guerra), vol. T. p. 136.

[49] Ver Weber, op. cit., p. 405.

 [50] Sidney Webb, Die historische Entwicklung (Desenvolvimento histórico), editado por Grunwald, Leipzig, 1897, p. 44.

 [51] Sombart, “Ideale der Sozialpolitik” (Ideias de política social) Archives for Social Legislation and Statistics, vol. X, p. 8 et seq.

 [52] Ver Amonn, “Der Begriff der Sozialpolitik” (O conceito de política social) in Schmoller, Yearbook, ano 48, 1924, p. 160 et seq.

[53] É sintomático que a Escola Histórica, que, sob outras circunstâncias, conhece apenas categorias históricas, .procure definir o conceito de política social de modo a poder referir-se também, à antiga política social babilônica e asteca.

[54] Ver Pribram, “Die Wandlungen des Begriffes der Sozialpolitik” (As mudanças no conceito de política social), vol. II, p. 249.

[55] Marianne Weber recorda-se do tempo de seu marido em Freiburg. “Ele relata, exagerando de propósito, que está ouvindo grandes conferências sobre economia, dadas por ele mesmo”. Marianne Weber, Max Weber. Ein Lebensbild (Max Weber: uma biografia), Tubingen, 1926, p. 21-3.

[56] Ver Wilbrandt, “Kritisches zu Max Webers Soziologie der Wirtschaft” (Sobre a critica da sociologia econômica de Weber), Cologne Quartely for sociology, ano 5, p. 171 et seq…: Spann, “Bemer-kunger zu Max Webers Sociologie” (Observações sobre a sociologia de Max Weber), Zeitschrift für Volkswirtsvhaft und Sozialpolitik (Revista de economia e política social), nova série, vol. III, p. 761 et seq.

[57] Cassau, op. cit., vol. I, p. 152.

 

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Ludwig von Mises foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de 'praxeologia'.