Uma organização criminosa chamada ANVISA

0

vaporNo dia 5 de março de 2009 efetuei uma compra on-line em uma loja situada nos EUA.  Adquiri os produtos Nano Vapor, 3 lbs, sabor laranja e Syntha-6 Protein, 2.91 lbs, sabor baunilha. Preço total mais taxa de entrega, aproximadamente US$ 100,00.  Trata-se de dois suplementos alimentares para prática desportiva e aumento de desempenho e massa muscular.

Ao se aproximar da data prevista para a entrega, comecei a checar ansioso diariamente se minha mercadoria havia sido entregue.

Eis que um belo dia, ao invés de receber aquilo que havia comprado, chegou em minha residência um telegrama — minha entrega havia sido extraviada no meio do caminho, e o grupo que havia praticado este seqüestro de minha propriedade fazia uma série de exigências para que ela pudesse ser liberada.

Segue abaixo o conteúdo deste telegrama e, na seqüência, da carta que enviei em resposta:

 

———————————————————————————————————-

Foi destinada a V.Sª., através de remessa postal, Encomenda Internacional que, em virtude de seu conteúdo, foi inspecionada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.

Para sua liberação, conforme Regulamento Técnico de Vigilância Sanitária de Mercadorias Importadas- Resolução RDC nº 81/08 é necessário que V.Sª. envie para ANVISA a seguinte documentação:

– Receita emitida por profissional médico contendo:

1) Nome e Endereço completo do paciente, Posologia ou Modo de Uso do produto com indicação da periodicidade do tratamento;

2) Data e assinatura do profissional, seu domicílio ou endereço profissional, e número de inscrição do profissional prescritor no seu respectivo Conselho Profissional.

Esclarecemos que até o momento não foram aprovados registros de alimentos (produtos acabados) contendo a substância “creatina”, tendo em vista a não comprovação de eficácia e segurança de uso, portanto, é proibida a comercialização de produtos contendo essa substância, pois não possuem registro na ANVISA.  Na importação por pessoa física, destinada, exclusivamente para uso próprio ou individual, com receituário médico, é de total responsabilidade do profissional médico a prescrição de produtos ou substâncias ainda não aprovados por esta instituição, podendo esse responder por qualquer dano ocorrido ao paciente, conforme penalidades previstas pelos Conselhos de Medicina.

Obs. A receita ficará retida.

Informamos que a ANVISA não possui atendimento presencial nas Agências dos Correios.  Desta forma, a entrega dos documentos acima mencionados deverá ser feita via postal, acompanhada de uma cópia deste telegrama, endereçada para:

À Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Caixa Postal 66.300

CEP 05314-970

São Paulo-SP

DOCUMENTOS ENCAMINHADOS POR FAX E SUAS CÓPIAS, BEM COMO E-MAIL  NÃO SERÃO ACEITOS.

Havendo a liberação da remessa pela ANVISA, a encomenda será submetida aos procedimentos de desembaraço aduaneiro junto à Secretaria da Receita Federal.

Caso a documentação enviada por V.Sª. não atenda às exigências sanitárias, a ANVISA enviará um novo telegrama com orientações.

Importante: o prazo para cumprimento das exigências sanitárias será de 30 dias, ou seja, até 26/04/2009.

Caso haja necessidade da prorrogação do prazo, ou, não havendo interesse de V.Sª. no prosseguimento do Processo de Importação e deseje que a remessa postal internacional seja devolvida à origem, poderá efetuar a solicitação à ECT através do e-mail: [email protected]

Findo o prazo acima mencionado e, não havendo o cumprimento das exigências sanitárias, a remessa postal internacional, conforme legislação postal será devolvida ao Correio de origem.

                          ——————————————————————————————————-

Sr. Ladrão,

Não o conheço, e nem pretendo, por isso não sei seu nome e me refiro a sua pessoa de acordo com sua atitude. Você está roubando minha propriedade, portanto é mais do que adequado ser chamado de ladrão.

Você exige que eu lhe entregue uma receita médica que prescreva a substância creatina, mas lhe digo que não tenho esta receita e nem pretendo obter.  Não considero necessária.  Você diz que o médico que emitisse a receita seria o responsável pela prescrição do produto, mas lhe digo que sou um indivíduo adulto, responsável por meus atos e escolhas, e eu mesmo me responsabilizo por qualquer efeito que esta substância possa causar.

Você me impõe com a força de sua arma este procedimento alegando que a substância creatina não teve sua eficácia comprovada pela ANVISA, mas eu jamais me filiei a esta tal de ANVISA, não conheço e nem quero conhecer quais são seus procedimentos e motivações, e não subordino minhas escolhas à opinião deste grupo. Não pedi e nem quero ter a aprovação ou reprovação daquilo que escolho livremente para meu próprio consumo por parte desta ANVISA.  É incrível que tenha que dizer isto, mas o meu corpo é minha propriedade inalienável, e ninguém a não ser eu mesmo pode decidir o que eu consumo ou deixo de consumir.

Isto não lhe diz respeito, mas morei nos EUA ano passado e comprei em uma loja e usei este produto, que ao contrário daqui é vendido e comprado livremente, e já comprovei sua eficácia e segurança de uso, mas mesmo que não tivesse ocorrido este teste empírico pessoal, lhe pergunto: com que direito você impede a comercialização de algo que eu queira comprar?  Não sou uma criança e você e esta ANVISA não são minha babá e nem meus pais.  Reitero, sou um adulto, e não escolhi vocês para serem meus médicos.  E mesmo que tivesse escolhido, o médico poderia no máximo recomendar ou contra-indicar o uso de uma substância, ele jamais poderia pegar um revólver e impedir através da ameaça a minha vida que eu comprasse e usasse a substância. Ele jamais poderia interceptar um produto contendo esta substância, que fosse minha propriedade, adquirida voluntariamente de um vendedor também voluntário.  Se assim o fizesse, ele seria um ladrão.  E vocês ainda praticam este roubo falando em nome de minha “segurança”! Pois bem, quem irá me dar segurança contra este roubo?  Isto sim que eu gostaria de saber.

Mas o que sei é que foi você quem interceptou minha mercadoria, e é a você que solicito que faça justiça, reparando este mal.  Peço que tire suas mãos de minha propriedade e não leve adiante este roubo.  Eu adquiri estes produtos de uma loja, que o comprou de um fabricante.  Eu paguei com meu dinheiro, fruto do meu trabalho, eles são minha propriedade.  Paguei pelos produtos e pelo serviço de entrega.  Portanto, saia do caminho e cuide de sua própria vida, deixando que eu siga cuidando da minha.  Respeite a vida dos outros, a propriedade privada dos outros e a propriedade sobre o próprio corpo dos outros. Só isso que lhe peço.  Espero nunca mais ter que entrar em contato com você.

Luis Almeida

———————————————————————————————————-

Infelizmente meu apelo à moralidade do responsável direto por este roubo não surtiu o efeito desejado. Ao invés de receber minha propriedade, recebi outro telegrama, dizendo praticamente as mesmas coisas que dizia o primeiro, explicando um pouco mais detalhadamente os procedimentos que o grupo seguiu, como se eu não tivesse entendido aquilo que estava no primeiro telegrama ou como se eu tivesse qualquer interesse em conhecê-los mais à fundo.  Continuo sem minha propriedade, que foi impedida por homens armados de chegar até mim.  E esta sociedade extremamente doente em que vivemos permite que este crime ocorra livremente. Até quando?

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.