5 — Ciência Soviética

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A ciência “planejada” parece impressionante. Na verdade, significa ciência proscrita, onde nenhum cientista pode seguir o exemplo de suas próprias ideias criativas. Temos ouvido recentemente muito sobre as alegadas glórias da ciência soviética e sobre a necessidade de os Estados Unidos alcançarem maravilhas como os sputniks. Qual é o verdadeiro registro da ciência soviética? O professor Baker, analisando esse registro, mostra que, nos primórdios da União Soviética, os velhos cientistas pré-revolucionários continuavam se saindo bem, em grande parte porque a ciência ainda não estava sob o planejamento do governo. Isso veio com o Segundo Plano Quinquenal, em 1932. O Plano apresentava temas muito amplos para investigação, mas, pela natureza de tal plano, muitas áreas importantes foram excluídas da agenda exigida. “Pegue quase qualquer ramo da ciência biológica não revolucionária em que descobertas notáveis ​​foram feitas no mundo exterior durante os anos do plano, e é provável que você descubra que todo o assunto foi excluído do estudo.”[1]

Por exemplo; o estudo dos hormônios e da genética. A controvérsia de Lysenko, o uso do Estado para erradicar a ciência da genética na Rússia Soviética e a distorção compulsória da verdade pelo Estado Soviético para se adequar aos mitos ideológicos de seus governantes são bem conhecidos, mas impossível deixar de enfatizá-los. É importante perceber que não é simplesmente porque os líderes soviéticos ou nazistas eram homens particularmente perversos que eles tentaram impedir ou paralisar o impulso da ciência pela verdade, mas porque tais ações são inerentes à própria natureza do estatismo e do planejamento central. O poder e sua promoção, o avanço da ideologia do poder, tornam-se a meta social mais elevada, diante da qual toda verdade, toda integridade devem ceder.

O controle governamental da ciência, o planejamento governamental da ciência, estão fadados a resultar na politização da ciência, na substituição de objetivos e critérios políticos por objetivos científicos. Mesmo cientistas pró-soviéticos admitiram que a pesquisa soviética é inferior à americana, que a pesquisa básica, em contraste com a aplicada, é negligenciada; que há muita burocracia; que pouco trabalho fundamentalmente criativo foi feito; e que a ciência é indevidamente governada por considerações políticas – como as visões políticas do cientista que propõe qualquer teoria. Cientistas são fuzilados por assumirem uma posição que é desfavorável à política. E, como Baker conclui: “Se a seleção de pessoal científico for deixada para o Estado, os errados provavelmente receberão cargos importantes, porque aqueles que não são cientistas serão iludidos por […] falsas afirmações e enganos […] (e) os cientistas talvez demonstrem uma obediência servil a seus chefes políticos.”[2]

Não admira que em uma lista, elaborada por sete cientistas, das duas dezenas de descobertas científicas mais importantes feitas entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, nenhuma tenha vindo da URSS.

No seguimento de seu livro anterior, o Dr. Baker reafirmou recentemente essas conclusões. Ele descreve ainda a erradicação forçada da ciência genética na Rússia. Ele também deprecia os tão elogiados sputniks.[3] Em primeiro lugar, se alguém começa com um determinado fim, e o conhecimento de como chegar lá já foi alcançado, pode-se chegar ao fim na proporção dos recursos que está disposto a investir no empreendimento – tudo isso então torna-se um problema puramente de engenharia e econômico, ao invés de um problema de pesquisa científica, onde fins ou meios ainda não são conhecidos.[4] Se, por algum propósito militar ou propagandista, fosse desejável fazer um buraco muito profundo em direção ao centro da terra, os buracos mais profundos provavelmente seriam feitos por qualquer nação que decidisse dedicar a maior quantia de dinheiro ao projeto. O mesmo princípio se aplica aos sputniks.[5] E, mesmo assim, Baker aponta, os satélites americanos têm instrumentação muito superior e, portanto, são muito mais importantes cientificamente.

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Notas

[1] Baker, Science and the Planned State, pp. 66 ff.

[2] Ibid., Pp. 75-76.

[3] John R. Baker, Science and the Sputniks (Londres: Society for Freedom in Science, dezembro de 1958.) Ver também Dr. Conway Zirkle, Death of a Science in Russia (Philadelphia, 1949).

[4] Baker, Science and the Sputniks, p. 1

[5] Ibid.