A mentalidade socialista é, por definição, uma mentalidade escravagista

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O socialismo político é um projeto de escravidão. Não pretende ser nenhuma outra coisa além disso. Toda a teoria socialista existe com a função primordial de enganar os indivíduos, e fazer a doutrina parecer o que ela não é, um projeto de sociedade livre, harmoniosa e coesa, onde todos são realizados e felizes. O socialismo na prática é um projeto de escravidão nefasto, e existe com o propósito de subjugar seres humanos.

Em decorrência de sua diretriz despótica totalmente centralizadora, o principal objetivo do socialismo é erradicar em definitivo a liberdade, a autonomia e a independência dos indivíduos. Esses três elementos são os maiores obstáculos para a imposição do socialismo. Portanto, constituem um anátema para a doutrina socialista.

Por essa razão, eliminar esses três elementos dos quais dependem todas as virtudes e iniciativas individuais é fundamental para o estabelecimento da utopia. Enquanto os indivíduos forem senhores de si — e essas três virtudes imperarem na sociedade de forma resoluta —, o socialismo não poderá ser estabelecido.

Esses três elementos, portanto, constituem, em seu conjunto, um obstáculo feroz para a doutrina socialista. A eliminação sumária destes — que só pode ser executada através de agressão direta praticada contra todos os integrantes da sociedade produtiva —, se faz extremamente necessária para que o socialismo possa triunfar.

Afinal, se deixados livres para agirem de acordo com as suas disposições, objetivos e propósitos pessoais, os indivíduos não apenas mostrarão que não precisam de um comando central que guie suas vidas, como poderão torná-lo desnecessário e obsoleto — portanto descartável — através de suas ações, projetos e empreendimentos. E é exatamente isso que os indivíduos fazem, quando são deixados livres para agirem de acordo com suas predisposições naturais. Eles mostram efetivamente que podem estar no controle de suas próprias vidas, e que não necessitam de um corpo de burocratas para guiá-los ou conduzi-los em absolutamente nada.

Para permanecer relevante, portanto, a doutrina socialista não pode permitir que os indivíduos coloquem em ação seus projetos e suas soluções para os problemas, necessidades e demandas da sociedade. Muito pelo contrário, o estado e a burocracia governamental irão colocar um considerável número de obstáculos e dificuldades diante de todos os cidadãos produtivos, para impedir deliberadamente que eles obtenham êxito em suas atividades. Assim, todos dependerão do estado para tudo, e o estado vai ficar parecendo uma entidade grandiosa e benevolente, pois se consolidou como o único benfeitor de toda a sociedade.

Consequentemente, o estado estabelece o seu monopólio sobre toda a sociedade, e então passa a ser visto pelos cidadãos doutrinados como a solução para todos os problemas, visto que o estado impede que as soluções alternativas provenientes dos indivíduos e do mercado sejam executadas e oferecidas.

Se analisarmos toda a teoria socialista — e nem precisa ser toda ela, uma pequena parte já é suficiente —, percebemos a enorme importância que a burocracia estatal desempenha para o projeto de sociedade proposto pela doutrina; que é proporcional à insignificância e a irrelevância do indivíduo. Como a doutrina socialista enxerga o indivíduo simplesmente como uma ferramenta impessoal, completamente destituída de vontade própria, que deve estar inteiramente a serviço do estado e do partido, sendo devidamente educado e doutrinado para essa finalidade, podemos afirmar categoricamente que o socialismo é, para além de qualquer dúvida, um insólito e inflexível projeto de escravidão.

A escravidão socialista, no entanto, tem duas fases distintas. Antes que o estado totalitário seja estabelecido, a escravidão mental é difundida por meio da teoria política. A teoria ensina os indivíduos que eles devem desejar depender do estado socialista, porque o estado cuidará de todas as necessidades deles.

Depois que a malévola e opressiva “escravidão” capitalista for suplantada — o que no mundo real é simplesmente o exercício do esforço produtivo dos indivíduos no mercado, que trocam a sua força de trabalho por um salário em uma empresa —, o paraíso socialista que cuidará “de cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual segundo suas necessidades” será finalmente estabelecido.

Depois que os socialistas conquistam o poder político, começa a segunda fase da escravidão socialista, que deixa de ser apenas mental, e passa a ser também física, quando o objetivo político é efetivamente consolidado. Nesse estágio, todos aqueles que ainda não foram escravizados mentalmente pela doutrina serão subjugados pelo estado totalitário.

O que o socialismo faz, na verdade, é vilanizar e vilipendiar o trabalho comum, fazendo-o parecer um sistema de exploração degradante — portanto, sua doutrina promete a seus adeptos um paraíso utópico, onde todos poderão usufruir de tudo, sem fazer qualquer esforço.

Evidentemente, existe um problema nefasto nessa promessa. Se ninguém irá produzir nada, como as pessoas terão alimentos para consumir, roupas para vestir e carros para dirigir? Como o socialismo não obedece a qualquer lógica coesa e racional — e na verdade nem precisa, pois o seu objetivo é simplesmente doutrinar e formar idiotas úteis —, a teoria ideológica nem se preocupa em responder questões dessa natureza. Nas raras ocasiões em que tenta responder, não se preocupa em fazê-lo de uma forma consistente, pragmática, racional ou compatível com as demandas da realidade objetiva.

Em decorrência da enorme distorção semântica que aplica em sua doutrina, no entanto — concebida justamente para enganar idiotas úteis com baixas capacidades intelectuais, tendo por objetivo convertê-los em militantes a serviço de projetos de poder —, a doutrina socialista se propõe a enganar os seus entusiastas, passando a eles a impressão de que serão libertados de alguma coisa extremamente terrível e malévola, que os escraviza com opressiva e tirânica crueldade, mas que nem eles próprios saberiam definir o que é, se a doutrina socialista não apontasse isso com uma insistência paulatinamente exaustiva: o capitalismo.

Ou seja, todos os inúteis e volumosos trabalhos teóricos do socialismo existem para transmitir aos seus adeptos exatamente a mesma mensagem: a necessidade de libertar a sociedade da “escravidão” do capitalismo.

Alegando que os indivíduos são oprimidos pela ação humana existente no mercado, a doutrina socialista alega que a classe proletária oprimida deve se insurgir, para sair de sua condição de escrava dos capitalistas opressores. Ou seja, como doutrina, o socialismo alimenta a ilusão de que os cidadãos podem se libertar da “escravidão” do capitalismo e do mercado, se eles lutarem por um estado onipotente que acabe com esses perigosos inimigos da civilização e da humanidade.

Mas é justamente nesse ponto que o socialismo mostra mais uma de suas dramáticas inconsistências. O capitalismo — o verdadeiro capitalismo, de livre mercado, efetivamente laissez-faire — não é exatamente um sistema, mas sua força imperativa deriva seus axiomas justamente pela ausência de um. O capitalismo é o que nasce e impera em uma sociedade genuinamente livre, onde os indivíduos colaboram voluntariamente, cada um para satisfazer as suas próprias necessidades, seja manter uma empresa em atividade ou trocar a sua mão de obra por um salário. Ou seja, o capitalismo não é propriamente um sistema, ele é a consequência natural de uma sociedade livre.

É exatamente assim que deveria funcionar a economia em qualquer lugar do mundo: de forma totalmente orgânica, descentralizada e livre, sem um agente central que impõe regras despóticas e arbitrárias sobre os indivíduos, as empresas e as companhias que compõem a sociedade humana.

A economia é simplesmente o conjunto de indivíduos agindo de acordo com as suas próprias ideias, objetivos, disposições e necessidades, de forma totalmente voluntária. Não deveria existir um controle central absoluto e onipotente que comanda essa estrutura, que — em sua plenitude mais ética — é orgânica e descentralizada. O socialismo, no entanto, distorce a ordem natural, afirmando exatamente o contrário.

De acordo com a doutrina socialista, esse cenário é o eixo axial da exploração econômica, pois patrões, proprietários e empresários exploram seus empregados; portanto, deve haver um estado totalmente altruísta, abnegado, virtuoso e justo que agirá como um protetor benevolente, disposto a resguardar os interesses dos trabalhadores.

Nesse ponto, a doutrina socialista comete outra grave distorção, pois empresários e trabalhadores na verdade não estão em oposição uns aos outros. Ambos são parte integrante da sociedade produtiva, e ambos são brutalmente extorquidos pelo estado. Evidentemente, o socialismo omite essa verdade fundamental, porque — ao invés de mostrar o estado por aquilo que ele realmente é, um bandido estacionário —, a doutrina socialista precisa mostrar o estado como um benfeitor gentil, solidário, abnegado e preocupado, que se apresenta como a solução infalível para um suposto problema.

O socialismo, portanto, manipula os indivíduos, fazendo-os pensar que estão sendo explorados por quem na verdade os ajuda a sobreviver. Como é uma doutrina que não tem ética nem lógica, no entanto, é bastante comum que a ideologia socialista distorça a realidade objetiva na tentativa de estabelecer sua doutrina como uma verdade absoluta.

O socialismo faz isso porque pretende doutrinar idiotas úteis, que mais tarde servirão de massa de manobra para um grupo de psicopatas — normalmente agregados em um partido ou coalizão — desesperados para conquistar o poder político. A retórica de opressão capitalista, proteção aos trabalhadores e a consolidação de um estado proletário existe apenas porque aspirantes a ditadores precisam de um pretexto para justificar sua necessidade de chegar ao poder. Lá chegando, eles irão escravizar e posteriormente eliminar todos os idiotas úteis que os ajudaram a conquistar o poder político. As experiências socialistas históricas, das mais conhecidas, como Cuba e Venezuela, até as menos conhecidas, como Etiópia e Somália, mostraram que foi exatamente assim que aconteceu.

O marxismo — que é simplesmente a forma mais radical de socialismo — nunca foi uma filosofia política séria. Na verdade, é necessário ter capacidades cognitivas bem reduzidas para acreditar na falácia marxista. Como o economista Jesús Huerta de Soto falou, “o marxismo é a maior fraude intelectual na história do pensamento humano”.

Além do mais, nunca serviu para nada, a não ser como prerrogativa para se conquistar o poder político. Como Thomas Sowell escreveu, “o marxismo foi — e continua sendo — um poderoso instrumento para a aquisição e a manutenção do poder político”.

O que o socialismo faz, portanto, é promover uma vulgar e irracional inversão de valores, através de um sofisticado trabalho de deturpação semântica (a mesma estratégia é aplicada pelo keynesianismo). A doutrina critica a liberdade, e afirma que ela é opressiva, e como solução propõe o estabelecimento de um governo totalitário, que irá “libertar” as pessoas da opressão do capitalismo (o organograma econômico mais próximo da ordem natural, que é simplesmente a soma dos esforços produtivos reunidos para alocar recursos escassos de forma racional). O que o socialismo propõe, portanto, é uma fantasia insana completamente destituída de lógica.

Por essa razão, é fundamental sofrer de um incomensurável grau de ignorância e irracionalidade econômica para acreditar na doutrina socialista, porque ela simplesmente não faz sentido, e não tem como funcionar. É impossível que ela produza resultados diferentes do que tem produzido, desde que foi implantada pela primeira vez, e reproduzida nas experiências históricas posteriores. O socialismo sempre será o vetor político do caos, da violência, do genocídio, da inanição e de carnificinas famélicas, para citar apenas alguns dos seus sintomas mais deploráveis.

O socialismo, portanto, fornece aos seus adeptos a ilusão de que eles podem se libertar da “escravidão” do capitalismo e do mercado, se eles lutarem por um estado onipotente que acabe com esses perigosos inimigos da civilização e da humanidade. Uma proposta que, evidentemente, não faz o menor sentido do ponto de vista racional.

Assim sendo, concluímos que o socialismo, para existir, requer necessariamente a escravização mental de uma grande legião de idiotas úteis — a serem devidamente doutrinados —, sem os quais a ideologia não teria legitimidade popular. Políticos necessitam constantemente de vítimas para defender; portanto, precisam a todo momento criar ameaças e inimigos na tentativa de justificar porque apenas a benevolência, a retidão e a justiça deles é capaz de salvar a sociedade.

Como a maioria das pessoas que integram a sociedade humana é, lamentavelmente, constituída por idiotas que possuem baixo Q.I. e limitadas capacidades cognitivas, o discurso socialista — apesar de atentar de forma brutal contra a lógica e a racionalidade — consegue triunfar e encontrar adeptos totalmente dispostos a serem subjugados por projetos de poder, disfarçados de salvação e redenção populares.

A doutrinação faz a servidão não se parecer em nada com escravidão, pois o militante doutrinado aprende que o objetivo do socialismo é libertar a sociedade de um sistema injusto e opressivo. O estado onipotente, portanto, irá “libertá-lo” e “protegê-lo” de todas as agruras e injustiças perpetradas pelo injusto e opressivo sistema capitalista.

Como o militante tem suas faculdades mentais arruinadas e destruídas pela doutrinação sistemática, ele é naturalmente incapaz de perceber que no mundo real a tirania nunca vem do mercado, mas do estado. E assim como os indivíduos, o mercado frequentemente é vítima da opressão destrutiva e arbitrária do estado. Em determinados países, como Venezuela, Cuba, Nicarágua — e mais recentemente a Argentina —, o mercado foi destruído de forma tão severa e descomunal pelo intervencionismo estatal que a miséria aumentou de forma exponencial, condenando milhares de pessoas a sofrer com a fome e até mesmo morrer de inanição.

Isso jamais aconteceria em um lugar onde o mercado é deixado livre para agir de acordo com as suas necessidades, onde os agentes produtivos tem liberdade para alocar seus recursos escassos de forma a maximizar a produtividade. Em um sistema de livre mercado, a sociedade não sofre com as dificuldades inerentes ao dirigismo econômico e a um sistema de planejamento central. A fome nunca foi um problema de falta de alimentos ou de anomalias na cadeia de produção, mas sempre foi consequência do intervencionismo brutal de governos que asfixiam a produtividade com regulações, tributação, barreiras tarifárias, cotas, imposições burocráticas e toda a sorte de exigências arbitrárias; o resultado de tais medidas é a estagnação total, e posteriormente, a destruição da cadeia produtiva, que é consequência do colapso econômico provocado pelo intervencionismo.

Ou seja, a destruição do mercado — que é provocada pelo estado — diminui drasticamente a qualidade de vida dos cidadãos, gerando níveis inenarráveis de pobreza. Pobreza, essa, que posteriormente o estado irá afirmar que pretende combater, alegando que sua existência é culpa do mercado. Os cidadãos doutrinados, infelizmente, acreditam em falácias dessa natureza com grande facilidade.

Consequentemente, os cidadãos doutrinados solicitam mais estado, obtusos para o fato de que foi o estado e o intervencionismo governamental implacável que criaram todas as dificuldades das quais a sociedade sofre. Aí voltamos ao ponto inicial, onde tudo começou, nesse círculo nefasto de acontecimentos — que se repete incessantemente —, porque pessoas de baixas capacidades cognitivas tem predisposição em acreditar mais em histriônicas e megalomaníacas ideologias utópicas do que em história, economia, racionalidade e ordem natural.

A militância conclui, portanto, que o capitalismo gerou a pobreza, consequentemente, apenas o socialismo pode criar uma sociedade justa, próspera e livre. Sendo que no decorrer de toda a sua história, o socialismo foi capaz de tudo, menos de produzir no mundo real as fábulas e fantasias prometidas em seu vasto repertório de teoria mundana. Para o socialismo triunfar, portanto, é fundamental que uma expressiva parcela da sociedade sofra de descomunal ignorância sobre história e economia.

Por essa razão, podemos afirmar categoricamente que o socialismo nasce de uma predisposição de cidadãos doutrinados em serem escravos do estado. O pior dessa equação, no entanto, é que socialistas não desejam que apenas eles se tornem escravos, mas a ambição da militância é fazer com que todas as pessoas sejam igualmente submetidas ao projeto de escravidão defendido por eles.

O que essas pessoas são incapazes de perceber é que reivindicar o socialismo é simplesmente defender a estatização absoluta da sociedade. E defender isso é defender a total destruição do mercado e, consequentemente, promover a expansão da pobreza e da miséria em larga escala. Defender o socialismo, consequentemente, é defender a degradação e a mortandade de seres humanos.

Lembremos que na década de 1970, a Venezuela era o quarto país mais rico do mundo. Hoje, depois de duas décadas de “Socialismo do Século XXI”, ela se transformou em um dos países mais miseráveis do globo terrestre. Dentre as inúmeras “conquistas” do socialismo venezuelano, podemos citar que 96% da população está na mais absoluta pobreza, a Venezuela se tornou o segundo país mais violento do mundo, bebês e crianças de todas as idades sofrem de desnutrição crônica, a hiperinflação — que já passou de um milhão por cento —, é uma das mais inacreditáveis da história e toda a população é brutalmente oprimida por uma implacável e cruel ditadura totalitária, cuja única preocupação é se perpetuar no poder.

Invariavelmente, o socialismo sempre consegue se perpetuar porque promete que o Jardim do Éden está logo ali. É só acabar com o capitalismo e colocar graciosos, justos e magnânimos políticos socialistas em posições de poder. Aí estaremos a um passo de deflagrar o paraíso na Terra. O socialismo se perpetua porque psicopatas dispostos a conquistar o poder político encantam através de discursos singelos e graciosos uma turba de indivíduos ignóbeis, terrivelmente ignorantes sobre história e economia.

Por essa razão, podemos afirmar categoricamente que o socialismo — além da ignorância histórica e econômica —, nasce de uma predisposição de cidadãos doutrinados em serem escravos do estado. O pior dessa equação, no entanto, é que socialistas não desejam que apenas eles se tornem escravos, mas a ambição da militância é fazer com que todas as pessoas sejam igualmente submetidas ao projeto de escravidão defendido por eles.

Infelizmente, enquanto existirem pessoas com disposição a serem escravas, o socialismo continuará tentando sujeitar nações e países inteiros à sórdidos projetos de poder despóticos, agressivos e genocidas. Por essa razão, a resistência intransigente contra o pensamento e a doutrina socialista — combinadas a uma inflexível defesa do livre mercado — sempre será fundamental para a manutenção e a proteção da liberdade.