Donuts e circo

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Por muito tempo fiquei me perguntando como tudo isso foi possível: a histeria em massa e o pânico, a obediência à tirania, a aceitação deliberada de lockdowns e outras restrições, o ódio repentino pela liberdade, o medo irracional de todas as outras pessoas, o abandono da lógica e do bom senso, e todas as outras coisas que transformaram nosso mundo neste mundo de palhaços em que vivemos hoje. Como é que as pessoas permitiram que as coisas chegassem neste ponto? Esta questão pareceu um pouco intrigante no início, mas pensando bem, pode não ser um mistério, afinal. Você não precisa procurar grandes teorias da conspiração ou uma explicação mística. Tudo fica claro quando você considera os incentivos da pandemia.

A histeria foi possível porque estava alinhada com os incentivos do governo, da mídia e até mesmo das massas. Depois de analisarmos o que incentiva cada grupo, poderemos ver por que todos eles apoiaram essa loucura.

Quanto ao governo – a maior preocupação de todo governo é a autopreservação. A maneira como os governos aumentam suas chances de preservação é obtendo cada vez mais controle sobre seus cidadãos. Quanto mais poder eles detêm, mais fácil é preservar seu domínio sobre o povo por meio da dependência do bem-estar social, propaganda, educação pública, tributação, controle da lei, força maior e assim por diante. Quanto mais poder o governo pode acumular, mais pode garantir sua preservação, tanto em uma democracia quanto em uma ditadura. Quando as pessoas não são livres, elas não podem cuidar de si mesmas – então, necessariamente se tornam dependentes do governo. E quando são dependentes do governo, não podem resistir, desafiá-lo ou rebelar-se contra ele de qualquer forma. Isso é o que os governos querem. É assim que eles garantem sua sobrevivência (no que diz respeito aos assuntos internos).

Usando a pandemia como desculpa, governos em todo o mundo estão assumindo mais controle sobre seus cidadãos do que nunca. Eles começaram a limitar o movimento e as reuniões, trancar as pessoas em suas casas, fechar negócios, aplicar mais censura e transformar países relativamente livres em distopias onde você precisa obter permissão do governo para todas as atividades diárias. Os governos querem o controle e viram a pandemia como sua oportunidade de obtê-lo. “Nunca desperdice uma boa crise”, diz o ditado.

Quanto à mídia, seu incentivo é atrair mais atenção. Quanto mais as pessoas consomem seu conteúdo, mais lucrativas e influentes elas se tornam. Portanto, a histeria pandêmica também estava perfeitamente alinhada com seus incentivos. Quanto mais medo eles podiam espalhar entre o público, mais necessários se tornavam aos olhos das pessoas. Desde o início da histeria, as pessoas estão grudadas em suas telas acompanhando as últimas atualizações: quais são as novas restrições, quantos casos, que variante elas devem temer a partir desta semana e todos os outros tipos de “notícias de última hora” que poderiam vender ao público. O medo vende. Quanto mais eles podiam assustar as pessoas, mais atenção recebiam. A pandemia foi, e ainda é, uma fonte interminável para eles fomentarem o medo e notícias “importantes”, e não há razão para quererem que isso acabe.

Em suma, tanto a mídia quanto o governo tiveram um incentivo claro para gerar histeria. A pandemia deu uma desculpa perfeita para o governo acumular mais poder e para a mídia se tornar mais relevante e até “necessária”. Quanto às massas, seu incentivo para aceitar essa loucura pode não ser tão evidente a princípio. Alguém pode se perguntar por que as pessoas desistiriam voluntariamente de sua liberdade e se submeteriam à tirania, mas tudo se torna mais claro quando você entende o que as massas realmente querem. As massas não querem liberdade. Eles não se importam nem um pouco com isso. O incentivo das massas é o pão e o circo, e eles apoiarão quem puder fornecê-los. É a mesma razão pela qual o socialismo tem sido bem sucedido repetidas vezes em levar as nações para sua ruína. O governo promete coisas grátis, como comida, moradia e saúde, e as massas aderem a essa promessa sem se importar com o custo oculto que pagam – “O rato morre na armadilha porque não entende por que o queijo é grátis”.

A pandemia forneceu às massas uma desculpa para mudar o status quo e pegar o “queijo” que desejam há tanto tempo. Ficar em casa comendo fast food, assistindo Netflix e pornografia enquanto exigiam o cancelamento do pagamento de seu aluguel e choravam por esmolas do governo costumava ser considerado algo preguiçoso e egoísta. Agora, a pandemia forneceu às massas uma desculpa perfeita para não apenas mudar esse status, mas para revertê-lo completamente e transformá-lo em um “sacrifício” virtuoso. Agora eles podem exigir seu pão e circo do governo com o pretexto de que “simplesmente temos que fazer isso, para que o vírus não destrua a sociedade”.

O que incentiva as massas não são valores como liberdade ou uma aspiração de progresso, mas simplesmente pão e circo. Não é de se surpreender, então, que elas aproveitaram a oportunidade e aceitaram de bom grado lockdowns, passaportes de vacinas e outras medidas de controle em troca de mimos como cheques de estímulo e moratória de despejo, ou mesmo apenas um donut grátis.

O mundo de palhaços só foi possível porque está alinhado com os incentivos do governo, da mídia e das massas. Quando o governo vê uma oportunidade de ganhar mais poder, por que não aproveitá-la? Se a mídia vê uma oportunidade de se tornar mais relevante, você acha que ela não vai aproveitar? Quando as massas dóceis têm a chance de ficar em casa, se empanturram de Netflix, pornografia e junk food enquanto mantêm seus salários, exigem o cancelamento do aluguel e até mesmo têm uma desculpa para se sentirem virtuosos sobre tudo isso, elas não aceitariam isto? Você não precisa ser um “teórico da conspiração” para saber a resposta a essas perguntas. Tudo o que você precisa fazer é entender o que motiva cada grupo – “Mostre-me os incentivos e eu lhe mostrarei o resultado”.

Isto não é uma “teoria da conspiração”. Os governos querem controle. A mídia quer atenção. As massas querem pão e circo. E a “pandemia” deu a todos eles uma desculpa para conseguirem exatamente o que desejam. A sinergia entre uma sociedade decadente e um governo inchado é um espetáculo. O governo fornece às massas coisas “gratuitas”, como os “auxílios emergenciais” e a moratória de despejo. Em troca, as massas se tornam mais submissas e obedientes ao governo e aceitam um controle mais invasivo sobre suas vidas privadas. Mas isso, é claro, não é um acordo muito perspicaz para as massas, uma vez que o governo recebe sua parte – e consegue o controle total da população – não precisa mais continuar cumprindo as promessas que fez ao povo. Uma vez que o governo atrai o público para sua ratoeira, o público não tem mais a opção de escapar. Isso costumava ser bem conhecido no mundo ocidental, que costumava representar a liberdade, mas essa lição foi esquecida há muito tempo, mesmo lá. Tudo o que era necessário para inclinar a balança era encontrar a desculpa certa, e covid forneceu exatamente isso.

Embora tudo isso seja verdade para a maioria das pessoas, sempre existiu uma minoria que é simplesmente diferente. Uma minoria que não se contenta com o pão e o circo, mas que procura, para melhor ou para pior, mudar o mundo. Ao longo da história, sempre foi essa minoria “louca” que impulsionou a sociedade. Galileo Galilei vai contra o “consenso científico”, os fundadores dos Estados Unidos que se revoltaram contra seu governo, ou mesmo os inovadores e empreendedores como Thomas Edison e Steve Jobs. O que une essa minoria não é uma história compartilhada, idioma, cor de pele ou mesmo nível de inteligência. É o seu estado de espírito, a crença no poder do indivíduo para mudar o mundo – a crença na liberdade de pensar diferente.

Cabe a esta minoria lutar pelo futuro da humanidade, continuar nos empurrando para frente e nos impedir de cair na tirania e distopia. Cabe a eles aproveitar o poder das massas para construir um futuro melhor para todos. No entanto, as massas não podem ser persuadidas por apelos apaixonados ao valor e à necessidade da liberdade. Elas só podem ser persuadidas pela compreensão de que o governo as está defraudando com falsas promessas de prover e cuidar delas, uma vez que desistam de sua liberdade. A tirania nunca proporcionará às pessoas um padrão de vida melhor do que o que elas podem ter em uma sociedade livre. Ela só usa o povo em benefício da elite política. Se pudermos lembrar às massas esta verdade há muito esquecida, teremos a chance de parar este mundo dos palhaços e, mais uma vez, construir uma sociedade que proteja a Vida, a Liberdade e a busca pela Felicidade.

 

 

Artigo original aqui.

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