É incoerente tentar salvar as pessoas de um vírus, mas ao mesmo tempo tentar matá-las de inanição

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Em novembro de 2020, dezenas de cidadãos argentinos da cidade de Puerto Iguazú escavaram um terreno abandonado onde haviam aproximadamente mil e duzentas caixas de frango enterradas. Os alimentos foram classificados como sendo supostamente impróprios para o consumo por agentes da fiscalização sanitária e por essa razão foram enterrados em uma área isolada. Assim que ficaram sabendo que havia alimento enterrado em sua localidade, moradores desesperados de fome começaram a desenterrar as caixas de frango para ter o que comer. Essa é uma situação lastimável que mostra o desespero de pessoas afetadas pela miséria extrema, mas atualmente quase metade de população argentina encontra-se em um estado de pobreza muito similar.

A Argentina já vinha sofrendo um período de amarga recessão desde o kirchnerismo, que se acentuou de forma pronunciada com o retorno da esquerda ao poder. Alberto Fernandéz assumiu a presidência no final de 2019, tendo Cristina Kirchner como vice. O regresso da esquerda foi fundamental para que a Argentina cedesse rapidamente à ditadura do coronavírus quando a histeria pandêmica começou.

O governo de Alberto Fernandéz implementou de forma implacável todos os mandamentos da seita covidiana em seu país, tendo realizado um dos lockdowns mais severos e rígidos do mundo. Fernandéz alegou que preferia ter mais pobres do que mortos na Argentina. Como se isso fosse um escolha racional; ou como se ele do seu elevado pedestal de planejador central socialista , soubesse o que é melhor para o país inteiro.

No entanto, quando questionado sobre a possibilidade do governo fazer uma redução dos salários, benefícios e privilégios da classe política para reduzir o déficit das contas públicas e seu fardo imensurável sobre a iniciativa privada , Fernandéz alegou que isso estava fora de cogitação, pois seria populismo de sua parte. Aqui, portanto, temos mais um notório exemplo da classe política sendo excessivamente generosa e condescendente com ela mesma, porém brutalmente tirânica e opressiva com a população.

O resultado de tanta “bondade” e “generosidade” do governo socialista de Alberto Fernandéz acabou deixando uma expressiva parcela da população argentina dramaticamente pobre, indo parar abaixo da linha de pobreza. Hoje, aproximadamente 44% dos argentinos estão na mais absoluta miséria. O país está em linha descendente no seu derradeiro e funesto processo de venezuelização. De fato, já faz algum tempo que a Argentina foi apelidada de “Venezuela do Sul”. E se continuar como está, não vai levar muito tempo até ela ficar igual ou talvez até pior à sua irmã bolivariana do norte.

Esse, sem dúvida, é um destino lamentável para uma nação que já foi uma das mais ricas do mundo. E entre o final do século 19 e o início do século 20 , chegou a rivalizar com os Estados Unidos, por seu invejável nível de progresso e desenvolvimento. A Venezuela, por sua vez, também já foi um pais rico e próspero. Na década de 1970, estava entre os dez países mais ricos do mundo. Mas sabemos perfeitamente que é isso o que socialistas fazem. Se apropriam de nações ricas e prósperas, espoliam e sugam tudo o que podem em um agressivo e implacável processo de rapinagem institucionalizada e depois deixam esses países em um deplorável, deprimente e degradante estado de miséria e pobreza.

As restrições impostas pela ditadura do coronavírus na Argentina, invariavelmente, acentuaram a pobreza e a miséria existentes de forma excruciante. Como resultado, é natural que a população expresse sua indignação, frustração e raiva justificadas. Há várias semanas, o presidente Alberto Fernández teve que escapar às pressas com a sua comitiva da província de Chubut localizada no sul da Argentina, próximo à Patagônia , depois que foi recebido com pedradas pelos moradores locais.

Esses fatos dramáticos e deploráveis mostram mais uma vez porque a esquerda está como sempre estará e sempre esteve mortalmente errada. Planejamento central não funciona, nunca funcionou e jamais irá funcionar, em qualquer período ou momento da história humana, em qualquer país, nação ou território do mundo.

Infelizmente, por mais que sua ideologia de estimação fracasse de forma retumbante sucessivamente, socialistas não conseguem compreender nem mesmo os conceitos mais básicos sobre a natureza humana. Seres humanos não desejam ser comandados. As pessoas querem ser livres para tomar as próprias decisões. Se você tentar suprimir arbitrariamente a liberdade das pessoas, não importa sob qual justificativa ou pior ainda, afirmar que para a manutenção da saúde pública é fundamental que elas passem fome , elas ficarão ostensivamente encolerizadas e ressentidas. E com toda a razão.

Infelizmente, socialistas são incapazes de compreender que devem deixar as pessoas livres para elas viverem as suas vidas como bem desejarem, sendo livres para solucionarem problemas da forma como elas desejam que esses problemas sejam resolvidos. Ninguém deve se meter na vida delas, nem presumir que sabe o que é melhor para elas. Quando políticos fazem isso, eles acabam invariavelmente piorando tudo.

O que os planejadores centrais covidianos em lugar algum do mundo não levaram em consideração é que a maioria das pessoas, não sendo rica, depende da atividade econômica para sobreviver. Se você impedir as pessoas de trabalhar, estará causando problemas para todos os indivíduos produtivos. Como eles irão se alimentar, pagar as contas e usufruir de serviços básicos, se forem impedidos de exercer suas ocupações e de obter renda?

Ou seja, o que os planejadores centrais covidianos esqueceram é que o seu “magnífico” projeto para a contenção da crise do coronavírus não levou o elemento humano em consideração; o que seria ironicamente justamente o fator principal, a prerrogativa primordial do plano. Afinal, não adianta criar a solução para um problema, se a solução apresentada acabar resultando em dezenas de problemas paralelos, em obstáculos adicionais e em danos colaterais insolúveis, que invariavelmente causarão dificuldades dramáticas na vida das pessoas. Elas ficarão, com todas as razões e motivos, amarguradas e ressentidas. E chamá-las de fascistas ou de genocidas não irá contribuir para mudar essa situação. Antes o contrário, pode torná-la muito pior.

Portanto, é natural que todas as pessoas prejudicadas pelas insanas, malignas, aviltantes, desumanas e irracionais medidas restritivas covidianas estejam indignadas com a petulância, a arrogância e a prepotência dos planejadores centrais. Agora, por causa das quarentenas e lockdowns, milhões de pessoas estão passando fome, e centenas de milhares estão literalmente morrendo de inanição.

Os planejadores centrais esquecem que quem deve tomar todas as decisões relacionadas à vida de alguém é unicamente o próprio indivíduo. Por recusar-se a compreender isso, o dever de respeitar a liberdade e a autonomia dos indivíduos anseios elementares da natureza humana , a esquerda política não percebe que arruma uma multidão de novos adversários diariamente.

Isso porque é natural para os indivíduos lutarem por autonomia e independência, e se revoltarem quando os planejadores centrais tomam decisões que acabam arruinando suas vidas e prejudicando a sua qualidade de vida e a de seus familiares. Que os argentinos da província de Chubut tenham jogado pedras nos veículos que transportavam o presidente Alberto Fernandéz e sua comitiva é algo totalmente compreensível. E na verdade totalmente inofensivo. Tenho absoluta certeza que se tivessem oportunidade, teriam feito coisa muito pior.

O que os planejadores centrais covidianos precisariam mas certamente não vão entender é que é fundamental respeitar as escolhas individuais. Tentar homogeneizar a sociedade através de regras opressivas, despóticas e verticais irá naturalmente gerar revoltas, insatisfação e sublevação popular. Isso é inevitável. Os indivíduos não ficarão parados, nem se resignarão a uma conformidade indulgente enquanto a classe política através de uma série de criminosas, tirânicas e deploráveis medidas restritivas sujeitar os cidadãos à indignidade, obrigando-os a sobreviver a uma precária e deplorável condição de fome, privações e miséria.

Se um cidadão prefere sair de casa para trabalhar mesmo sob o risco de contrair covid , ele tem o direito de assumir esse risco. Assumimos riscos diariamente. Quando saímos de casa, podemos ser atropelados, assaltados ou até mesmo contrair alguma outra doença, que não a covid. Militantes progressistas frequentemente esquecem que o mundo nunca foi um lugar seguro e que o coronavírus não é o único vírus existente sobre a face da Terra.

Lamentavelmente, a pretensão obsessiva de controlar e comandar as pessoas, e exigir de todas elas obediência incondicional, de forma prepotente e autoritária, não permite que a esquerda compreenda a realidade. Se um governo tentar controlar as pessoas especialmente com o excruciante e insuportável nível de restrições da ditadura do coronavírus , eventualmente a população, plena de razões e motivos justos, se revoltará contra ele. A recusa intransigente da esquerda em compreender a realidade e a natureza humana não deixam de ser suas características mais proeminentes.

A ditadura do coronavírus é irracional, bestial, arbitrária, grotesca, maléfica, opressiva e desumana, e causou muito mais problemas do que soluções algo que qualquer pessoa racional conseguiria prever desde o início. Infelizmente, podemos ter certeza absoluta de que a esquerda e os planejadores centrais covidianos não aprenderão a lição mais elementar dessa história: a de que não adianta propor “soluções” homogênas, uniformes e verticais, que criarão uma série de desastres, calamidades e graves problemas adicionais em série, para a grande maioria das pessoas. Isso vai gerar uma onda de problemas. E esses problemas irão, inevitavelmente, eclodir em uma sucessão monumental de descontentamentos, turbulências e revoltas populares, totalmente justificadas.

A verdade é que o elemento humano deve sempre ser levado em consideração, em praticamente todas as condições. O sistema político, no entanto, não tem a menor capacidade nem vontade de fazer isso. E muito ressentimento acaba sendo gerado quando as autoridades governamentais decidem implementar uma suposta solução à força. No caso do covidianismo, temos o exemplo prático de uma série de “soluções” que mostraram ser muito piores do que o problema principal.

A indignação, a insatisfação e a cólera das pessoas revoltadas com a ditadura do coronavírus e com todas as suas deploráveis e amargas consequências não são apenas totalmente razoáveis, como são absolutamente compreensíveis e justificáveis. O deplorável nível de destruição causado pelo coronazismo não tem precedentes na história. Infelizmente por pior que a situação esteja , ela ainda está longe de acabar. De qualquer forma, a sobrevivência, em grande parte, depende da resistência individual e da desobediência à tirania.