Estado — O grande inimigo do empreendedorismo

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Tendo nascido em uma família de empresários, empreendedores individuais, profissionais liberais e autônomos, cultivei a vida inteira uma árdua paixão pela livre iniciativa e pelo empreendedorismo. Tenho experiência pessoal com o empreendedorismo; afinal, já tive o meu próprio negócio. Não obstante, empreender em um ambiente tão insalubre como o Brasil traz consigo consequências nefastas, e é lastimável ver como essa classe de indivíduos — aqueles que efetivamente contribuem para o progresso e o desenvolvimento da nação, e que verdadeiramente geram riquezas e agregam valor arriscando o seu tempo e o seu capital financeiro — é ostensivamente demonizada pela militância progressista e sistematicamente depauperada pelo estado.

Empreender é algo maravilhoso. Empreendedorismo é vida, criatividade, entusiasmo, inovação. Produzir algo que nos dê genuíno contentamento e realização é simplesmente magnífico. A matriz da economia de qualquer país — e, por extensão, do progresso, do desenvolvimento e da prosperidade da sociedade e dos indivíduos — está inextricavelmente associada ao empreendedorismo e a figura heroica e audaciosa do empreendedor. Alguém que, contra todas as probabilidades, decide arriscar-se no mercado em um empreendimento próprio, sem nenhuma garantia de sucesso ou êxito.

Infelizmente, não vivemos em um país propício ao empreendedorismo. Muito pelo contrário. É claro que o brasileiro possui, naturalmente, um espírito empreendedor. É fantástico perceber que — apesar de todas as dificuldades criadas pelo estado —, o brasileiro é capaz de persistir e manifesta um genuíno espírito criativo e empreendedor, até mesmo no chamado mercado informal. A verdade é que, dos pequenos aos grandes negócios, o brasileiro tem mostrado a sua versatilidade, bem como capacidade criativa e administrativa há séculos; afinal, ele sabe perfeitamente que se depender do estado, morrerá de fome. Infelizmente, com a irrefreável e contínua expansão da intervenção estatal nas últimas décadas, o Brasil se tornou um dos piores países do mundo para empreender. E com o passar dos anos, esse cenário tem ficado cada dia pior.

Atualmente, se você pretende montar o seu próprio negócio, aqui no Brasil você acabará se sujeitando a uma série de riscos desnecessários e totalmente predatórios, que são literalmente inexistentes — ou muito mais brandos em comparação — em países onde existe um grau mais elevado de liberdade econômica.

Digamos que você possui autêntico espírito empreendedor e deseja montar o seu próprio negócio. Se você viesse falar pessoalmente comigo sobre esse assunto, eu gostaria muito de ouvir a sua ideia. E ficaria muito feliz e muito triste por você, ao mesmo tempo.

Certamente, ficaria muito feliz, porque você, de alguma maneira, encontrou uma forma de satisfazer o desejo dos consumidores em um determinado segmento, e não apenas pretende ganhar dinheiro com isso, como também irá se realizar profissionalmente, e redirecionar o seu talento para uma atividade construtiva com potencial lucrativo. Mas ao mesmo tempo, eu ficaria muito triste por você, porque você vai fazer isso no Brasil.

Imediatamente, eu suplicaria a você para reconsiderar a situação; não sua vontade de empreender — isso eu apoiaria incondicionalmente —, mas de empreender no Brasil. De todas as formas e maneiras possíveis, eu iria tentar convencer você a cogitar a possibilidade de se mudar para países como Nova Zelândia, Austrália, Chile, Suíça, Singapura, ou até mesmo o Paraguai. Sim, o Paraguai. Inúmeros empresários brasileiros estão fechando suas empresas aqui e abrindo elas no país vizinho. Antes da pandemia fraudulenta de peste chinesa, de cada dez empresas que entravam em atividade no Paraguai, sete eram de empresários brasileiros.

Quem diria, mas a verdade é que chegamos ao fundo do poço. Até mesmo o Paraguai — que até pouco tempo atrás era ridicularizado por ser sinônimo de produtos falsificados e pirataria —, em função da implementação de algumas poucas reformas econômicas liberalizantes, tornou-se uma locomotiva industrial que atrai mais inovação e investimentos do que o Brasil, a versão petista da União Soviética.

Nossos correligionários perceberam que o estado brasileiro tornou-se tão tóxico, arbitrário, burocrático e contraproducente que ficou muito mais viável estabelecermos nossas próprias empresas no país vizinho. É a triste e deplorável realidade. Aqui, o estado inviabilizou quase que completamente as possibilidades de atuação para a livre iniciativa.

É verdade que, não importa para que lugar do mundo você decida ir — a menos que seja em alguma região longínqua e desolada do deserto do Saara, nos confins da Antártida ou no meio do Oceano Pacífico —, provavelmente haverá um estado. Um estado totalmente disposto a extorqui-lo com voracidade através de taxação e tributação. Indubitavelmente, nenhum estado é bom. Afirmo categoricamente que gostaria muito de viver em uma legítima sociedade anarcocapitalista descentralizada, onde o estado é uma lembrança histórica tão distante quanto desagradável. Infelizmente, a realidade não é assim. Ela é bem diferente do que gostaríamos que fosse. O estado existe, haverá um em quase todas as regiões do mundo para onde você for.

No entanto, é totalmente válido enfatizar que os estados são relativamente diferentes de país para país. Imposto, taxa e tarifa são diferentes nomes para roubo, extorsão e estelionato; não obstante, é fundamental reconhecermos que existem diferentes graduações de roubo, assim como existem bandidos e ladrões que agem com métodos diferentes. Alguns delinquentes agem com mais crueldade, outros com menos. Existem, por exemplo, aqueles criminosos que apenas roubam as suas vítimas, mas não as agridem fisicamente. Existem aqueles que depois de roubá-las, matam as suas vítimas, simplesmente para evitarem serem reconhecidos ou posteriormente identificados. E existem também aqueles criminosos que são verdadeiros psicopatas, que estão dispostos a torturar física e psicologicamente as suas vítimas, pelo simples prazer de contemplar o seu sofrimento.

Da mesma forma, todo o estado, sem exceções, é um bandido estacionário, mas os diferentes estados que existem pelo mundo afora também são muito diferentes nos seus métodos de atuação e no nível de agressão praticado contra as suas vítimas. Alguns roubarão mais, outros roubarão menos. Alguns vão taxar mais, outros vão taxar menos. Alguns vão regulamentar mais, outros vão regulamentar menos. Ainda que nenhum nível de intervenção estatal, roubo ou agressão sejam aceitáveis, tampouco justificáveis, é fundamental reconhecermos a existência dessas variações.

Portanto, não há nada de errado em se mudar para um lugar onde existe um estado que irá castigá-lo menos, roubá-lo menos, torturá-lo menos e que será menos intervencionista, menos abusivo e menos burocrático. Você estará fazendo um favor a si mesmo, pois irá se desgastar menos e se frustrar menos, da mesma forma que faziam as tribos nômades da antiguidade, que — quando decidiam se mudar para um determinado local ou região —, escolhiam sempre a rota com menor probabilidade de haver salteadores.

Concluído este raciocínio — a existência de variações no nível de roubo, agressão, intervenção, extorsão e violência praticados pelos diferentes estados que existem nos vários países do mundo —, é fundamental reconhecermos o estado brasileiro como um dos mais brutais, aviltantes e extorsivos que existem. Na verdade, o estado brasileiro é um dos mais antiempreendedores e anticapitalistas em atividade hoje, e infelizmente isso desgasta empresários e empreendedores de formas e maneiras tão inimagináveis quanto excruciantes.

Evidentemente — só para deixar bem claro —, as palavras empresário e empreendedor aqui são empregadas unicamente em referência a proprietários de negócios de pequeno e médio porte. Grandes empresários são executivos corporativistas, e essa classe geralmente possui conexões com o estado e são receptores de verbas e subsídios estatais; portanto, ávidos praticantes do chamado capitalismo político. Essa classe de indivíduos normalmente é beneficiada pelo estado em detrimento de todas as demais. Não é esta classe que será defendida aqui. Apenas empresários e empreendedores de livre mercado, que não recebem qualquer apoio ou subsídios do estado; antes, são ativamente depauperados e prejudicados pelo Leviatã.

Voltando ao tópico inicial, caso você quisesse montar o seu próprio negócio e viesse solicitar algum conselho de minha parte, eu tentaria dissuadi-lo de montar o seu negócio no Brasil. Por ser empreendedor e desejar o seu sucesso, vou tentar usar de toda a minha experiência, conhecimento e sagacidade para poupá-lo de desgastes e sofrimentos desnecessários. Afinal, vou sinceramente desejar que você seja bem-sucedido e obtenha êxito em sua empreitada. Contudo, eu conheço muito bem o ambiente econômico nacional, e sei como ele exige muito de todos os empreendedores. Por essa razão, eu lhe mostraria quais são os países mais economicamente livres do mundo, e tentaria convencê-lo a se mudar para o país mais capitalista que estivesse dentro das suas possibilidades. Mas suplicaria a você para que não desperdiçasse seus talentos, seu tempo e seu capital tentando empreender no Brasil. Diria a você para fazer um grande favor a si próprio e não se submeter a esse fardo excruciante. E evidentemente explicaria as razões por trás disso.

A verdade é que se você decide ser empreendedor no Brasil, você não irá trabalhar para você mesmo, mas para o stalinista e escravagista estado brasileiro, ainda que indiretamente. Você praticamente não terá lucros. Uma parte expressiva dos seus dividendos serão gastos pagando impostos exorbitantes, e você terá gastos adicionais com um bom contador, que será fundamental para ajudá-lo a decifrar o excruciante labirinto tributário de suas obrigações fiscais, que lhe serão arbitrariamente impostas pelo estado. Os gastos, a tributação, as responsabilidades fiscais e as infindáveis exigências legais, contábeis e burocráticas em pouco tempo acabarão com você. Logo, você vai gastar mais tempo nisso do que produzindo em sua empresa e fazendo o que inicialmente se propôs a fazer.

No Brasil, o maior inimigo do empreendedorismo, da produtividade, da inovação e da livre iniciativa sempre foi o estado, a instituição escravagista que contribuiu enormemente para gerar, manter e expandir a pobreza em nosso país, visto que cria uma imensurável quantidade de obstáculos para quem quer produzir e gerar riquezas e empregos. Sabemos perfeitamente que vivemos em um país que tem um dos estados mais caros e perdulários do mundo, com o judiciário mais caro do mundo e o segundo congresso mais caro do mundo. Literalmente, gastamos bilhões para que nossos dirigentes governamentais vivam na mais esplendorosa e nababesca suntuosidade, ao passo que somos proporcionalmente indiferentes aos sofrimentos e sacrifícios de quem paga por tudo isso. A sociedade brasileira há décadas é violentamente depauperada de forma brutal e excruciante para que a elite política viva um estilo de vida de primeiro mundo, esbanjando abundância, conforto e riquezas como se estes recursos fossem inesgotáveis.

Infelizmente, o Brasil é um país que não tem condições de prosperar porque em nossa nação os valores foram sumariamente invertidos. Torturamos e sacrificamos as pessoas de valor — empresários e empreendedores, pessoas que estão ativamente fazendo enormes sacrifícios para gerar riquezas e agregar valor na sociedade — para subsidiar políticos, desembargadores, diplomatas, juízes e toda a espécie de marajás inúteis da fauna estatal, que não passam de parasitas que não fazem absolutamente nada, a não ser consumir as riquezas geradas pela classe produtiva.

E aqui vislumbramos outro problema gravíssimo. A classe empresarial é constituída basicamente por heróis anônimos, que se sacrificam e sofrem em silêncio, sem receber reconhecimento nenhum de ninguém, ao passo que a classe de parasitas — apesar de não fazerem absolutamente nada a não ser espoliar e depauperar a sociedade continuamente — são frequentemente glorificados como heróis honrados e patrióticos. Aparecem a todo momento na mídia e na imprensa convencional, concedem entrevistas em programas de televisão com elevada audiência, são capas de revista e material para livros, teses de mestrado, jornais e tabloides sensacionalistas, são populares nas redes sociais, com milhares de seguidores, possuem assessores oficiais e comitivas especializadas, e frequentemente viajam a outros países, onde são igualmente recebidos com honrarias múltiplas e formalidades diversas, com toda a pompa e circunstância. Ou seja, a inversão de valores não apenas é extrema, como patológica.

Infelizmente, a mentalidade antiempreendedora e anticapitalista está profundamente arraigada ao estado brasileiro. É um problema estrutural e sintomático, que jamais será revertido, tampouco irá desaparecer. Portanto, se você é empreendedor, não terá um futuro promissor aqui. Além dos gastos para empreender — mesmo que você pretenda montar uma pequena empresa —, serem absurdos, para não falar da carga tributária excruciante e dos custos agregados, você sempre será visto como um vilão, que deve tudo para todo mundo, especialmente para os seus empregados e para o governo. Por causa do viés ideológico, muitas pessoas verão você como um capitalista explorador.

Evidentemente, isso é tudo é uma grande falácia, uma distorção grotesca da realidade. Você não deve absolutamente nada a ninguém por querer montar uma empresa, muito menos por ter inclinações ousadas, criativas e empreendedoras. Esse espírito estatólatra, escravagista, stalinista e antiempreendedor que existe no Brasil está profundamente vivo e ativo atualmente através de ideologias que cravaram raízes na tirânica autocracia estatal, como o positivismo e o progressismo; e isso não apenas afeta as empresas, como a própria relação do estado com a iniciativa privada — que é muito similar a relação de senhor feudal e vassalo da Idade Média, senão pior —, que criou um tão deletério, inexpugnável e arbitrário oceano de dificuldades para quem deseja empreender, que o mercado por aqui tornou-se ostensivamente estagnado e insalubre.

Gerar receita para sustentar seu negócio e cumprir com todas as suas obrigações fiscais hoje tornou-se uma verdadeira impossibilidade, não apenas como uma consequência da dilaceração econômica causada pela recessão da qual já vínhamos sofrendo — e que mais recentemente foi potencializada pela quarentena e pelo lockdown —, como pelo vasto manancial de regulações, alvarás e obrigações burocráticas exigidas pelo estado a quem quer produzir e empreender. No Brasil, manter o próprio negócio passa rapidamente de sonho realizado a um pesadelo excruciante demais para ser devidamente suportado.

E aqui somos confrontados com outro problema de mentalidade estrutural, procedente da natureza dos seus estímulos, que são totalmente diferentes, e que vem a ser o grande responsável pela tensão existente entre a livre iniciativa e o estado — enquanto o setor privado é uma graciosa e eficiente locomotiva dinâmica que está em uma perpétua metamorfose, efetivamente construindo o progresso, buscando inovações constantes em ritmo desenfreado e ampliando a tecnologia a seu favor e a favor dos seus clientes, rejeitando ativamente a estagnação para não ser vencida pela concorrência, o estado vai justamente na direção contrária. Na burocracia estatal, luta-se com fervor e veemência para se manter tudo como está. Por ser naturalmente avesso a mudanças, o estado estará constantemente impondo a paralisia, o conformismo, a letargia e a lentidão de sua ineficiência sobre toda a sociedade, especialmente aos setores produtivos. Portanto, é inevitável que exista uma tensão latente. Iniciativa privada e estado são forças completamente antagônicas e incompatíveis. Enquanto uma tenta ir para frente, a outra estará constantemente puxando toda a sociedade para trás.

Ou seja, podemos constatar claramente que tratam-se de dois mundos completamente distintos, que não tem absolutamente nada em comum. Na iniciativa privada, luta-se constantemente pela excelência. No estado, o objetivo é manter as coisas como estão. Um vive pelo sistema de lucros e prejuízos, e precisa necessariamente atender demandas reais para permanecer relevante e sobreviver. O outro simplesmente parasita a sociedade produtiva, e não precisa atender ninguém para continuar existindo. Precisa simplesmente continuar espoliando, expropriando, assaltando e parasitando.

A iniciativa privada, portanto, precisa genuinamente atender demandas, caso contrário pode ir a falência e desaparecer. O estado não precisa atender ninguém a não ser si mesmo e a sua própria voracidade institucional. Em caso de insolvência, o estado só precisa ampliar a parasitagem. Enquanto o setor privado se perpetua servindo a outros, o estado se perpetua se servindo dos outros. Para a iniciativa privada, é fundamental atender as necessidades alheias. Para o estado, o que importa é saciar as suas próprias necessidades. São duas dinâmicas completamente distintas, sem nenhuma relação entre si.

Portanto, para empreender no Brasil, é fundamental entender onde você está inserido. Não tente ser heroico. Quando o assunto é empreendedorismo, o excessivamente regulado e estatizado ambiente mercadológico brasileiro faz com que nosso país seja um dos mais aviltantes, contraproducentes e tóxicos que existem no mundo. Não me interprete mal, meu objetivo certamente não seria desencorajar qualquer empreendedor, mas se você pretende empreender no Brasil, deve antes de tudo ser pragmático e realista; ser romântico, idealista ou excessivamente otimista não o levará a lugar algum, a não ser a uma possível falência, a ruína financeira ou a total miséria econômica. O estado brasileiro é um inimigo poderoso, ríspido e implacável, impossível de ser vencido com otimismo, boas intenções, generosidade, entusiasmo ou sorrisos graciosos. Falo com a autoridade de alguém que possui experiência.

Ainda que eu tenha um profundo desprezo por corporativistas, é até compreensível o fato desta classe se associar ao estado para prosperar e vencer. Aqui o ambiente é tão tóxico, hiperregulado, nocivo, travado e contraproducente, que muitos não veem alternativas para o seu negócio prosperar, a não ser se associar com o estado. Se você, por outro lado, é um empreendedor de pequeno ou médio escalão — cujos dividendos certamente não parecerão atraentes para o estado, por serem irrisórios do ponto de vista do Leviatã —, você terá muito mais chances de prosperar em um ambiente de livre mercado, ao invés de se arriscar aqui no Brasil. Seja como for, não vale a pena empreender aqui. São excessivos riscos em demasia e praticamente nenhuma vantagem ou benefício.

Na minha opinião, o que qualquer empreendedor deveria fazer é realizar uma breve pesquisa sobre as necessidades e demandas do negócio que pretende montar, mas em outros países. Países cuja mentalidade não seja majoritariamente progressista — portanto, lugares onde o empreendedorismo não é demonizado — e onde exista real e efetiva liberdade econômica. Além dos países citados no início deste artigo, existem muitos outros. Minha dica seria consultar o ranking da Heritage Foundation para ver quais são os 30 ou 40 países mais economicamente livres do mundo (só para constar, nessa lista o Brasil está classificado na 144ª posição).

Apesar de encabeçarem a lista — ocupando o segundo e o décimo primeiro lugar, respectivamente —, eu pessoalmente descartaria Hong Kong ou Taiwan, em virtude do fato de que são lugares que em breve poderão ficar sob o tirânico domínio do governo totalitário da China continental, o que invariavelmente fará com que a liberdade econômica, bem como todas as demais liberdades, desapareçam destas regiões. Para que exista prosperidade econômica, você deve escolher se estabelecer em um lugar relativamente livre de turbulências ou conflagrações políticas. A política é um grande inimigo dos negócios, da paz, da prosperidade e do livre comércio. Evite a todo custo lugares ou regiões com pessoas excessivamente politizadas. No geral elas nada produzem, e via de regra, são quase sempre progressistas anticapitalistas.

O objetivo de artigos como este não é, de maneira alguma, desencorajar, mas antes o contrário, contribuir com o sucesso, o êxito e o triunfo de futuros empreendedores. Obviamente, empreender em lugar nenhum do mundo é fácil; o sucesso não é garantido aonde quer que seja, mas o país onde você irá empreender será tão fundamental para o seu êxito quanto a sua competência e dedicação pessoais. Se você pretende abrir o seu próprio negócio, prefiro ver você no Chile, possivelmente daqui a cinco anos como um empreendedor de sucesso, que não apenas aumentou seu patrimônio e expandiu a sua empresa abrindo uma ou duas filiais, tendo até mesmo potencial para ser visto como um exemplo de sucesso na sua área, podendo ajudar outros empreendedores a serem bem-sucedidos, do que, no mesmo período de tempo, estar aqui no Brasil, falido, endividado e tendo sua casa e seu carro confiscados pela Receita Federal.

Evidentemente, do meu ponto de vista, você deve ter total liberdade para empreender onde quiser. Mas o meu conselho permanecerá sempre o mesmo. Verifique como é o ambiente de negócios em outros países. Busque países onde exista um grau elevado de liberdade econômica. No Chile, você pode registrar a sua empresa em apenas algumas horas, e o processo é totalmente gratuito. Na Nova Zelândia, você pode fazer tudo online, em algumas poucas horas, e o processo também é totalmente gratuito. Além do mais, você pode montar sua empresa em área residencial, o que não é permitido em determinadas cidades e regiões do Brasil.

No Brasil — a União Soviética Pós-Moderna —, por outro lado, logo de início você vai desperdiçar de duas a cinco semanas tendo que correr atrás de todos os documentos exigidos pela burocracia estatal. Terá que ir na prefeitura providenciar o alvará, terá que ir em cartórios para autenticar documentos e terá que contratar um contador que irá atrás da regularização da papelocracia adicional exigida pelo estado.

Dependendo da região do país onde você mora, o registro inicial para a viabilização de um negócio pode chegar a quase mil reais. Ou seja, você nem mesmo abriu o seu negócio, nem sequer montou a sua empresa, ainda não teve lucro ou faturamento, mas no princípio do processo de regularização do seu negócio a aviltante extorsão do estado já é aplicada contra o empreendedor com brutalidade e voracidade implacáveis, o que não acontece em absolutamente nenhum país desenvolvido do mundo. É verdade que — com a MP da Liberdade Econômica do governo Bolsonaro, implementada no ano passado —, algumas dessas exigências foram reduzidas ou anuladas, especialmente para empreendedores individuais; não obstante, não o foram a ponto de remover substancialmente os infindáveis obstáculos e as terríveis dificuldades exigidas pelo estado para quem pretende empreender. Para todos os efeitos, continuamos sendo uma festiva e colorida versão 2.0 da União Soviética.

É bem verdade que você pode tentar ir para a informalidade. Mas em função de exigências legais e burocráticas — dependendo do negócio que você abrir —, muitas pessoas ou empresas se recusarão ou não poderão fazer negócios com você, por questões relacionadas a emissão de notas fiscais eletrônicas, dedução contábil e outras dificuldades existentes para quem realiza negócios formalmente. Ou seja, na informalidade, você pode perder muitas oportunidades de negócio. Em um país como o Brasil, a informalidade só é interessante para negócios muito pequenos, principalmente para autônomos e profissionais liberais. E mesmo assim, apenas em casos muito específicos.

Empreender é inovar, construir, modificar e servir. O empreendedor faz tudo aquilo que o estado não faz, e ainda sustenta o parasita que o escraviza e o sacrifica. Infelizmente, o empreendedor não tem como escolher não ser escravizado pelo estado, pois sempre terá um aonde quer que vá. Mas você pode sempre verificar a possibilidade de se mudar para um país onde o estado é menos letal, menos escravagista e menos tirânico. Um estado que irá roubá-lo menos e subjugá-lo menos, em um país onde seus objetivos terão chances maiores de prosperar e de ter verdadeiro êxito, e onde seus investimentos podem ser maximizados.

Evidentemente, você pode sempre tentar sonegar, ainda que isso exija uma certa perícia para evitar dificuldades posteriores com o Leviatã, o que muito dependerá também do negócio que você administra, da sua receita anual e da competência e da destreza de quem faz a sua contabilidade.

Indubitavelmente, é o empreendedorismo que move o mundo. Quem cria, constrói e produz são os indivíduos. O estado é um parasita que se perpetua abiscoitando as riquezas criadas pelos indivíduos produtivos, que são em sua grande maioria heróis anônimos responsáveis por manter as engrenagens do mundo em atividade. O estado é a instituição que sabota o desenvolvimento, o progresso e a prosperidade, e prende a civilização no pântano de estagnação e retrocesso de sua voraz e destrutiva parasitagem.

O empreendedorismo constrói e o estado destrói. Ao longo de toda a história humana, o homem sempre teve que se proteger de parasitas, bandidos, saqueadores, salteadores, ladrões e oportunistas perversos. O estado democrático de direito moderno ampliou e institucionalizou a parasitagem, expandindo-a a níveis descomunais. A melhor forma de tentar contornar isso — do ponto de vista empreendedorial —, é realocando os esforços produtivos e criativos para lugares menos extorsivos e predatórios, onde existe mais liberdade.

Apenas para citar um exemplo, isso está acontecendo agora mesmo na Argentina. Conforme o governo do socialista Alberto Fernández vai estatizando a economia e tentando aprovar um novo imposto sobre grandes fortunas, a elite empresarial argentina está saindo do país e levando suas empresas e seu capital para o Uruguai.

Para os empreendedores brasileiros, recomendo que se mudem para países onde o estado é menos vil, extorsivo e intervencionista. Existem várias dezenas de países no mundo muito mais propensos ao empreendedorismo do que o Brasil. Não se submeta a deplorável, extorsiva e excruciante tirania do estado brasileiro. Aqui você não tem absolutamente nada a ganhar e definitivamente tem tudo a perder.

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