Você é um estatista do estado mínimo? É um libertário convicto que não concede ao estado nada além da proteção das pessoas contra violações mútuas à vida, à integridade física e à propriedade, e absolutamente nada mais? Nem mesmo regras de trânsito, e certamente nenhum programa social para os pobres e vulneráveis? Isso não se deve, é claro, à sua indiferença em relação ao caos nas ruas ou ao sofrimento dos seus semelhantes pobres e vulneráveis, mas sim ao seu conhecimento de que a ordem e a prosperidade se estabelecem muito melhor sem a intervenção do estado. Portanto, você é alguém que sabe exatamente que o estado não é a solução, mas sim o problema, e, consequentemente, deve ser reduzido ao mínimo absoluto — um estatista do estado mínimo, de fato?
Talvez eu esteja me dirigindo aqui a muitos leitores e autores do eigentümlich frei; pessoas de quem gosto genuinamente, que se preocupam sinceramente com a liberdade humana e para as quais muitos até acham difícil conceder qualquer poder ao estado. Sei por alguns amigos que eles prefeririam abolir o estado por completo imediatamente, mas dizem que isso infelizmente não é possível; para um mínimo de estabilidade básica na sociedade, um Estado Mínimo é simplesmente necessário.
Com toda respeito a esses amantes da liberdade, pergunto: não é precisamente o mínimo de estabilidade básica em uma sociedade que é melhor deixar nas mãos do povo do que nas mãos de um pequeno, mas ilegítimo, monopolista?
O estado não é um problema fundamental porque faz isto ou aquilo, ou porque faz tanta e cada vez mais coisas, mas sim porque, através das suas ações, invade as esferas privadas dos indivíduos, e o faz simplesmente pelo seu poder absoluto.
Os impostos, para citar um exemplo notório, são cobrados “incondicionalmente” — ou seja, independentemente de os afetados terem concordado voluntariamente com eles ou de terem causado algum dano e agora terem que compensá-lo. Há, portanto, uma falta de justificativa interna e, consequentemente, de legalidade, seja um imposto fixo de $100 ou um imposto de renda de 60% — assim como um pequeno furto de uma carteira com $10 em meio à multidão no metrô não é menos ilegal do que um assalto a banco de $100 milhões executado profissionalmente e com efeitos cinematográficos. Claro, o batedor de carteiras pode esperar uma pena mais leve se for pego do que a quadrilha de assaltantes de banco profissionais, mas ambos são criminosos.
Agora, os defensores do Estado Mínimo resistirão a essa comparação com o pequeno batedor de carteiras: a legitimidade do Estado Mínimo, argumentam, reside não no fato de que ele rouba pouco, mas no fato de que não se trata de roubo algum. Ao contrário do batedor de carteiras, que usa o dinheiro roubado apenas para si próprio, o estado o utiliza no interesse de todos. E é aqui que reside a diferença entre o Estado Mínimo, que age com cautela, e o Estado Máximo inchado: enquanto este último presume decidir sobre tudo e qualquer coisa na vida das pessoas, o primeiro se restringe ao mínimo absoluto necessário para proteger as pessoas de abusos mútuos.
Essa desculpa é bem parecida com a do batedor de carteiras que é pego: ele não precisa do dinheiro para si, mas para proteger as pessoas no metrô de possíveis furtos; afinal, o local está infestado de batedores de carteiras!
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