Não haverá Condado, Pippin! – A limpeza étnica de ‘O Senhor dos Anéis’

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Eles estão vindo. Eles vieram. No final, era inevitável. Mais cedo ou mais tarde, as forças das trevas de nossa era moderna decadente iriam mirar em O Senhor dos Anéis. Havia muitos sinais de alerta. Em 2018, uma captura de tela de um artigo com a manchete “Amazon Studios confirma que sua Terra Média incluirá elfos de cor” se tornou viral no Twitter. A captura de tela era uma sátira, o ‘artigo’ uma farsa, mas as reações a ela eram muito reais.

À medida que uma tempestade de respostas começou a se formar, uma opinião comum dos esquerdistas progressistas no Twitter era dizer “Bem, a aparência dos elfos nunca é realmente especificada, então por que alguns deles não podem ser negros?” Resposta: primeiro de tudo, a aparência dos elfos é, de fato, especificada em O Senhor dos Anéis e no restante da fonte primária escrita por J.R.R. Tolkien. Por exemplo, existe uma raça de elfos chamada ‘Vanyar’ e no mundo de Tolkien essa palavra significa ‘o justo’. Existem várias referências à cor do cabelo dos elfos: louro, amarelo, prateado. São múltiplas as referências à sua pele clara e à sua beleza quase divina. Há também outra raça de elfos que normalmente têm cabelos castanhos ou pretos, mas também são descritos como tendo a pele clara. Em nenhum momento eles são descritos como tendo pele marrom ou preta.

Colocando os fatos de lado por um momento, vamos apenas refletir sobre a afirmação de que se algo na fonte primária não for especificado, isso dá a uma corporação como a Amazon Studios o direito de tomar certas liberdades. É tão vazio, tão arrogante, que exemplifica como a cultura moderna está tão ligada às tendências atuais e aos modismos do dia, e não dá atenção à atemporalidade da fonte primária ou da tradição. Imagine dizer ‘nunca foi especificado que Aragorn não é transgênero. Nunca é especificado que Aragorn realmente se identifica com o sexo que lhe foi atribuído ao nascer, então por que ele não pode ser retratado como trans?” Você pode rir de tal absurdo e pensar que tal pergunta nunca poderia ser feita, mas no ano passado o A British Tolkien Society propôs uma conferência durante a qual esquizofrênicos disgênicos de cabelos azuis deveriam aplicar a teoria transgênero ao O Senhor dos Anéis, com um discurso intitulado ‘Gondor em Transição: Uma Breve Introdução às Realidades Transgêneras em O Senhor dos Anéis.’

Outra reação à “manchete” satírica de 2018 nos deu mais oportunidade de ver através do espelho e entrar na mente distorcida do esquerdista da justiça social. A certa altura, a escritora Gavia Baker-Whitelaw nos diz que “essa farsa se baseia em uma manchete tentadoramente viral, provocando reações de ambos os lados do debate sobre a diversidade na ficção de fantasia”. Mais uma vez, vamos fazer uma pausa por um momento e tentar digerir essa linguagem. ‘Diversidade na ficção de fantasia’. Especificamente, a diversidade em O Senhor dos Anéis, que é o que estamos discutindo aqui. Se considerarmos O Senhor dos Anéis, estamos falando de um mundo habitado por homens e elfos, dragões e anões, magos e wargs e uma infinidade de outras criaturas e raças. No entanto, tudo isso não é diversidade o suficiente até que se coloque Tyrone e LaQueesha na história.

Baker-Whitelaw continua dizendo: ‘racistas veem a frase ‘elfos de cor’ e começam a gritar sobre a pureza branca de [O] Senhor dos Anéis (ew), enquanto os progressistas retweetam o post com respostas rápidas”. Em sua mente, os dois lados são opostos polares, com os ‘racistas’ malignos de um lado e os progressistas justos e tão inteligentes do outro. Também vemos uma tática que se tornou muito familiar. Ela simplesmente descarta qualquer objeção aos elfos de cor da Amazon como gritos racistas, em vez de tirar um momento para apreciar as preocupações legítimas dos fãs de Tolkien em relação a fonte primária e o respeito que merece.

As frases no artigo de Baker-Whitelaw que foram mais reveladoras e um prenúncio do que está por vir são as seguintes: “Sobre o tema das escolhas de elenco, você provavelmente deveria se preparar e esperar que esse tipo de controvérsia ressurgirá. Embora os filmes de Tolkein [sic] de Peter Jackson fossem predominantemente brancos, seria um desastre de relações públicas para a Amazon lançar uma série de fantasia totalmente branca na década de 2020. ‘ O argumento se resume a ‘é o ano atual!’ e devemos simplesmente seguir os sinais dos tempos, e nesses tempos é nada menos que um ‘desastre de relações públicas’ ter um elenco todo branco.

Baker-Whitelaw afirma: ‘Esse tipo de elenco é antiético e excludente, e comentários sobre cenários de ‘fantasia europeia’ simplesmente não funcionam mais.’ O que podemos fazer com uma pessoa que acredita que a aparência de pessoas brancas é ‘Antiética’? Seria antiético qualquer outra raça ser a representação singular de um elenco de atores, ou esse pecado é reservado apenas para os povos da Europa e de ascendência europeia? O filme Pantera Negra tem um elenco que é mais de 90% da África subsaariana ou descendente de lá, e foi descrito pelo site NowThis como sendo “muito diverso”. Esse elenco também é antiético? Se não, por que não? Que porcentagem de homogeneidade racial torna um elenco antiético? Tais questões nunca são ponderadas por pessoas como Baker-Whitelaw, mas observe como ela fica feliz em decidir por você que as preocupações com os cenários de fantasia europeus ‘simplesmente não funcionam mais’. Bem, muito obrigado, madame, por nos poupar o trabalho de pensar seriamente e decidir por nós que coisas como o cenário de uma obra de ficção não importam mais e os argumentos de que o cenário de uma história deve ser respeitado ‘simplesmente não funcionam mais’. A justiceira social progressista deve fazer tais proclamações, porque parar por um instante e contemplar as opiniões dos malvados ‘racistas’ exporia ela e o frágil castelo de cartas que ela construiu. Porque é claro que o cenário da história importa, mas se você reconhecer isso, será forçado a reconhecer a tolice de elencos pautados pela diversidade.

A importância do cenário

Então vamos fazer exatamente isso. Reconheçamos o cenário de O Senhor dos Anéis. Ele é muito interessante, na verdade. O próprio Tolkien afirmou que um de seus motivos para criar a Terra Média e as histórias que acontecem lá era fornecer à Inglaterra e aos ingleses uma mitologia, porque Tolkien sentiu que eles realmente não tinham uma, ou que se tivessem, eles tinham a esquecido há muito tempo. Tolkien também deu descrições longitudinais e latitudinais da Terra Média que correspondem ao nosso planeta Terra, sobre as quais você pode ler mais aqui. O Condado, por exemplo, era de acordo com Tolkien, um retrato fictício de uma idílica Oxfordshire. Se formos pelas coordenadas de longitude e latitude da Terra Média e as aplicarmos ao nosso mundo, Gondor está localizada na mesma área do norte e centro da Itália e sua capital Minas Tirith está localizada na mesma área que Florença. Como alguém que é italiano por parte de pai e que sempre sentiu grande afinidade com Gondor e os personagens de lá, fico muito feliz por isso. Mordor pode ser encontrado no que chamamos de Transilvânia em nossa Terra. As terras misteriosas chamadas Grey Havens estão escondidas em um mar distante, do norte, assim como a Irlanda. Portanto, temos um mundo de fantasia claramente baseado na Europa, mas de acordo com a filosemita que se odeia Baker-Whitelaw, nada disso importa. Ela decidiu isso por nós. Ela decidiu isso por você. Você simplesmente tem que calar a boca e parar de ser racista.

A justificativa para apagar os europeus de suas próprias histórias fica ainda mais incerta. “Mesmo se O Senhor dos Anéis fosse um drama de fantasia histórica direta”, conclui Baker-Whitelaw, “seria impreciso imaginar a Europa medieval como um ambiente totalmente branco”. Novamente, esta afirmação é simplesmente feita, sem nenhuma consideração sobre se há ou não alguma verdade nela. Deve ter havido alguns africanos subsaarianos na Idade do Ferro na Inglaterra. Deve ter havido algumas latinas correndo pelo interior da França por volta do século XIII. Deve ter havido alguns muçulmanos usando hijab perambulando pela Renânia durante o Renascimento. Seria ‘incorreto’ não incluir essas pessoas em uma fantasia baseada na Europa, porque simplesmente deve ter havido algumas delas!!!

O artigo conclui com um apelo à precedência. “Com diversos programas de fantasia como The Dragon Prince e The Witcher abrindo caminho, esperamos ver alguns elfos de cor no Senhor dos Anéis da Amazon.” Veja, outros programas apagaram os europeus de suas próprias histórias, portanto, essa prática é totalmente justificada, e pode continuar por muito tempo! E se você se opõe a isso, você é um racista, e todos sabemos que não há nada pior do que ser um desses! (Interessante essa referência feita a The Witcher, que se originou como uma série de livros ambientados em uma versão de fantasia da Polônia e do Leste Europeu. Novamente, um cenário puramente europeu sendo totalmente descartado e ignorado em nome da contratação de um elenco de atores que mais se assemelha a Greenwich Village.)

O absurdo do ‘tingimento negro’

A remoção de brancos de histórias criadas por, e em muitos casos para, brancos não é novidade. Deixe-me lhe dar um exemplo. Quando eu era criança, crescendo nos anos 90 e início dos anos 2000, meus pais ocasionalmente me deixavam assistir aos desenhos animados de sábado. Eu nunca fui um fã ávido de nenhum programa em particular, mas gostava de assistir a série animada de super-heróis tanto quanto qualquer garoto. Lembro que na versão animada da Liga da Justiça da minha infância, o Lanterna Verde foi desenhado como um homem negro. Eu nunca pensei nada sobre isso, nunca me importei. Só anos depois vi a versão original do personagem e percebi que na verdade ele era branco. Minha primeira reação foi ‘por que eles o mudaram?’ seguido de ‘eles podem fazer isso? Muitas vezes me pergunto, se não fosse eu ter tropeçado na versão branca original do Lanterna Verde, quanto tempo eu teria passado sem perceber que o super-herói não era negro? Eu poderia ter passado minha infância com a impressão de que ele sempre foi de uma raça diferente daquela originalmente retratada.

Existem inúmeros outros exemplos. Normalmente os personagens pintados de preto eram tão inconsequentes que ninguém se importava com a transformação racial. Hoje em dia, no entanto, está ficando muito descarado e muito insidioso. O efeito real e pretendido desse tingimento negro é sem dúvida uma das ameaças mais insidiosas e perigosas enfrentadas pelos povos da Europa e descendentes de europeus. Você pode pensar que estou sendo melodramático. “O que importa a cor da pele deles?”, você pode perguntar. ‘É só fantasia. Você poderia fazer os elfos em O Senhor dos Anéis verdes e isso não me incomodaria!”, você diria. Expliquei anteriormente por que os elfos de Tolkien não podem e não devem ser retratados como algo diferente de pele clara e muito menos com pele verde, mas o que você dirá se sairmos do reino da fantasia e entrarmos no reino da mera ficção? O que você diria se Aquiles fosse interpretado por um ator negro de ascendência subsaariana? Tenha em mente que na Ilíada Aquiles é descrito como tendo cabelos dourados. Não sei você, mas não tenho visto tantos africanos de cabelos dourados. E quanto a Guinevere? Lancelot? É aceitável que sejam retratados por uma mulher negra e um homem negro, respectivamente? E o Frei Tuck e o Little John? Estes são personagens fictícios, mas também são seres humanos, não criaturas de fantasia. Você não poderia colori-los de verde como poderia colorir alguns elfos. Então, qual é a desculpa para colori-los de preto? (Voltaremos ao Little John pintado de preto em um momento)

E se os personagens que estão sendo pintados de preto não forem nem fantasiosos nem fictícios, mas históricos? Atingimos um nível tão intenso e descarado de apagamento branco que agora mesmo os europeus históricos reais estão sendo interpretados por “atores de cor”. Você pode não se incomodar com a transformação racial de um elfo ou semideus grego, mas como você se sente sobre a transformação racial de Júlio César, Joana d’Arc e Ana Bolena? E se você não se incomodar, como você se sentiria se um homem negro famoso da história fosse interpretado por um ator branco? Suspeito que você faria objeções, alegando que tal coisa seria não apenas ilógica, mas também imoral. Por que não é assim quando feito aos povos de pele clara e cabelos louros da Europa?

A natureza insidiosa desse apagamento europeu se arrasta ainda mais. Aqui está uma foto de um documentário animado da BBC chamado ‘A História Britânica’.

Como você pode ver, ela retrata um celta loiro de pele branca das Ilhas Britânicas ao lado de um africano negro, e abaixo vemos a legenda ‘NATIVE BRITISH WARRIOR’ (‘GUERREIROS BRITÂNICOS NATIVOS). Qual deles?!? De que maneira é possível que esses dois homens sejam habitantes nativos da Grã-Bretanha celta? Simplesmente, não é possível. Se uma tribo de povos loiros e ruivos de pele clara procriar entre si, não aparecerá, como resultado de sua procriação, o tipo de pessoa que vemos no lado direito da imagem. Que isso precise ser dito é uma ilustração de como nossa época se tornou cômica, mas, infelizmente, precisa ser dito.

Há uma razão pela qual a BBC colocou não apenas um celta negro, mas muitos em seu documentário animado. Há uma razão pela qual a legenda ‘NATIVE BRITISH WARRIOR’ aparece no mesmo quadro que o africano ‘celta’. A razão é a narrativa política que está sendo promovida pelas comunidades POC e BAME na Europa e no Reino Unido, uma narrativa que busca cimentar essas pessoas como ‘tão europeias quanto você’ e legar a elas uma participação em terras, privilégios e heranças europeias.

As incoerências da “representação”

Há um duplo padrão gritante quando se trata da questão de raça, representação e transformações raciais. Para aqueles que são guerreiros culturais marcados por batalhas, a hipocrisia da “esquerda” moderna não é surpresa. Para aqueles que podem não estar cientes de tal hipocrisia e padrões duplos, vamos fazer um balanço.

As pessoas que são tipicamente a favor de fronteiras abertas e diversidade também estão eufóricas com a ideia de James Bond ser interpretado por um homem negro. Eles esperam que isso aconteça há décadas, e seu júbilo quando finalmente acontecer será como uma celebração de Ano Novo na Times Square. Já sabemos que essas pessoas também estão despreocupadas e de fato felizes em ver todos os personagens já mencionados se transformarem de brancos em algo que não é branco.

No entanto, contraste sua euforia quando um europeu branco é substituído por um ator de uma raça diferente com sua fúria vulcânica quando ocorre o inverso. Seja Jake Gyllenhaal em O Príncipe da Pérsia, Scarlett Johansson em Ghost in the Shell ou Matt Damon em A Grande Muralha, o emprego de atores brancos para retratar personagens que não são brancos na fonte primária ou no contexto histórico provocou protestos, boicotes e acessos de raiva estrondosos em inúmeras ocasiões. No caso de Matt Damon e seu papel principal em A Grande Muralha, os fãs do filme realmente tiveram que fazer uma declaração acalmando a multidão enfurecida de justiceiros sociais explicando que Damon não estava interpretando um chinês, mas estava simplesmente interpretando um mercenário ocidental trabalhando na China.

Em fevereiro de 2018, a indignação progressista por uma decisão de elenco levou ao cancelamento de uma produção do ensino médio de O Corcunda de Notre Dame. A multidão exigia que o personagem de Esmeralda fosse e só pudesse ser trazido à vida por uma “atriz de cor”. Essa demanda decorre inteiramente da representação de Esmeralda na adaptação da Disney do famoso romance de Victor Hugo. Se olharmos para o referido romance e o tratarmos como a verdadeira fonte primária, no entanto, saberemos que Esmeralda é filha de uma mulher francesa, e ela também é de origem húngara. Não seria um grande esforço de imaginação nem uma escolha imprecisa de elenco para uma estudante branca do ensino médio interpretar esse personagem. E, no entanto, como o Washington Examiner relatou, as pessoas de cor enfurecidas e seus aliados ‘insistiram que apenas ‘uma estudante negra ou parda’ seria uma Esmeralda apropriada’. Apesar do fato de que uma Esmeralda preta ou marrom seria ainda mais imprecisa do que uma de pele clara, tamanha era a fúria desses guerreiros da justiça social antibrancos que toda a peça foi cancelada. Repito: compare essa raiva com a alegria que se expressa quando Branca de Neve é interpretada por uma jovem assim.

Agora, ninguém pode negar que Hollywood foi culpado de ‘branqueamento’ no passado, e mesmo no passado recente. Mas mesmo se admitirmos que Hollywood cometeu atos de branqueamento, podemos realmente desculpar e até defender tais atos usando a mesma lógica (ou ilógica) que os progressistas modernos usam, o que quer dizer que no passado quando atores brancos eram escalados para interpretar personagens não-brancos, Hollywood estava simplesmente refletindo a demografia da época. Lembremos que este é um princípio central dos esquerdistas que apagam os brancos: séries de televisão, filmes, âncoras de telejornal, músicos e muito mais devem refletir a demografia do ano atual e fornecer “representação” para comunidades minoritárias. Bem, por esse mesmo padrão, 50 anos atrás, a demografia foi refletida com precisão em elencos totalmente brancos e atores brancos interpretando personagens não brancos. Cinquenta anos atrás, a população dos Estados Unidos era bem mais de 90% de etnia europeia. É por isso que o argumento de que a demografia deve ser refletida em filmes e séries é tão estúpido. Dane-se a demografia! Respeite a fonte primária. Respeite a história e os fatos.

Aqui está uma segunda defesa de ‘branqueamento’: enquanto alguns exemplos de brancos interpretando não-brancos são risíveis, há muitos casos em que o ator branco que é contratado para interpretar um não-branco terá sua aparência modificada um pouco, com maquiagem e traje, para se assemelhar mais ao personagem que ele deve retratar. Um exemplo óbvio, embora ridículo, disso é a “face negra”, que foi uma prática inicialmente concebida e praticada pela engenhosa comunidade judaica de Hollywood. Outros exemplos incluem quando Hollywood pega uma história que vem de algum lugar fora do Ocidente, mas a adapta para o público ocidental, não apenas mudando a raça dos personagens, mas toda a localização e cenário da história. O filme Sempre ao seu lado, estrelado por Richard Gere, é um exemplo. O filme é uma adaptação de uma história real que aconteceu no Japão e uma adaptação adicional de um filme japonês que contou essa história. No entanto, em nenhum momento se espera que o público acredite que Richard Gere está interpretando um japonês. A história em sua totalidade é transportada para a América e os personagens são transformados em americanos, mas isso não é feito como parte de alguma agenda de guerra cultural, e homenageia a história original japonesa.

Compare isso com os atores negros e pardos que foram escalados para interpretar europeus. Alguma tentativa cosmética foi realizada para fazer esses atores parecerem de pele clara? Não. As histórias originais europeias foram transportadas para terras ou épocas diferentes, de modo a justificar a presença da diversidade? Não. Os brancos não são tratados com tanto respeito. Os brancos são simplesmente apagados.

‘Apenas escolha o melhor ator!’

Vale a pena voltar a matéria do Washington Examiner da escola que cancelou a produção de O Corcunda de Notre Dame. É muito bom criticar os esquerdistas justiceiros sociais cada vez mais desequilibrados, mas também há atores insidiosos do lado conservador e “liberal clássico”. Angela Morabito escrevendo no Examiner ficou chocada que a raça seria relevante na escolha do elenco. “Eles querem que a raça seja um fator de desqualificação para decidir quem fica com o papel. Eles exigiriam que o aluno que interpreta Quasimodo realmente tivesse as costas corcundas?’ Ela deve ter achado que estava sendo muito esperta com essa. Devemos nos perguntar se Angela Morabito ficaria tão horrorizada se a raça fosse um fator desqualificante para decidir quem fica com o papel de Martin Luther King. Por que não escalar Liam Neeson? Ele é um ótimo ator e certamente faria um bom trabalho, não é? De acordo com a posição individualista, meritocrática e cega de raça dos esquerdistas e conservadores clássicos, que diferença faz que ele não seja negro? Basta contratar o melhor ator. Ou talvez esses pequenos detalhes como raça e etnia importem?

“O objetivo do teatro é que todo ator finge ser alguém que não é”, explica Morabito. “Suponha que a escola queira encenar ‘A Pequena Sereia’ no ano que vem. Esse grupo exigiria que Sebastian fosse interpretado apenas por um caranguejo de verdade? Seria de esperar que não.” Não, Sra. Morabito, seria de esperar que não. Espera-se, no entanto, que os produtores tomem algum tipo de medida para garantir que o ator que interpreta Sebastian se pareça com um caranguejo. O público espera que a fonte primária seja respeitada. Esperamos que os personagens pareçam como são descritos. Nós interrompemos nossa descrença e aceitamos como mundos “reais” mundos em que existem dragões, existem caranguejos cantores, existem sereias, existem orcs e aceitamos as condições desses mundos. Aceitamos o fato de que no mundo de Tolkien, por exemplo, os hobbits são muito pequenos. Portanto, você não pode retratar os hobbits como pessoas altas. Isso violaria a interrupção da descrença. Da mesma forma, você não pode produzir um filme biográfico sobre Martin Luther King e escalar um ator que não seja negro para interpretá-lo. O mesmo deve ser verdade, então, para Júlio César, Alexander Hamilton, Rei Arthur e Little John.

Quase ninguém viu a mais recente adaptação da lenda de Robin Hood em que Jamie Foxx interpreta o Little John. É interessante notar porque Foxx foi a escolha. Veja bem, no filme Robin Hood (2018), os cineastas decidiram reimaginar o personagem Little John como um mouro. Agora, eles erroneamente acreditavam que os mouros se pareciam exatamente com os africanos subsaarianos (eles não pareciam), mas esse equívoco na verdade não importa. O fato de pensarem que os mouros parecem negros significava que procuraram e contrataram um ator negro para, em sua opinião, se assemelhar com precisão a um mouro medieval. Se eles tivessem mudado a história de fundo de Little John, o transformado em um mouro e escolhido Colin Firth para interpretá-lo, nenhuma dessas decisões criativas faria sentido. Então, é inescapável, inegável, verdadeiro e óbvio que a raça importa, e não faz de você um racista dizer isso. É óbvio que há casos em que a aparência do personagem e do ator deve ser a mesma, a fonte primária e a história devem ser respeitadas. Parece que a única vez que as pessoas, seja de esquerda ou de direita hoje em dia, tentam argumentar que a raça não importa é quando a raça do personagem em questão é europeia. Além disso, parece que as únicas pessoas que têm medo de dizer que a raça importa e, mais importante, que sua raça importa, são as pessoas de origem europeia. É hora de acabar com tanta timidez.

Por que isso importa

Concluímos nossa Jornada Inesperada, voltando no tempo para ver melhor como chegamos até aqui. Entramos em 2022 e as previsões e dúvidas sobre a série Rings of Power da Amazon se tornaram realidade.

A adaptação da Amazon é pura zombaria, beirando a blasfêmia. É uma zombaria das obras de Tolkien e das pessoas para quem ele as fez. Vimos tais atos de vandalismo infligidos a pilares da cultura europeia no caso de César, Aquiles, Zeus e lendas arturianas, mas as produções em que essas figuras importantes foram vandalizadas não atraíram muita atenção nem importância. Vimos a cultura pop ocidental sofrer nas mãos das brigadas anti-brancas: Guerra nas Estrelas, Doctor Who, Caça-Fantasmas, Exterminador do Futuro, etc, etc. e o distintamente europeu como O Senhor dos Anéis. A profanação do mundo de Tolkien pela Amazon atinge mais forte, atinge mais perto de nossa alma.

“Para destruir um povo, primeiro você deve cortar suas raízes.” Assim falou Alexander Soljenítsin, uma das mentes mais importantes do século XX e sobrevivente dos gulags soviéticos. Este era um homem que teve experiência em primeira mão de como é ver destruição e assassinato sem remorso. O apagamento dos povos europeus de histórias que foram criadas por europeus e para europeus é uma tentativa de cortar suas raízes. Faz parte do estágio 3, estágio 4, estágio 6 e estágio 7 dos 10 estágios do genocídio de acordo com o Genocide Watch. Como vimos, se você se opuser ao apagamento de sua própria espécie de suas próprias histórias, será chamado de racista, e sabemos que o racismo é cada vez mais patologizado como algum tipo de doença, e os racistas, os doentes.

As 10 estágios do Genocídio
1 – Classificação: Os indivíduos são classificados como “nós e eles”.
2 – Simbolização: Quando combinados com ódio, símbolos podem causar separação entre os diversos grupos.
3 – Discriminação: Um grupo usa costumes ou poder político para negar direitos ao outro.
4 – Desumanização: Um grupo nega a humanidade do outro. O grupo alvo passa a ser comparado com animais, vermes, insetos, ou doenças.
5 – Organização: O genocídio é organizado. Forças especiais ou milícias são armadas e treinadas.
6 – Polarização: Grupos de ódio transmitem propaganda polarizadora.
7 – Preparação: O genocídio é planejado. É espalhado medo nas pessoas do grupo a ser vitimizado.
8 – Perseguição: Vítimas são identificadas e separadas de acordo com etnia e religião e listas das pessoas a serem atacadas são elaboradas.
9 – Execução: “É “extermínio” para os assassinos pois acreditam que suas vítimas não são humanas.
10 – Negação: Os autores negam ter cometidos os crimes.

Trata-se de destruir nossas raízes, nossas identidades. Trata-se de substituição. Assim como uma vez eu acreditei que o Lanterna Verde era e sempre foi um super-herói negro, as gerações futuras irão momentaneamente ou talvez por períodos ainda mais longos de tempo acreditar que Lancelot era negro, que Aquiles era negro, que os anões de Tolkien eram governados por uma rainha negra, que casais élficos interraciais se apaixonaram nos bosques de Lothlórien. E esta é a intenção do apagamento branco.

De que outra forma você pode explicar o desrespeito e o vandalismo gratuitos por essas histórias e contos estimados? De que outra forma você pode explicar as hipocrisias e incoerências?

Anteriormente, aludi a outro aspecto desse apagamento branco e ‘tingimento negro’, que é o uso de diversos elencos e diversas representações de figuras históricas como uma ferramenta política para iluminar tanto os europeus indígenas quanto os recém-chegados de todo o mundo a acreditarem que um nigeriano, um paquistanês e um inglês são todos iguais, têm igual direito ao pedaço de terra verde chamado Inglaterra, e que a herança cultural da Inglaterra pertence a todos os 3 em igual medida. Poucas coisas podem ser mais prejudiciais e mais insidiosas. Poderíamos impedir que todos os barcos carregados de refugiados chegassem às costas europeias, poderíamos deportar algumas centenas de imigrantes ilegais, e poderíamos comemorar isso como pequenas vitórias, mas esse ataque cultural, esse ataque às nossas raízes, é tão maligno e potencialmente catastrófico que o dano causado pela migração em massa real quase não se compara. Também não mostra nenhum sinal de parar. Se são tão intensos e zelosos para substituir personagens brancos por atores de outras raças agora, enquanto eles ainda são a minoria (em alguns países europeus uma minoria muito pequena de fato), imagine o quão intenso e zeloso eles serão daqui há algumas décadas, quando nossa situação demográfica se tornar verdadeiramente distópica. No Reino Unido, a parte B da comunidade BAME é de cerca de 3%. Se algo como Rings of Power é um exemplo de quão desesperadamente nossas elites culturais desejam ‘refletir as mudanças demográficas’ e apaziguar certas populações quando elas estiverem em 3%, exatamente como você acha que a cultura será quando elas estiverem em 15% e a população nativa britânica só diminui?

Ainda acha que estou sendo melodramático? Essa toxicidade corrosiva também está corroendo nossa história coletiva europeia. Tomemos por exemplo as comemorações do centenário do Armistício, o fim da Primeira Guerra Mundial. Uma organização chamada Diversity House no Reino Unido, cujo CEO é uma mulher negra chamada Christine Locke, usou o dinheiro do contribuinte para produzir uma campanha de propaganda que se esforçou para “conscientizar” sobre a participação dos africanos na Primeira Guerra Mundial. A contribuição não-branca para as forças britânicas durante esse período foi quase insignificante, mas a Diversity House garantiu que o foco central de lembrar o sacrifício e a bravura dos soldados britânicos passasse dos britânicos nativos para os africanos e outras minorias étnicas. Como a própria Locke colocou, todo o propósito da campanha era ‘adaptar as atitudes de outros povos’ em relação à herança de outros povos, em particular a dos africanos, [para que eles] percebam que os africanos, na época e agora, têm participação na Grã-Bretanha.

‘Na época e agora’? ‘Têm participação’? Certamente você pode ver isto. Isto é uma reivindicação de terra. Isto é, em termos inequívocos, uma invasão. Isto é uma tentativa de levar os povos europeus nativos a duvidar se a Grã-Bretanha realmente é ou não para os britânicos (quem é britânico?), se a França é ou não para os franceses (quem é francês?), se a Irlanda é ou não para os irlandeses (quem mesmo é irlandês?), se a Europa é ou não para os europeus (aparentemente qualquer um pode ser europeu!).

Durante a cerimónia do centenário realizada em Paris, para assinalar o aniversário do fim dos combates na Frente Ocidental, ou seja, na Europa, uma mulher da África subsariana subiu ao palco e cantou uma canção numa língua que nenhum europeu compreende. E foi assim que a Europa moderna honrou sua derrocada.

A manutenção do fogo

Há pouco que podemos fazer, aqueles de nós que veem essa zombaria e vandalismo e se opõem a isso, para impedi-lo. Muitas vezes, gritamos ‘qual é a solução?’ e detestamos admitir que não há nenhuma. Eu nunca gosto de deixar meus ouvintes ou leitores com a sensação de que tudo está perdido e não há esperança.

Talvez os controladores de nossa cultura irão ainda mais longe. Toda ação tem uma reação igual e oposta. Além de uma seita de esquizofrênicos do Twitter e do Reddit, a maioria das pessoas de todas as raças parece ter respondido negativamente ao sacrilégio da Amazon. Não que isso importe muito. “Quem lacra não lucra” é uma das heurísticas mais tolas que surgiram nos últimos anos. Simplesmente não é verdade, mas o fato de que mais e mais pessoas estão se opondo a essa palhaçada absurda ainda é um bom sinal. Alcançar uma massa crítica de dissidentes, sejam dissidentes políticos ou culturais ou ambos, é uma coisa boa.

Em última análise, no entanto, os atos de vandalismo continuarão. As flechas de nossos inimigos continuarão a perfurar nossos corações, enquanto eles atiram em nós de suas torres de marfim e riem de nossa dor. Se depois de ler isso, você chegou à conclusão de que o que está sendo feito à identidade e à cultura europeia está errado, ou se antes de ler isso você já sabia disso, então uma coisa que você deve fazer é trabalhar para manter o fogo do que resta. Os livros de Tolkien ainda estão conosco. Leia-os para seus filhos. A Ilíada de Homero ainda está conosco. Leia você mesmo. Dominique Venn uma vez a descreveu como a Bíblia Europeia. Ele estava certo.

Se você é uma alma criativa, não deixe que suas ideias permaneçam desabrochadas. Nosso movimento precisa de uma grande arte. Se os controladores de nossa cultura pretendem destruí-la, devemos criar uma nova cultura, que esteja à parte da decadência e destruição causadas por nossos inimigos. Nossa arte não precisa estar cheia de propaganda política, mensagens, metáforas ou alegorias. Simplesmente conte histórias, como fez Tolkien, para seu povo. Não é a melhor das soluções, na verdade quase não é uma solução, mas é o único caminho que podemos tomar agora.

Eu gostaria que não fosse assim. Eu gostaria que isso não tivesse acontecido em nossas vidas. Assim como todos os que vivem para testemunhar esses tempos, mas isso não cabe a eles decidirem. Tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.

 

 

Artigo original aqui

1 COMENTÁRIO

  1. Muito legal esse artigo!

    A meu primeiro contato com este universo de destruição cultural dirigida à uma etnia específica – ainda que sutil, foi assistir o filme “Othello, o mouro de veneza” nos anos 90, a versão do diretor Oliver Parker. Em tempos pré-internet onde a mídia corporativa mandava sem constestações, o filme foi saudado como a versão mais precisa da obra de Shakespeare, ao colocar um ator negro, Laurence Fishburne, para representar Othello. Como o autor deste artigo e seu desenho animado, eu achei que mouro era sinônio de negro… só que não. Ainda que até o momento de assistir o filme eu pudesse colocar a minha ignorância em algum motivo qualquer – quem se interessa por mouros, a não ser historiadores e jornalistas mal intencionados? a verdade é que o meu primeiro contato foi com uma mentira: mouros não são um povo de negros 100% etnicamente puros. Podem ser árabes. O mais preciso possivelmente seja muçulmanos. Considerando que os mouros que invadiram a Europa também vieram da Argélia, Zinédine Zidane poderia representar Othello sem fugir ao original shakespereano.

    “Agora, eles erroneamente acreditavam que os mouros se pareciam exatamente com os africanos subsaarianos (eles não pareciam)”

    O autor diz o mesmo ao se referir ao filme “Robin Hood” com Jamie Foxx interpretando o Little John. O Robin Hood de 1991 tinha um negro inserido de maneira honesta na história e sem essas papagaiadas: Morgan Freeman interpretando um muçulmano.

    “seria um desastre de relações públicas para a Amazon lançar uma série de fantasia totalmente branca na década de 2020.”

    É possível compreender através dessa frase como essas idéias alucinadas da esquerda terrorista – e estatista, se aproximam da propaganda nazista: ignorar o que existe de fato, até que as pessoas achem que não existe. E toda essa onda de cancelamentos e afins acontecendo em um suposto ambiente democrático. Só existe uma democracia legítima: o mercado e a propriedade privada. O resto são projeções do ego de invejosos e niilistas de esquerda…

    “O que importa a cor da pele deles?”, você pode perguntar. ‘É só fantasia. Você poderia fazer os elfos em O Senhor dos Anéis verdes e isso não me incomodaria!”

    É óbvio que importa! senão os comunistas não estariam enpenhados nessa tentativa de genocídio. E aqui não trata-se somente de guerra cultural, mas a busca por uma verdade mais próxima dos fatos. Ou a busca por contar histórias mais próximas de como foram imaginadas pelos autores. Nessas horas eu fico pensando: o quanto toda a história factual e cietificamente comprovada não passam de mentiras a favor de uma agenda de poder mais ampla? ou será coincidência que muitos revisionistas da segunda guerra mundial na Eurora são considerados criminosos? bandido por escrever um livro? como Gerd Honsik, autor do livro “Não havia câmaras de gás em Dachau”, que ficou incríveis 2 anos preso… Que Europa democrática é essa? a narrativa ditadura sanitária covidiana está sendo destruída, mas as elites nem precisaram de tanto tempo para chamar os dissidentes de negacionistas…

    “uma campanha de propaganda que se esforçou para “conscientizar” sobre a participação dos africanos na Primeira Guerra Mundial”

    Uma campanha dos socialistas sempre vai ser parcial, mentirosa e propagandistíca – na acepção de Goebels. Povos negros também lutaram ao lado dos nazistas – ideologia de extrema esquerda. É só pesquisar: Free Arabian Legion. Ser negro é uma questão relativa para a esquerda. É só quando se encaixa nas narrativas. É como respondeu um aloprado “pesquisador” de esquerda chamado Leonardo Marcondes Alves, que chamou de racistas aqueles que argumentam que brancos foram escravizados por negros durante a ocupação da peninsúla ibérica: “Os mouros não são “negros”.

    Quanto a isso eu fico com Malcolm X: “O pior inimigo que o negro tem é esse homem branco que corre por aqui babando pela boca professando amar os negros e se chamando de esquerdista, e é seguir esses esquerdistas brancos que perpetua os problemas que os negros têm. Se o negro não fosse levado, ou enganado pelo esquerdista branco, então os negros se reuniriam e resolveriam seus próprios problemas. Cito essas coisas apenas para mostrar a você que, na América, a história do esquerdista branco não passou de uma série de truques destinados a fazer os negros pensarem que o esquerdista branco resolveria nossos problemas. Nossos problemas nunca serão resolvidos pelo homem branco esquerdista.”

    Eu sempre penso nessa frase quando vejo o Mano Brown e outros chupando rola da esquerda…