O fim da civilização?

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Governos de todo o mundo estão usando a suposta ameaça de uma pandemia de COVID-19 para desligar a economia mundial. Daniel Lacalle, uma autoridade em economia energética, escreve: “A decisão de interromper as viagens aéreas e fechar todos os negócios não essenciais agora é uma realidade nas principais economias globais. Os Estados Unidos proibiram todos os voos europeus ao passo que a Itália entra em um bloqueio completo, a Espanha declara estado de emergência e a França fecha todos os locais e empresas públicas não essenciais.”

Além disso, ele ressalta, os governos não podem resolver os problemas que eles criaram através de programas de gastos massivos e déficits maiores. Essas políticas pioram as coisas: “Os governos implementarão grandes políticas em prol do lado da demanda, que são a resposta errada para a paralisação da economia. A maioria das empresas sofrerá com o colapso das vendas e subsequente do capital de giro, e nada disso será resolvido com gastos deficitários. Você não pode mitigar um choque de oferta com políticas de demanda, que aumentam a dívida e o excesso de capacidade nos setores já endividados e inchados e não ajudam os setores que estão sofrendo um colapso abrupto da atividade.” E a impressão governamental de dinheiro, ou seja, o inflacionismo descarado, é ainda mais perigosa.

Os comentários de Lacalle lembram os comentários perspicazes de Ludwig von Mises. Ele alerta contra tentativas de sustentar políticas desastrosas, imprimindo mais dinheiro. Mises diz: “Nenhuma emergência pode justificar um retorno à inflação. A inflação não pode fornecer nem as armas que uma nação precisa para defender sua independência nem os bens de capital necessários para qualquer projeto. Não cura condições insatisfatórias. Apenas serve como desculpa para os governantes cujas políticas provocaram a catástrofe.” Ele nos diz onde vai parar uma política de inflacionismo: “A inflação é o complemento fiscal do estatismo e do governo arbitrário. É uma engrenagem no complexo de políticas e instituições que gradualmente levam ao totalitarismo.”

Bill Sardi destaca a loucura criminosa da política do governo dos EUA. O governo federal, ele diz, está “disposto a travar a economia, matar empresas, particularmente igrejas e restaurantes que dificilmente terão recursos para reabrir seus estabelecimentos e forçar as pessoas a ficarem em ambientes fechados, uma prática que reduzirá ainda mais os níveis de vitamina D e resultará em infecções generalizadas e morte entre aposentados.” Estados e cidades correram para seguir o exemplo. Los Angeles e São Francisco, por exemplo, estão agora sob ordens drásticas de “shelter-in-place” que exigem que “negócios não essenciais” fechem e proíbe refeições em restaurantes.

Para entender melhor o que está acontecendo, precisamos da orientação de dois grandes pensadores, Ludwig von Mises e Murray Rothbard. Eles nos ensinam uma lição vital. A civilização depende da divisão internacional do trabalho. Destruir a divisão do trabalho nos levaria ao caos. A vida como conhecemos não pode sobreviver sob um sistema de autarquia econômica.

Rothbard explica esse princípio essencial em “Liberdade, Desigualdade, Primitivismo e Divisão de Trabalho: “Ninguém pode desenvolver plenamente suas capacidades em qualquer direção sem se especializar. O homem da tribo ou camponês primitivo, vinculado a uma série interminável de tarefas diferentes para se manter, não conseguia ter tempo ou recursos disponíveis para desenvolver ao máximo qualquer interesse particular. Ele não tinha oportunidade para se especializar, para desenvolver qualquer campo em que estivesse melhor ou em que estivesse mais interessado. Duzentos anos atrás, Adam Smith apontou que a divisão do trabalho em desenvolvimento é a chave para o avanço de qualquer economia acima do nível mais primitivo. Condição necessária para qualquer tipo de economia desenvolvida, a divisão do trabalho também é necessária para o desenvolvimento de qualquer tipo de sociedade civilizada. O filósofo, o cientista, o construtor, o comerciante – ninguém poderia desenvolver essas habilidades ou funções se não tivesse oportunidade para se especializar. Além disso, nenhum indivíduo que não viva em uma sociedade que desfrute de uma ampla gama de divisões de trabalho pode empregar suas capacidades ao máximo. Ele não pode concentrar sua capacidade em um campo ou disciplina e avançar nessa disciplina e em suas próprias faculdades mentais. Sem a oportunidade de se especializar no que pode fazer melhor, ninguém pode desenvolver suas capacidades ao máximo; nenhum homem, então, poderia ser completamente humano.

Embora seja necessária uma divisão do trabalho contínua e progressiva para uma economia e sociedade desenvolvidas, a extensão desse desenvolvimento a qualquer momento limita o grau de especialização que uma determinada economia pode ter. Portanto, não há espaço para um físico ou um engenheiro de computação em uma ilha primitiva; essas habilidades seriam prematuras no contexto dessa economia. Como afirmou Adam Smith, “a divisão do trabalho é limitada pela extensão do mercado”. Portanto, o desenvolvimento econômico e social é um processo que se reforça mutuamente: o desenvolvimento do mercado permite uma divisão mais ampla do trabalho, o que, por sua vez, possibilita extensão do mercado.”

Mises escreve da mesma maneira: “O fenômeno social fundamental é a divisão do trabalho e sua contrapartida a cooperação humana. A experiência ensina ao homem que a ação cooperativa é mais eficiente e produtiva do que a ação isolada de indivíduos auto-suficientes. As condições naturais que determinam a vida e o esforço do homem são tais que a divisão do trabalho aumenta a produção por unidade de trabalho gasta”. A divisão do trabalho, Mises nos diz, é a chave para o desenvolvimento da civilização. Ele diz: “Concebemos que incentivo induziu as pessoas a não se considerarem simplesmente rivais na luta pela apropriação do suprimento limitado de meios de subsistência disponibilizados pela natureza. Percebemos o que as impeliu e as impele permanentemente a se associarem por uma questão de cooperação. Cada passo adiante no caminho para um modo mais desenvolvido de divisão do trabalho atende aos interesses de todos os participantes.”

Neste momento, governos de todo o mundo querem que desistamos disso. O abandono da divisão internacional do trabalho atingirá a África, dependente do comércio para a simples sobrevivência, de maneira mais severa. Para qual finalidade o sistema econômico mundial cuidadosamente forjado está sendo desmantelado? A disseminação do COVID-19 exige que destruamos a economia mundial? Aqui podemos aprender com outro pensador proeminente, Ron Paul, que é médico e pode dar uma análise especializada da propaganda médica do governo. Ele diz: “On Face the Nation, [Dr. Anthony] Fauci fez o possível para prejudicar ainda mais a economia já em declínio, afirmando: ‘Agora, pessoalmente, eu não iria a um restaurante’. Ele pressionou para fechar o país inteiro por 14 dias.

Por causa de que? Um vírus que até agora matou pouco mais de 5.000 em todo o mundo e menos de 100 nos Estados Unidos? Por outro lado, a tuberculose, uma doença antiga pouco discutida atualmente, matou quase 1,6 milhão de pessoas em 2017. Onde está o pânico com isso?

De qualquer forma, o que pessoas como Fauci e os outros vendedores de medo estão exigindo provavelmente piorará a doença. A lei marcial com a qual sonham deixará as pessoas acuadas dentro de suas casas, em vez de irem para as ruas ou para a praia, onde o sol e o ar fresco ajudariam a aumentar a imunidade. O pânico produzido por esses traficantes de medo provavelmente está ajudando a espalhar a doença, à medida que multidões maciças entram no Walmart e Costco para disputarem o último rolo de papel higiênico.” Ben Swann apoia o ceticismo de Ron Paul com uma análise cuidadosa das estatísticas da Organização Mundial da Saúde neste importante vídeo:

Mesmo que o vírus COVID-19 seja mais grave do que os céticos nos dão motivos para achar que seja, podemos superar isso. Não podemos sobreviver ao fim da divisão do trabalho. Seria o fim da civilização como a conhecemos.

 

Artigo original aqui.

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