O homem coletivo e a síndrome da adoração pela autoridade

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Atualmente, vivemos em tempos terríveis, no qual o homem coletivo — que pode ser compreendido como um agrupamento de homens fracos, histéricos e covardes, que cultivam um medo patológico do mundo e da realidade — depositam toda a sua confiança no estado onipotente para tomar conta de todos os aspectos de suas vidas.

A ditadura do estado corporativo farmacêutico deixou isso em franca evidência. Aqueles indivíduos que lutaram corajosamente pela preservação da liberdade invariavelmente acabaram se tornando o alvo oportuno do ódio tirânico e autoritário das massas de sujeitos fracos, histéricos e covardes, que passaram a exigir a submissão de todos ao estado onipotente, em nome de uma suposta preservação da saúde pública.

Evidentemente, o que tivemos durante a ditadura covid foi o clássico exemplo de uma sociedade que renunciou à liberdade em troca da promessa de segurança; segurança essa que nunca existiu de fato. O que o estado pode oferecer em qualquer caso à população, na mais promissora das hipóteses, é uma falsa sensação de segurança, através de medidas opressivas, desumanas e restritivas, como as que foram estabelecidas durante a ditadura sanitária.

No caso do covid, essa falsa sensação de segurança foi vendida com grande facilidade, pois a mídia mainstream se empenhou como nunca em executar a mais frenética e implacável campanha de medo e terror psicológico da história, disseminando a pandemia como o pior e mais mortífero de todos os acontecimentos. Evidentemente, as massas ficaram temerárias, alarmadas e rapidamente cederam à narrativa de pavor e pânico. Quem permaneceu atento aos fatos, no entanto, percebeu imediatamente os exageros contidos no alarmismo histérico da mídia mainstream.

Durante a ditadura covid, a síndrome de adoração pela autoridade, em virtude das circunstâncias, tornou-se incrivelmente perceptível, embora não fosse uma exclusividade da pandemia. No entanto, ela foi exacerbada em função do pânico e da histeria de massa turbinada pela mídia. Então a militância woke, popularmente conhecida como geração floquinho de neve — com seu medo crônico da vida e da realidade — começou a suplicar com extrema intensidade pela proteção do deus-estado, da mesma forma que passou a demonizar com ferocidade todos aqueles que lutavam pela manutenção das liberdades individuais, se atrevendo a classificar tais pessoas como genocidas que constituíam uma ameaça à sociedade.

Esses fatos mostraram de forma incontestável que a síndrome da adoração pela autoridade é proporcional à quantidade de homens fracos, histéricos, covardes, submissos e altamente manipuláveis que existem em uma sociedade. Afinal, quanto mais sujeitos dessa espécie existirem, mais brutal, tirânica e apoiada pela opinião pública será a ditadura. Por outro lado, quanto mais masculinos, destemidos e independentes forem os homens de uma sociedade, menor será a capacidade do estado para subjugar os indivíduos e reforçar a tirania, visto que homens genuinamente masculinos não aceitam ser subjugados ou dominados.

Para a geração floquinho de neve, no entanto, o estado é uma espécie de entidade divina, que não deve jamais ser questionada ou desobedecida. Obediência, servidão e submissão incondicional para essas pessoas são virtudes, não defeitos. Por conseguinte, todos os elementos da sociedade que se recusam a desenvolver tais “virtudes” são considerados uma ameaça para a manutenção do sistema e da ordem social vigente, pois eles não integram o coletivo de cordeirinhos dóceis e subservientes que agem como autômatos programados para obedecer.

Por essa razão, tais circunstâncias são potencialmente explosivas, pois elas colocam em lados conflitantes o indivíduo e o homem coletivo. Essas duas classes de homens não podem coexistir na mesma sociedade, pois eles possuem objetivos de vida, conceitos, propósitos e visões de mundo completamente distintas. Invariavelmente, o indivíduo e o homem coletivo estarão em lados opostos, em uma condição de total oposição e conflito permanente, um em relação ao outro. O que é natural, visto que o indivíduo luta por liberdade e autonomia, enquanto o homem coletivo anseia por obediência e submissão.

O indivíduo pensa, age e raciocina de acordo com princípios éticos. O homem coletivo, por outro lado, simplesmente obedece. Ele não se importa se as ordens que ele recebeu são moralmente salutares ou corretas. Ele simplesmente deseja que os decretos proferidos pelo supremo deus-estado sejam devidamente executados e cumpridos por todos os membros da sociedade. Ele não tem nenhuma outra pretensão que não a obediência incondicional e absoluta. Isso pode ser explicado porque — de acordo com o seu distorcido código de valores —, ele vê a obediência como a cobrança justa pela proteção e a segurança do estado.

Ao ver indivíduos pensando e raciocinando por conta própria — e consequentemente se recusando a obedecer ordens que não podem ser vistas senão como um conjunto de imposições inerentemente opressivas e imorais —, o homem coletivo se sente frustrado, pois ele sabe que as ordens que ele obedece são intrinsecamente criminosas. No entanto, ele é covarde demais para se rebelar contra o sistema. Ele se sente mais confortável sendo apenas mais um servo na multidão. E exatamente por conta dessa atitude de obediência incondicional ele é e sempre será um homem coletivo.

Em função do medo da verdade e do condicionamento psicológico recebido pela doutrinação (que ele tem receio de reconhecer como tal, pois seria obrigado a admitir que foi totalmente enganado), o homem coletivo precisa prosseguir incólume no seu caminho decadente rumo à obediência resoluta. A análise psicológica da obediência cega nos conduz diretamente à uma associação com a falsa sensação de segurança. O que é um desejo inerente de todos os homens fracos, que irão priorizar a segurança com relação à liberdade.

Portanto, para o homem coletivo — em função de sua covardia crônica —, acaba sendo mais conveniente persistir no erro. Para reconhecer que está errado, ele teria necessariamente que possuir virtudes como coragem, bondade, um grau moderado de capacidades intelectuais e analíticas e um espírito indômito. Por não possuir nenhuma dessas qualidades, no entanto, ele não pode fazer absolutamente nada a não ser persistir no erro.

Obviamente, não devemos esperar nada de quem não tem nada para oferecer. O homem coletivo, por estar completamente destituído de valores e virtudes, não tem como se posicionar a favor do que é correto, prudente e moralmente salutar. Ele sempre irá optar por trilhar e percorrer o caminho mais fácil.

De maneira que concluímos que a síndrome da adoração pela autoridade é o refúgio instintivo do homem coletivo. Por não ter moralidade nem valores próprios, ele considera o estado como o guardião absoluto da verdade suprema, e das resoluções oficiais da divindade estatal procedem as crenças responsáveis pela sua falsa sensação de segurança, cujas prerrogativas terão prioridade em sua vida saturada de medos irracionais. Portanto, quando vê alguém que questiona ou contesta o estado onipotente e suas resoluções, o homem coletivo encara isso como um ataque pessoal ao seu próprio refúgio de paz e segurança, pois ele genuinamente acredita que o estado existe para servir, resguardar e proteger a população.

Consequentemente, pela manutenção dessa falsa sensação de segurança, o homem coletivo estará sempre disposto a ir até as últimas consequências. Se as autoridades exigirem, ele denunciará todas as pessoas próximas a ele que cometerem o “crime” de não cumprir os decretos e as resoluções oficiais, pois o homem coletivo encara a displicência dos indivíduos com relação às imposições governamentais como uma ameaça inaceitável à segurança e a ordem social vigente.

Em virtude de suas crenças, portanto, é inevitável que o homem coletivo se apegue tanto à obediência. Como ele vê o estado como a autoridade máxima que zela pela paz e pela segurança da sociedade, este tipo de sujeito realmente acredita que o interesse máximo do governo é o bem-estar geral da população. Pensar em termos coletivos é natural para o homem coletivo, pois os seus limitados condicionamentos cognitivos não o permitem reconhecer a existência do indivíduo. Por essa razão ele encara todos os desobedientes e dissidentes como criaturas terrivelmente sórdidas e imorais, que não possuem respeito ou consideração pelo coletivo.

O homem coletivo, no entanto, age dessa maneira justamente por estar completamente destituído de valores e virtudes genuinamente masculinos. Por ser fraco, covarde e cultivar um medo patológico da vida, ele se apega rapidamente à primeira entidade que lhe ofereça alguma sensação de segurança. Quem geralmente assume esse papel é o estado; portanto, o homem coletivo será sempre um estatista fanático, uma criatura deplorável e infantil que demanda pela tirania paternalista das autoridades governamentais, sempre motivada pela imensurável mediocridade de sua personalidade vazia, controlada por temeridades coletivas insalubres, exageradas e frequentemente desproporcionais.

O homem coletivo é, por sua própria definição, o homem destituído de qualidades, virtudes e masculinidade. Completamente vazio, tudo o que ele sabe fazer é obedecer cegamente ao onipotente deus-estado; quando vê indivíduos com discernimento e capacidade de raciocínio  que pensam por conta própria, ele se sente desolado, contristado, contrariado e perdido. Consequentemente, com receio profundo de confrontar o seu código de valores pessoais — ou antes constatar a ausência deles —, o grau profundamente irreversível de mediocridade da sua personalidade fraca leva o homem coletivo a invariavelmente demonizar e desmoralizar os indivíduos divergentes, aqueles que destoam da manada de serviçais obedientes. E então ele vai berrar, espernear e gritar encolerizado como uma criança teimosa e intransigente, exigindo proteção e amparo legal do papai-estado. Por extensão, ele também exigirá que todos aqueles que não se comportam como cordeirinhos dóceis e obedientes sejam presos e paguem pelo “crime” de não se comportarem como escravos submissos.

Analisando em um grau ainda mais profundo e abrangente, a tolerância da sociedade ao governo — e a própria existência do estado — estão diretamente relacionadas ao fato de que o homem coletivo existe em grande quantidade, constituindo possivelmente a grande maioria das pessoas. O homem chorão, histérico, inseguro, medroso e idólatra necessita de amparo contra as inseguranças da vida. E demagogos políticos estão sempre oferecendo a ele exatamente o que ele quer — uma falsa sensação de segurança contra as intempéries da realidade.

Sua fragilidade, covardia e submissão compram com facilidade todas as ilusões de segurança e estabilidade que os oportunistas políticos oferecem. E em sua delirante ingenuidade, o homem coletivo aceita tudo isso com enorme felicidade. Incapaz de compreender como a realidade efetivamente funciona, o homem coletivo vive saturado no oceano de sua irreparável covardia e de sua imensurável mediocridade.

Infelizmente, nos iludimos se acreditamos que ele pode despertar através de diálogos, raciocínio ou esclarecimento intelectual. O homem coletivo não está interessado em liberdade, nem sequer no mais ínfimo grau. Muito pelo contrário, ele possui aversão a tudo o que está relacionado a ela. O homem coletivo foi doutrinado e programado para obedecer ordens. Ele quer estabilidade e segurança. E ele vai berrar, xingar, espernear e gritar até ficar rouco para conseguir isso. E quem oferece isso é o estado, o deus supremo e onipotente que ele jurou amar e obedecer incondicionalmente, acima de tudo. O que o homem coletivo deseja, acima de tudo, é adorar, venerar e obedecer. Esses são os seus maiores e mais elevados objetivos de vida. Como um autômato perfeitamente programado, ele jamais mudará seus condicionamentos, atitudes, crenças ou convicções.

O homem coletivo é incompatível com a liberdade e com uma sociedade livre, assim como sua existência é e sempre será — por extensão — incompatível com a ética do princípio de não-agressão. O homem coletivo é idólatra por natureza e sua maior prioridade é a obediência. Nenhuma libertação intelectual poderá mudá-lo. Com uma personalidade comprometida demais pela doutrinação estatal, o homem coletivo está além de qualquer possibilidade de redenção ou salvação.

Por ser a maioria na sociedade, no entanto, o homem coletivo é justamente a classe que dá um amparo praticamente interminável para a expansão da tirania do estado. De maneira que o indivíduo precisa se perguntar quem é realmente o seu maior inimigo: o estado, que executa a tirania, ou o homem coletivo, que aprova e exige a sua execução?

A existência do homem coletivo mostra que os inimigos da liberdade estão por todos os lados. O estado é apenas a manifestação maior de sintomas severos — como temeridade e desespero — que pululam com sofreguidão por todos cantos da sociedade, e se alimentam justamente de todas as neurastenias patológicas do homem coletivo, o supremo soberano da covardia absoluta, que acredita na falácia da ilusão de segurança e está disposto a violar princípios éticos sagrados em sua exigência coletiva por obediência irracional ao estado onipotente.

3 COMENTÁRIOS

  1. “O homem chorão, histérico, inseguro, medroso e idólatra necessita de amparo contra as inseguranças da vida”

    Existem alguns libertários com este perfil ou algo próximo disso. Ainda que legitimamente anti-homem coletivo e anarquistas de propriedade privada, seu comportamento em si mesmo não é uma barreira contra a gangue de ladrões e larga escala estatal. O nosso Murray fucking Rothbard queria se afastar dessa gente, que não considerava comapanheiros de viagem. Vem daí o movimento paleo-libertário – entre outros fatores.

    É por isso que a defesa contra o estado requer um tipo de masculinidade que é mais ampla do que ser apenas libertário. É preciso um tipo de inserção na sociedade através da família, das religiões cristãs – de preferência o catolicismo romano, e algum valor no trabalho, mas não necessariamente no trabalho duro, algo que é favorável a agenda estatal defendida pelos canalhas do liberalismo.