Os anticapitalistas de hoje estão mais próximos do fascismo do que eles pensam

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Por trás da crise econômica provocada pelas pandemias de COVID-19, estamos testemunhando – mais uma vez – os autointitulados economistas, historiadores e especialistas tentando proclamar o fracasso do capitalismo. Suas críticas à organização capitalista de cooperação e coexistência humana são diversas, mas há três tipos de ataques ideológicos contra o capitalismo que me parecem ocorrer com mais frequência do que outros.

Há um elemento sobre o anticapitalismo que geralmente é negligenciado: embora o anticapitalismo esteja geralmente associado ao socialismo e aos movimentos de esquerda, podemos encontrar a mesma mentalidade anticapitalista na ideologia fascista. Como Thomas DiLorenzo apontou em sua última palestra na Mises U sobre o assunto, o fascismo é apenas um tipo particular de socialismo – assim como o próprio comunismo. Portanto, o fato de fascistas e comunistas compartilharem o mesmo desprezo pelo capitalismo não deve surpreender ninguém.

A melhor maneira de entender a mentalidade anticapitalista do fascismo – e quão próximos os argumentos dos anticapitalistas contemporâneos estão dos de Benito Mussolini – é ler o ensaio de Mussolini, de 1932, intitulado “A Doutrina do Fascismo“, escrito em conjunto com Giovanni Gentile (o ideólogo filosófico reconhecido do fascismo).

O ataque que Gentile e Mussolini fazem contra o capitalismo é (pelo menos) triplo, e sua retórica subjacente não é diferente da dos movimentos anticapitalistas contemporâneos e supostamente antifascistas. Primeiro, Gentile e Mussolini defendem um papel maior para o governo na economia. Segundo, condenam o individualismo metodológico e político, afirmando a importância do coletivismo e das identidades coletivas. Terceiro, eles culpam o “economismo” e o papel que as restrições econômicas desempenham na formação do comportamento humano, deplorando o materialismo e defendendo governos que transcendem as leis praxeológicas e sociológicas da economia.

Defendendo cada vez mais intervenção do governo

O primeiro passo que os anticapitalistas dão quando se trata de argumentar a favor de um governo maior é menosprezar a liberdade e o liberalismo clássico. No parágrafo intitulado “Rejeição do liberalismo econômico – admiração a Bismarck”, Gentile e Mussolini escrevem que “o fascismo é definitiva e absolutamente contrário às doutrinas do liberalismo [clássico], tanto na esfera política quanto na econômica”. Isso não soa familiar? É tão diferente dos apelos de muitos esquerdistas para se repensar o neoliberalismo e o capitalismo?

Alguns parágrafos depois (“A Primazia Absoluta do Estado”), os dois fascistas – comentando sobre o que eles acreditavam ser o fracasso epitômico do capitalismo, a saber, a recessão mundial de 1929 – afirmam que as crises econômicas “só podem ser resolvidas pela ação do Estado e dentro da órbita do Estado”. Isso difere muito da defesa dos esquerdistas contemporâneos (melhor: social-democratas) por políticas intervencionistas e suas tentativas de colocar o capitalismo sob controle governamental mais rígido?

Se não estava claro o suficiente, apenas algumas linhas antes (no início do mesmo parágrafo), Mussolini e Gentile mostram o que eles querem dizer, na prática, com seu desprezo pelo liberalismo clássico. De fato, eles culpam o estado mínimo liberal clássico por “restringir suas atividades somente a registrar resultados” decorrentes da dinâmica econômica, em vez de “dirigir o jogo e orientar o progresso material e moral da comunidade”. Onde, novamente, está a diferença com os esquerdistas promovendo maior intervencionismo? Ou pedindo um governo maior, capaz de dirigir os mercados, a fim de promover sua própria ideia de justiça social?

No final, quando se trata de assuntos econômicos, anticapitalistas modernos (de esquerda) e fascistas “clássicos” são a favor de um estado altamente intervencionista.

O fascismo elogia o coletivismo e despreza o individualismo

A abordagem filosófica visceralmente anti-individualista do fascismo é claramente apresentada ao longo de todo o ensaio. Por exemplo, no parágrafo apropriadamente intitulado “Rejeição do Individualismo e a Importância do Estado”, a ideologia fascista é explicitamente rotulada como “antiindividualista”, na medida em que o fascismo “enfatiza a importância do Estado e só aceita o indivíduo na medida em que seus interesses coincidam com os do Estado”.

Novamente, esse tipo de retórica não soa familiar? É tão diferente dos defensores da antiglobalização e anticapitalistas contemporâneos que argumentam contra, digamos, a globalização econômica, porque – em suas perspectivas iliberais – beneficia apenas capitalistas e empreendedores, negligenciando as necessidades da coletividade e o bem-estar final da nação? Eles não conseguem ver o quão perto sua interpretação dos fenômenos sociológicos e econômicos modernos está do ponto de vista fascista? Um empresário deve abster-se de negociar livremente com parceiros globais apenas porque o alegado interesse de sua nação (ou coletividade) seria preservar o emprego interno nacional? Os liberais clássicos definitivamente responderiam que não, enquanto anticapitalistas, ativistas da antiglobalização e fascistas todos juntos responderiam que sim.

No final, quando se trata de equilibrar os interesses dos indivíduos contra os interesses das coletividades e da nação, muitos anticapitalistas modernos não são diferentes dos fascistas “clássicos”.

Fascismo: antimaterialismo e governo onipotente

Por fim, muitos anticapitalistas contemporâneos (de esquerda) compartilham com a retórica fascista tanto uma espécie de antimaterialismo utópico quanto uma espécie de ideia mística da missão que os estados e governos possuem.

De fato, a ideia de que um Estado não deve aceitar passivamente os resultados de interações econômicas livremente escolhidas e trocas voluntárias é amplamente adotada pelos anticapitalistas modernos (de esquerda). Analogamente, nas últimas linhas do parágrafo intitulado “Rejeição do liberalismo econômico – admiração a Bismarck”, Mussolini e Gentile culpam o liberalismo clássico pelo “agnosticismo que ele professou na esfera da economia e … na esfera da política e da moral”.

Em outras palavras: os fascistas, assim como os anticapitalistas modernos, não podem aceitar que os seres humanos que maximizam o bem-estar naturalmente procuram se envolver em trocas que cada pessoa acha que a farão melhorar. Em vez disso, os anticapitalistas gostariam de substituir por escolhas “moralmente superiores” impostas aos consumidores pelo Estado.

Conclusão

Como Cícero afirmou, “Historia magistra vitae“. O conhecimento da história é útil para evitar erros do passado. No que diz respeito ao anticapitalismo, todos os seus ramos compartilham entre si mais do que seus promotores estão dispostos a admitir. Mais precisamente, toda ideologia anticapitalista promove o intervencionismo governamental, o desprezo pela liberdade individual, o antimaterialismo e uma visão mística do papel e da natureza do governo. Todos eles começam com anticapitalismo; todos terminam com ditaduras, massacres, guerras e miséria.

 

Artigo original aqui.

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