Os progressistas, a vacinação, e o Covid-19

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O último ano trouxe para o primeiro plano uma nova questão proxy na luta política entre progressistas e conservadores: as vacinas contra Covid-19. Na prática, trata-se de uma extensão da questão do tratamento para a doença, que começou bem cedo na tal “pandemia”.

Antes de tudo, acho importante fazermos uma breve retrospectiva de como começamos: no início de 2020, a sociedade mundial sofreu um bombardeio de saturação midiático sem precedentes, que conseguiu plantar firmemente na consciência coletiva a ideia do Covid-19 como uma doença com características aterrorizantes e nunca antes vistas: o vírus sobrevive por dias ou até semanas em superfícies inertes! O vírus pode ser transmitido por pessoas sem nenhum sintoma! Se não nos trancarmos em casa, os netinhos matarão suas vovozinhas sem saberem!

Desde então, demonstrou-se amplamente, tanto pela experiência no dia-a-dia quanto por estudos científicos, que todas essas supostas características quase sobrenaturais do Covid-19 foram exageradas em várias ordens de magnitude por uma classe midiática que, aparentemente, estava exultando com níveis de atenção de que não gozavam há muito tempo. De fato, declararam pomposamente que a “pandemia” aumentou a confiança da população na mídia.

É difícil exagerar o impacto dessa narrativa da “doença alienígena assassina” sobre as percepções populares e as reações estatais. Logo no início, instaurou-se um grau de obsessão coletiva não visto desde os experimentos totalitários messiânicos do século XX, como o comunismo e o nazismo. Se o caboclo disputasse a narrativa dominante da Doença Totalmente Diferente De Tudo Que Já Se Vira, estava sujeito a ser “cancelado” com uma rapidez e totalidade que devem ter deixado verdes de inveja os ativistas de causas progressistas mais tradicionais, como ambientalismo, antirracismo, etc.

Possivelmente o resultado mais impactante dessa narrativa foi o “cancelamento”, por tabela, de qualquer tratamento não-hospitalar. Apesar de o Covid-19 ser uma doença respiratória extremamente similar, em seus sintomas, às gripes, resfriados e pneumonias com os quais a humanidade e a ciência médica estão mais que acostumadas, todos os tratamentos tradicionais para essas doenças, como profiláticos antivirais e anti-inflamatórios esteroidais, foram absolutamente dizimados na opinião pública moldada pela mídia. Remédios perfeitamente seguros e eficazes nos tratamentos de outras doenças foram não só tratados com suspeita, mas efetivamente proibidos, e sujeitados a campanhas de difamação dignas de um tribunal soviético.

À medida que fica mais difícil suprimir as crescentes evidências de que existem tratamentos não-invasivos, baratos e eficazes contra infecções de Covid-19, aqueles que participaram jubilosamente das campanhas de difamação – desde altos oficiais, passando pelos censores das Big Techs, e chegando até os acólitos progressistas permanentemente grudados na CNN – deverão chegar a um acordo com suas consciências, e quaisquer consequências legais e espirituais, relacionadas aos incontáveis milhares de pacientes que ficaram em casa sem tratamento até que não pudessem mais respirar, e então sujeitados a um tratamento terminal agressivo com altas chances de óbito.

Mas vamos às vacinas. Com os tratamentos cancelados, e o “novo normal” dos lockdowns se tornando política e economicamente insustentável, surgiram as vacinas como a salvação progressista. É necessário notar que as vacinas, desde sua introdução para a varíola, têm sido uma causa progressista par excellence: um tratamento eminentemente “científico” e contraintuitivo (infectar para imunizar), que funciona melhor quando aplicado em massa devido à natureza infecciosa das doenças, e envolve a introdução invasiva de agentes externos no corpo. Algo que praticamente grita “política pública”, com um histórico bem-sucedido para certas doenças famosas (como a pólio e a própria varíola), e que permanece sendo alvo de suspeita de certos grupos minoritários, garantindo assim a existência de um inimigo permanente para unir os fiéis. A vacinação tem um lugar de honra de longa data no panteão das causas progressistas.

Trata-se, então, de uma conjunção de fatores perfeita para a elevação das vacinas a um status de quase divindade; e consequentemente a condenação, sem possibilidade de redenção, de qualquer sujeito temerário o suficiente para levantar a mão e dizer “mas veja bem…”

No entanto, apesar do status de que gozam por terem recebido o título de “vacina”, as injeções preventivas contra Covid-19 são um caso especialíssimo, que as colocam em uma categoria qualitativamente diferente desse velho cavalo de guerra progressista. Vejamos alguns pontos:

  1. As injeções mais populares e mais ardentemente defendidas empregam uma tecnologia que nunca antes foi usada em nenhum medicamento aprovado para uso humano: a cooptação do mecanismo de RNA mensageiro do corpo para produzir um “pedaço” específico, supostamente inofensivo, do patógeno em questão; isso, por sua vez, estimula a produção de anticorpos contra aquele pedaço do patógeno – diferentemente do expediente tradicional de “enfraquecer” um patógeno completo. A imunização por introdução de mRNA é uma tecnologia que gerou preocupações sérias em pesquisas anteriores, particularmente porque anticorpos têm uma função inflamatória, e anticorpos ineficazes podem levar a uma reação desregulada e perigosa do sistema imune.
  2. Independentemente da tecnologia específica, as inoculações contra Covid-19 foram levadas a mercado em tempo recorde, com padrões de teste extremamente anêmicos, e sem nenhuma avaliação dos efeitos de longo prazo. Aprovadas para uso emergencial sob pressão política, em meio a uma histeria em massa, com garantia de imunidade legal contra efeitos colaterais para seus fabricantes, havia uma verdadeira floresta de bandeiras de alerta para qualquer pessoa preocupada com o histórico duvidoso da indústria farmacêutica.
    Ironicamente, foi o presidente americano Donald Trump, bête noire dos progressistas e apoiador da hidroxicloroquina, que viabilizou o desenvolvimento e aprovação extremamente rápidas das novas injeções, através de sua “operação Warp Speed”, com o apoio de seu controverso assessor Anthony Fauci.
  3. As “vacinas” contra Covid-19 não imunizam. As grandes histórias de sucesso da vacinação – varíola, pólio, sarampo – foram caracterizadas por uma injeção que tornava o indivíduo inoculado praticamente imune àquela doença pelo resto da vida. O Covid-19, por sua vez, sendo um vírus respiratório da mesma categoria que gripes e resfriados, é conhecido por sua alta taxa de mutação. Há muito tempo é sabido, tanto por especialistas médicos quanto pelo público em geral, que não é possível produzir uma vacina de longo prazo contra esse tipo de doença. Quando as vacinas contra Covid-19, apesar de ampla e exagerada propaganda sobre sua eficácia (e o cancelamento daqueles que duvidaramapesar de estarem perfeitamente corretos), se mostraram incapazes de prevenir a infecção ou a transmissão entre os vacinados, os defensores oficiais das injeções chegaram ao fundo do poço absolutamente patético de mudar a definição de “vacina”.
  4. Por último, existe ampla evidência de que as “vacinas” contra Covid-19 são muito mais perigosas do que qualquer outra vacina já aplicada na população em geral. O VAERS, sistema oficial americano para registro de reações adversas pós-vacinação, praticamente explodiu após a introdução da inoculação em massa contra Covid-19. Foram registradas, em meses, múltiplas vezes as reações adversas que tinham sido registradas no decorrer das décadas anteriores de funcionamento do sistema. Inflamação do coração, e outros problemas cardiovasculares potencialmente fatais, especialmente em jovens do sexo masculino, são efeitos colaterais admitidos até mesmo pela mídia mainstream (que se esforçam sempre para incluir o caveat “…mas a injeção continua sendo maravilhosa e recomendada!”), e o motivo pelo qual uma injeção específica (a da empresa Moderna), foi suspensa em vários Estados europeus.

Todos esses fatos pintam uma imagem clara: o objetivo da narrativa mainstream não é proteger a população de nenhuma doença, mas sim proteger a imagem imaculada da palavra “vacina…” e também os pescoços daqueles que demonizaram, por razões políticas, o uso voluntário de qualquer outro tratamento.

Tendo sido criado em um ambiente piamente progressista, eu entendo bem a identificação fortíssima com a vacinação sentida por aqueles que se consideram defensores da ciência e da razão. Minha mensagem final é direcionada justamente a esses progressistas de longa data, que se sentem obrigados a defender a todo custo as injeções contra Covid-19: tenha muito cuidado ao sacrificar sua integridade em defesa de uma narrativa, por mais que os veiculadores dessa narrativa se digam partidários da ciência. As chamadas “vacinas” de mRNA, inseridas no mercado sem a devida diligência, não são as mesmas vacinas de segurança e eficácia demonstradas que você tem defendido por toda a vida.

Ao defender a demonização de todos aqueles que não se encaixam na narrativa oficial, você não está defendendo a ciência. O que você está fazendo é inibindo a discussão aberta, uma atitude autoritária que nunca trouxe nada de bom, e associando a palavra “ciência” a uma operação de propaganda e censura sem precedentes. Você está sabotando a reputação da ciência junto às massas, as quais percebem, cada vez mais claramente, que aquilo que elas escutam dos cientistas entrevistados pela mídia “respeitável” não corresponde à realidade.

Em outras palavras, abraçar o obscurantismo oficial não é uma estratégia viável para impedir o avanço do obscurantismo popular.