Quando fiz um tour por Berlim Oriental com Murray Rothbard

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O ano de 1982 mudou minha vida. Também foi o ano em que conheci Murray Rothbard e fiz um tour pelo que então era Berlim Oriental com ele e sua esposa – e algumas outras pessoas. E graças a Rothbard e outros na escola austríaca de economia, fui capaz de entender por que os comunistas acharam necessário construir um muro para impedir as pessoas de deixar seu país.

Coloquei muito material nesse primeiro parágrafo e preciso explicar algumas coisas. No início de 1982, eu era um professor de estudos sociais na Rossville (Geórgia) Junior High School e decidi entrar em um concurso de ensaios de econômica patrocinado por Olive Garvey, cujos vencedores apresentariam seus trabalhos nas reuniões da Mont Pelerin Society a serem realizadas em Berlim Ocidental em setembro desse ano. Fui apresentado à economia austríaca um ano antes pelo falecido William H. Peterson e, embora soubesse que não tinha chance de ganhar nada, entrei na competição de qualquer maneira.

Felizmente para mim, fomos atingidos por uma rara tempestade de neve que manteve as escolas fechadas por uma semana, o que me deu tempo para escrever diversos rascunhos. Finalmente digitei a versão que gostei e enviei – e então esqueci completamente dela. Poucos meses depois, recebi um telefonema dizendo que tinha ganhado, então fizemos planos de viajar para a Alemanha. O fato de eu ter ficado em primeiro lugar ainda me surpreende, já que eu realmente sabia muito pouco sobre economia e a escola austríaca e nem sequer pensava em fazer a pós-graduação.

Durante o verão, antes de ir para a Alemanha, li o clássico A grande depressão americana de Rothbard, bem como escrevi uma série de artigos que foram aceitos pelo The Freeman. Tendo também lido Livre para escolher de Milton Friedman, eu rapidamente percebi que a tese de Rothbard diferia muito da narrativa padrão “o Fed não inflou o suficiente” que era o mantra de Alan Greenspan e Ben Bernanke quando eles enfrentaram crises criadas pelo próprio Fed. O livro de Rothbard foi para mim uma experiência educacional que não esqueci e, quase quarenta anos depois, ainda o uso como ferramenta de ensino.

Como eu era muito novo no pensamento econômico (e na escrita), não estava familiarizado com muitos dos “grandes nomes” da economia da época. Eu tinha lido Ludwig von Mises e FA Hayek (graças a Bill Peterson, que me considerava um protegido), bem como qualquer outra coisa que pude encontrar sobre economia austríaca nesta era pré-Internet, mas minha educação econômica estava em sua infância e eu tinha muito que aprender.

Tendo lido muitas das colunas de Rothbard na revista Reason (tornei-me um assinante), me familiarizei com suas visões libertárias e sua análise econômica e vim a entender que ele era um pensador consistente, e estava ansioso para conhecê-lo. Eu teria essa chance em Berlim.

Chegamos a Berlim, com o fuso-horário totalmente desorientado, com duas horas de sono ao longo de um período de quarenta horas. Depois de fazer o check-in em nosso quarto no Hotel Intercontinental, fomos para a reunião de abertura, onde Hayek foi um dos palestrantes. Já contei em outro artigo sobre a maluquice que foi um jantar que tivemos no encerramento das reuniões, mas pelo menos tive a oportunidade de conhecer o falecido Walter Williams.

Mais tarde naquela semana, finalmente tive a oportunidade de conhecer Murray N. Rothbard, e ele era diferente do que eu imaginava. Esperava encontrar um encrenqueiro, mas encontrei, em vez disso, um sujeito agradável que ria com uma gargalhada peculiar. Não conversamos por muito tempo e duvido que ele tenha ficado impressionado com minhas perguntas, mas finalmente consegui conhecê-lo. Eu nunca mais o vi depois daquela semana.

Incluído nas atividades da semana estava um passeio de ônibus por Berlim Oriental. Minha esposa e eu sabíamos o que esperar, havendo conversado com outras pessoas que já haviam passado por lá, mas mesmo a preparação mental não foi suficiente, e um ônibus cheio de economistas e escritores conservadores e libertários não iria ter uma visão muito simpática do paraíso comunista do outro lado do muro. Não com pessoas como Murray Rothbard, Henry Manne e Morgan Reynolds a bordo.

Nem Murray nem sua esposa, Joey, falaram muito durante a turnê e não me lembro de ter dito nada a nenhum deles. Para mim, ler Rothbard e os austríacos provou-se valioso para mim, pois vi a negligência e a decadência que era Berlim Oriental e entendi por que isso acontecia. Por que? Os austríacos de Mises em diante explicaram o conceito de cálculo econômico e como o socialismo, tal como imaginado por seus apoiadores, não poderia sobreviver.

Em outras palavras, Murray Rothbard não precisou me explicar no ônibus por que Berlim Oriental, a chamada Paris da Europa Oriental, era um lixão destruído. Ele já havia me explicado em seus inúmeros escritos.

 

Artigo original aqui.

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