Basicamente, todo debate Israel-Palestina é o seguinte:
“Israel fez X.”
“Sim, porque o Hamas fez o Y.”
“Sim, porque Israel fez Z.”
“Sim, mas só porque os palestinos continuam fazendo A.”
“Ok, mas isso não teria acontecido se os israelenses não estivessem fazendo B.”
“Mas isso só aconteceu porque os árabes fizeram C!”
Mas se você levar o debate para trás no tempo o suficiente, eventualmente chega à parte em que o mundo ocidental forçou um novo estado étnico sobre uma civilização pré-existente sem a permissão — e para extremo prejuízo — das pessoas que já viviam lá.
Claro que você pode voltar mais atrás e dizer “Ah sim, os judeus viveram lá há milhares de anos”, mas isso é simplesmente uma imbecilidade. Não há razão válida para acreditar que algum judeu da cidade de Nova York tenha alguma linhagem significativa que o conecte àquela terra mais fortemente do que qualquer muçulmano aleatório na Turquia ou onde for, e mesmo que houvesse, ainda seria absurdo citar a história antiga como base para uma reivindicação territorial. Estou apenas a algumas gerações de distância da minha ancestralidade na Irlanda e na Escócia, mas seria ridículo aparecer lá exigindo a casa de alguém que mora lá.
Portanto, a queixa original é claramente a criação artificial de um estado etnonacionalista em meados do século XX, e o impulso de sionistas e imperialistas ocidentais para que isso acontecesse. Esse foi o ato inicial de abuso que gerou toda essa bagunça gigantesca.
E como tudo isso aconteceu? A história fala por si só. Gerações de violência e abuso incessantes, culminando no massacre e caos em todo o Oriente Médio que vemos diante de nós hoje.
Isso significa que criar Israel foi um erro. Um erro que precisa ser corrigido.
Os sionistas vão pirar e explodir de raiva quando você disser isso, alegando que está você está defendendo o extermínio dos judeus, mas isso é falso. Certamente corrigir os erros do passado e acabar com uma ordem nacional baseada em colocar os interesses dos judeus acima dos palestinos incomodaria muitos dos judeus que vivem lá, mas não há base para a alegação de que isso implicaria suas mortes. A África do Sul do apartheid foi desmontada sem o extermínio de milhões de brancos, e não há razão para acreditar que o desmantelamento do estado de apartheid Israel implicaria o extermínio dos judeus.
O experimento de Israel foi tentado, e fracassou. É hora de tentar outra coisa.
Artigo original aqui









