O fracassado governo Milei era óbvio desde o princípio: qualquer um que tenha acompanhado seu curto, porém desastroso, período no poder não ficará surpreso com as imagens recentes circulando nas redes sociais, de uma coletiva de imprensa compartilhada com Netanyahu em 2025.[1] Mais importante do que as imagens, foi o anúncio que o chefe e seu subordinado fizeram à Argentina e à comunidade internacional: um acordo público de que toda a Argentina (1.727.659 quilômetros quadrados) se tornaria um asilo para “cidadãos” israelenses. Muitos ficaram chocados ao ouvir isso; parecia algo saído diretamente de uma teoria da conspiração sobre o Plano Andinia — segundo o qual existe ou existia um plano para estabelecer um Estado judeu no Chile e na Argentina — para aqueles de nós que estavam atentos, essa invasão não foi surpresa. Mas para os demais, eles finalmente podiam ver com seus próprios olhos qual era o verdadeiro programa de Milei, desde o momento em que ele colocou os olhos na presidência, ou até antes.
O programa é incrivelmente simples, sinistro e a personificação de tudo o que um verdadeiro libertário deveria odiar:
Primeiro, abrir as comportas para israelenses, oligarcas sionistas, conglomerados americanos e qualquer pessoa ligada a eles para saquear os recursos da Argentina — abrindo as portas para o saque às custas da nação argentina, uma política de Israel primeiro, Argentina por último.
Segundo, apostar totalmente em se tornar, em suas próprias palavras (em resposta a Hans-Hermann Hoppe), “o presidente mais sionista do mundo.”[2] Isso significa dar um cheque em branco a todos os crimes cometidos por Israel desde 8 de outubro e promulgar leis draconianas contra os dois bicho-papões da política moderna, ou seja, “terrorismo” e “antissemitismo” — uma forma repugnante de retirar os direitos civis de qualquer um que considere o genocídio ofensivo.
Terceiro, transformar o libertarianismo em um lobo em pele de cordeiro — um movimento de propriedade, liberdade e paz transformado em um de pilhagem, subordinação a potências estrangeiras e sede de guerra. O pior de tudo é que ele se tornou um cavalo de Troia para o sionismo e o estado de bem-estar social e guerra dentro do movimento libertário, poluindo-o e corroendo-o por dentro.
Os maus presságios rodeando Milei eram tão claros que só um avestruz com a cabeça enterrada no chão poderia não perceber. Por onde começar? Desde os primeiros momentos de sua carreira política, ele caiu sob a influência de dois homens. Um deles, um rabino, chamado Axel Wahnish[3] foi seu “conselheiro espiritual” e atualmente é o Embaixador da Argentina em Israel. O outro, Eduardo Elsztain,[4] é membro do Chabad, uma seita judaica ultraortodoxa radical construída em torno do culto à personalidade do rabino Menachem Mendel Schneerson, que, entre outras coisas, afirmava que “Existem dois tipos opostos de alma, uma alma não judaica vem de três esferas satânicas, enquanto a alma judaica vem da santidade.”[5]
O hotel de Elsztain tem sido um resort de Milei, e seus fóruns têm sido o lugar perfeito para Milei fazer seus discursos pseudolibertários e construir sua rede sinistra. Nem é preciso dizer que o sionismo é algo natural para ambos, e que eles estão acima e além dos sionistas evangélicos habituais aos quais todos nos acostumamos: eles pintam o quadro de como o supremacismo estava enraizado no círculo interno de Milei anos antes de ele se tornar presidente.
Chabad-Lubavitch: o ramo do judaísmo por trás da revolução “libertária” da Argentina
A Argentina importa para a política mundial por um motivo: recursos naturais. A Argentina possui muita terra, uma boa parcela de petróleo e dá acesso a um dos maiores reservatórios de lítio (um recurso importante, entre outras coisas, para empresas como a Tesla) do mundo. Em todos esses aspectos, corporações israelenses, tanto públicas quanto privadas, têm se envolvido diretamente. A Merkorot é uma empresa estatal israelense, opera em todo o país, administrando metade de sua agricultura desde 2022 (antes da época de Milei) e tem um controle que se torna mais firme a cada momento.[6] A Merkorot opera em muitos países, incluindo a Palestina e a Faixa de Gaza, onde suas ações foram uma entre muitas empreendidas pelo Estado israelense para limpar etnicamente os habitantes nativos da terra. No que diz respeito ao petróleo, a Argentina foi novamente humilhada; a empresa israelense de petróleo Navitas Petroleum elaborou um plano para a exploração de petróleo na região das Malvinas, chamado “Projeto Leão Marinho”.[7] A área ainda é disputada, pois a Argentina não reconhece reivindicações britânicas sobre as Malvinas e suas águas ao redor. O governo anterior havia emitido um alerta à empresa, orientando a terceira parte israelense a se manter longe das águas disputadas entre Argentina e Reino Unido. Mas entra o direitista, e uma política de recuo pelos interesses nacionais é instituída: Milei fez vista grossa, o que também é um cheque em branco para a Navitas e suas operações. Curiosamente, Elsztain, amigo de Milei, é um cidadão argentino que usa sua grande fortuna para armar as Malvinas britânicas.[8] Por fim, sobre o lítio, a empresa israelense XtraLIT fez parceria com a argentina YPF para implementar a Extração Direta de Lítio.[9] Em outras palavras, encontramos empresas israelenses públicas ou financiadas publicamente extraindo recursos em uma escala que não seria possível sem seu sátrapa sionista em Buenos Aires. Nem é preciso dizer que isso é o oposto de colonização e comércio, é uma ilustração da natureza de Israel, que Saifedean Ammous chamou apropriadamente de agência de roubo de terras.[10])
Quem acompanhou o período de Milei no poder não ficará surpreso com o resultado: Milei é outro sátrapa da busca do EUAsrael pela dominação mundial, seu único propósito é permitir que os Estados Unidos e Israel prolonguem sua existência como uma violação viva do direito natural e internacional. Não, isso não é surpresa, mas algo é. Tem sido impressionante assistir – e uma grande decepção – como libertários estavam dispostos a vender seus princípios para conquistar a simpatia de Milei, e uma decepção ainda maior foi o grupo ainda numeroso daqueles que optaram pelo silêncio em vez de confrontar Milei pela fraude que ele é, e por quão desastroso seu sionismo, ou melhor, suas políticas supremacistas são. Aqueles libertários, como Philipp Bagus, Jesús Huerta de Soto ou Walter Block, que fecharam os olhos para a verdade de que Milei é “o maior sionista do mundo”, receberam prêmios e recompensas dele, e que, sempre que alguém apontava o fato de que Milei é um apoiador ativo do genocídio televisionado, sempre respondiam que a posição de Milei sobre a questão de Israel e seu genocídio em Gaza não importa, desde que ele promova “a mensagem libertária”. Ao fazer isso, eles admitem que não se importam com genocídio nem com princípios. Eles mancharam o nome do nosso movimento e venderam os ideais pelos quais vivemos e morremos. Eles se tornaram o que Rothbard (ao trabalhar sobre a estratégia marxista para construir uma filosofia libertária de estratégia, como Oscar Grau nos lembrou)[11] chamou de oportunismo de direita, defensores de uma estratégia política sem princípios, mas com ganhos de curto prazo, trocados por derrotas a longo prazo. A tomado de Milei do libertarianismo argentino, alemão e espanhol chega ao Mises Institute. Os aplausos dados ao seu mentor, Huerta de Soto, são um sinal do futuro mileísta e um presságio de desastre para o Instituto que Lew Rockwell e Murray Rothbard construíram.
O que precisa ser feito? É um imperativo moral dos libertários se dissociarem daqueles que usam nossas ideias como marca de supremacismo. A se desvincular de qualquer um que apoie um presidente que transforma seu país no resort de verão de criminosos de guerra israelenses, e que usa cada grama de seu fôlego para sinalizar que não vê problema no genocídio e pilhagem, desde que o grupo certo de pessoas o pratiquem.
Artigo original aqui
_________________________________
Notas
[1] “El Gobierno Nacional Otorgará Subsidios y Asignaciones a Israelíes que Vengan a la Argentina.” June 17, 2025.
[2] Buenos Aires Herald. “Milei: ‘I Am the Most Zionist President in the World’.” March 10, 2026.
[3] Aish Latino. “El Rabino y Guía Espiritual del Presidente Milei Asume Como Embajador en Israel.” July 8, 2024.
[4] El País (English Edition). “Eduardo Elsztain: The Businessman Who Whispers to Argentina’s Javier Milei.” March 9, 2025.
[5] Alison Weir, “Why Is the US Honoring a Racist Rabbi? The Extremist Origins of Education and Sharing Day,” The Unz Review, April 7, 2014.
[6] Prism Reports, “Israel’s National Water Company Sets Its Sights on Argentina,” February 10, 2026.
[7] Wingrove, Martyn. “Navitas, Rockhopper Take FID on Falklands US$2.1Bn Sea Lion.” Riviera Maritime Media, December 11, 2025.
[8] Realpolitik, “Eduardo Elsztain, el empresario que financia a Javier Milei y arma a los británicos en las Islas Malvinas,” November 12, 2025.
[9] Reuters. “Y-TEC de YPF de Argentina firma acuerdo con israelí XtraLit para extracción directa de litio.” May 5, 2025.
[10] Saifedean Ammous, “Direitos de propriedade: a causa do conflito palestino-israelense” Property and Freedom Podcast (February, 2, 2026)
[11] Oscar Grau, “Em defesa do legado de Murray Rothbard contra os propagandistas mileístas” The Unz Review, [January 8, 2026]









