O purismo existe por motivos de valor

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Liberdade ou Morte! (Há alternativa?)

Quem tenta fazer concessões, esperando o ganho político, perde a autenticidade (o que o distingue) e anula-se.

Premissas:

  • O Mundo político dos Homens tem uma elevadíssima complexidade;
  • A pressão do ganho político rápido incentiva a simplificar posições de modo a se tornar popular;
  • O Populismo é uma posição de obtenção de apoio a quase qualquer custo, privilegiando a simplificação e comunicação de fácil compreensão pelas massas;
  • Quando queremos nos tornar populares, tentamos criar uma redoma simplificada, de fácil compreensão popular, que produzimos com as simplificações. Essa bolha limita-nos a capacidade de ação, ou seja, é a chamada “armadilha do populismo”.

A posição libertária pode ser contra-intuitiva para um grande número de pessoas, e é intelectualmente difícil de simplificar em chavões populistas. Três exemplos claros deste fato:

  • Explicar como a fixação do preço do salário mínimo provoca a miséria geral dos trabalhadores, e serve para entregar poder ao patronato e estado, não é compreensível para a maioria da população presa no buonismo da pretensa defesa dos trabalhadores da propaganda estatista;
  • Explicar que o estado-social ou assistencialista é uma armadilha destrutiva da capacidade criativa, autonomia e solidariedades naturais do coletivo, é incompreensível para a maior parte, habituada a aceitar a “solidariedade” estatal que visa de fato a criar dependentes, e perpetuar o poder socialista, também não é facilmente compreendido. É até mesmo recusado;
  • Explicar que é mais fácil ser contratado quando é mais fácil ser despedido, não é compreendido pela maioria que foi ensinada a ver a chamada “flexibilidade das leis trabalhistas” como o “demônio do neoliberalismo selvagem”.

Assim, os libertários veem-se na posição desconfortável de ter a sua oferta política com naturais dificuldades de comunicação, aceitação e massificação.

E a tentação do populismo instala-se, pois não apenas, não vivemos para sempre, mas gostamos também de ver resultados rápidos. Pensamos também que é uma questão de “chegar ao poder por qualquer meio”, e depois “logo se vê porque somos diferentes dos restantes”.

Como bem sabemos, os fins não justificam os meios, e só se subverte os princípios uma vez, ou seja, na primeira, e depois desta, já os abandonamos.

Face à dificuldade, e tal como sabem todas as “autoridades” (os “mais velhos” do Libertarianismo que já por aqui andam há muito tempo) o Mundo nem muda num dia, nem nós somos eternos. Mas devemos ter a posição de longo-prazo. E a posição de longo-prazo, tem necessariamente de passar pela fidelidade aos princípios e valores, muito estudo e reflexão, capacidade de paciência, e termos a perspectiva de que o processo de divulgação e aceitação do Libertarianismo deve ser de resistência e multigeracional, sobretudo num ethos político geral de socialismo inerentemente inculcado na crença das populações.

Nós não forçamos alguém, nem ludibriamos como os políticos habituais.

Estamos, portanto, agindo hoje, devendo ter em perspectiva dezenas, ou mesmo, centenas de anos no futuro.

Isso é difícil?

– Sim, é. A posição libertária é difícil – sobretudo – para os libertários, mas pode ser também prazerosa, pois quando ganhamos a mente, o coração e a alma de um novo libertário, estamos ganhando um poder de intervenção na criação de um Mundo melhor, infinitamente mais sólido que o pântano socialista.

Portanto, corações ao alto, força, persistência, e integridade. Se perdermos o Purismo, num instante tornamo-nos aquilo de que não gostamos, ou seja: mais um bunch de socialistas e desperdiçamos o nosso Valor.

 

 

 

 

Artigo original aqui

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