Bloomsbury

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Depois de sua graduação em Cambridge, Keynes e muitos dos Apóstolos da faculdade pegaram alguns alojamentos em Bloomsbury, um bairro antiquado no norte de Londres. Eles formaram então o famoso Grupo Bloomsbury, um centro de estética e moral vanguardista que constituiu a mais influente cultural e intelectual força na Inglaterra durante os anos de 1910 e 1920.

A formação do Grupo Bloomsbury foi inspirada na morte do eminente filósofo vitoriano e liberal clássico Sir Leslie Stephen em 1904. O jovem filho de Stephen, que se sentiu libertado pela partida da rígida presença moral de seu pai, prontamente arrumou uma casa em Bloomsbury e começou a dar bailes todas as quintas-feiras.

Thoby Stephen, mesmo sem ser um apóstolo, era um amigo próximo no Trinity de Lytton Strachey. Strachey e outros Apóstolos, bem como outro grande amigo de Strachey da Trinity, Clive Bell, se tornaram hóspedes regulares dos seus bailes.

Depois da morte de Thoby em 1906, Vanessa Stephen se casou com Bell, e os encontros em Bloomsbury se dividiram em dois grupos. Uma vez que Clive era um crítico de arte em formação e Vanessa era uma pintora, eles estabeleceram um Clube das Sextas, concentrado nas artes visuais. Enquanto isso, Virginia e Adrian Stephen continuaram os encontros de Quinta focados em literatura, filosofia e cultura.

Eventualmente, o Apóstolo do Trinity, Leonard Woolf, um amigo e contemporâneo de Keynes se casou com Virginia Stephen. No final de 1909, Keynes se mudou para uma casa de Bloomsbury muito próxima a dos Stephens, dividindo um apartamento com o artista de Bloomsbury Duncan Grant, um primo dos Stracheys.

Os valores e atitudes de Bloomsbury são similares àqueles dos Apóstolos de Cambridge, embora com uma pegada mais artística. Com uma maior ênfase na rebelião contra os valores vitorianos, não é de se admirar que Maynard Keynes tenha sido um membro distinto dos Bloomsbury.

Uma ênfase particular foi a de perseguir uma arte formalista e vanguardista — impulsionado pelo crítico de arte e Apóstolo de Cambridge Roger Fry, que depois retornou para Cambridge como professor de arte. Virginia Stephen Woolf iria se tornar uma expoente proeminente em ficção formalista. E todos eles energicamente perseguiram um estilo de vida de bissexualidade promíscua, como foi trazido às luzes pela biografia de Strachey de Michael Holroyd (1967).

Como membros do círculo cultural de Cambridge, o grupo Bloomsbury aproveitou a herdada, embora modesta, riqueza. Mas, conforme o tempo foi passando, muito do financiamento de várias exibições e projetos de Bloomsbury vieram do seu membro leal, Maynard Keynes.

Como Skidelsky escreve, Keynes “veio para trazer à Bloomsbury músculos financeiros, não apenas ao fazer grandes negócios financeiros ele mesmo [principalmente através de investimentos e especulação financeira], que ele gastou de forma pródiga nas causas de Bloomsbury, mas por sua habilidade de organizar apoio financeiro para as empresas deles.”

De fato, da Primeira Guerra Mundial em diante, era quase impossível encontrar qualquer empresa, cultural ou doméstica, em que membros de Bloomsbury estivessem envolvidos, que não se beneficiaram de alguma forma de sua generosidade, de sua perspicácia financeira, ou de seus contatos. (1983, p. 250; veja também pp. 242–51).