No dia 4 de setembro de 2026, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez a seguinte declaração:
“As Ilhas Malvinas são argentinas, por história e por direito. Não há dúvidas quanto a isso. As ilhas fazem parte do território argentino desde a fundação da nossa nação. Em 1833, o Reino Unido ocupou as Malvinas, expulsou as autoridades argentinas e estabeleceu uma situação colonial que persiste até hoje.
Isso implica que os habitantes das ilhas, sendo uma população implantada em um território usurpado, não têm um direito legítimo à autodeterminação e que qualquer argumento baseado em referendos realizados nas ilhas é inválido.”
Aparentemente, Milei usa o critério da apropriação original (homestead) de um recurso previamente sem dono para estabelecer a legitimidade da propriedade sobre a terra. E essa legitimidade seria mantida apenas se essa propriedade fosse voluntariamente cedida ou trocada e seria perdida se fosse tomada através da coerção. Milei alega que as Ilhas Malvinas se enquadram neste último caso: elas foram legitimamente apropriadas pelos argentinos e foram coercitivamente tomadas pelos britânicos, que a rebatizaram de Ilhas Falklands, o que torna a posse atual deles do arquipélago ilegítima. Se isso realmente aconteceu, Milei tem razão e as Malvinas são argentinas. Vejamos.
As Malvinas eram completamente desabitadas antes da chegada dos franceses, em 1764, dando início ao primeiro assentamento permanente, Port Saint Louis. No ano seguinte, 1765, sem saber da presença francesa em uma outra ilha do arquipélago, o capitão britânico John Byron desembarcou na Malvina Ocidental e estabeleceu a base de Port Egmont, reivindicando o arquipélago para a coroa britânica. Em 1767, a Espanha protestou contra a colônia francesa. Como a França e a Espanha eram aliadas na época, os franceses concordaram em vender e transferir seu assentamento para o controle espanhol. Os espanhóis renomearam o local para Puerto Soledad.
Após quase chegarem a uma guerra com a Espanha pela posse das ilhas, os britânicos decidiram abandonar voluntariamente a sua única base no arquipélago, Port Egmont, em 1774. O motivo foi puramente econômico: o império precisava cortar custos por causa da iminente Guerra de Independência dos Estados Unidos.
No entanto, ao irem embora, os marinheiros britânicos deixaram uma placa de chumbo fixada na parede do forte declarando que as ilhas continuavam pertencendo à coroa de George III. Ou seja, eles mantiveram a reivindicação de direito, mas deixaram o território fisicamente deserto.
Durante quase 40 anos após a saída britânica, a Espanha governou as ilhas de forma incontestável a partir de Puerto Soledad, o antigo assentamento francês. Os governadores espanhóis patrulhavam as costas e chegaram a remover a placa de chumbo deixada pelos britânicos, enviando-a como troféu para Buenos Aires.
As ilhas deixaram de ser espanholas em 1811, quando a Espanha também abandonou o arquipélago devido às guerras napoleônicas na Europa e às revoluções de independência na América do Sul.
Com as ilhas completamente desabitadas e sem nenhum soldado britânico ou espanhol no local, a recém-independente Argentina (então Províncias Unidas do Rio da Prata) enviou um navio em 1820 para tomar posse formal do território, considerando-se a herdeira legítima das terras que pertenciam à coroa espanhola. Foi essa presença argentina que Luis Vernet – um comerciante nascido em Hamburgo (Alemanha), de origem francesa, que se naturalizou argentino – tentava consolidar e que os britânicos decidiram interromper à força em 1833.
Portanto, em 1833, os britânicos não estavam “comprando de volta” ou retomando uma colônia ativa; eles decidiram reativar uma velha reivindicação do século XVIII que havia ficado congelada no tempo, expulsando os argentinos que haviam preenchido aquele vazio territorial.
Embora a presença argentina nas Malvinas fosse diminuta – entre 100 e 150 colonos multiétnicos que Vernet conseguiu estabelecer nas ilhas – a tomada britânica foi coercitiva, e, portanto, a reivindicação argentina sobre as Malvinas é legítima, como Milei afirma. O que é discutível é se apenas 150 pessoas poderiam estabelecer a apropriação original de um vasto território como as Malvinas, e qualquer pessoa poderia legitimamente se estabelecer em partes inabitadas e intocadas das ilhas, mas o fato é que não foi isso que o Império Britânico fez na época – ele atacou os poucos colonos, os expulsou, e através da violência reivindicou o domínio sobre todo o arquipélago, que permanece esparsamente ocupado até os dias atuais, com uma densidade populacional de 0,30 habitantes por km2.
Porém, existe um outro território que também foi tomado a força, mas que Milei, ao invés de ficar ao lado das vítimas que foram despojadas, diz que são os invasores que possuem uma reivindicação legítima à terra: a Palestina. Analisemos o caso de Israel vs Palestina usando a mesma lógica de Falklands vs Malvinas.
Ao contrário das Malvinas, onde os primeiros seres humanos chegaram apenas em 1764, a Palestina é um território com ocupação humana desde os primórdios da civilização. Como escrevi em um artigo de 2024:
“Estima-se que o humano anatomicamente moderno habita este mundo há 300 mil anos e deu início a modernidade comportamental há 50 mil anos, mas somente os últimos 5 mil anos da história humana são conhecidos através da escrita. Durante grande parte deste período registrado, a região da Palestina foi palco de conflitos territoriais sendo sucessivamente ocupada por cineus, ceneseus, cadmoneus, heteus, ferezeus, rafaim, amorreus, cananeus, gergeseus, jebuseus, filisteus, egípcios, hebreus, assírios, babilônicos, persas aquemênidas, gregos/macedônios, romanos, bizantinos, persas sassânidas, árabes, cruzados europeus, mamelucos, otomanos, franceses, britânicos e sionistas europeus.”
Para Milei, é apenas um desses povos que possui uma reivindicação legítima à Palestina, os judeus. Porém, os judeus atuais sequer são o mesmo povo que dominou por apenas duas gerações – Davi e Salomão – uma parte do que hoje constitui o território ocupado pelo moderno Estado de Israel. O judeu atual não é o que era chamado de judeu na antiguidade. O judeu atual evoluiu de uma das muitas facções do Judaísmo Antigo centrado no Templo, os fariseus, para o Judaísmo Talmúdico cabalista rabínico centrado na sinagoga. Outra evolução, fiel as profecias do Judaísmo antigo, é o Cristianismo.

Ambas são muito diferentes da antiga religião praticada pelos habitantes do Reino de Israel, que dominou brevemente parte da Palestina há 3.000 anos. Portanto, nem os cristãos e nem os judeus atuais são os judeus antigos, e é por isso que seria melhor chamar os judeus antigos de “judeanos”, para não confundir com os judeus talmudistas, e também para desfazer a confusão absurda de dizer que Jesus era judeu. Jesus não era judeu, considerando o que se reconhece como judeu desde a consolidação dos Talmudes, entre os séculos IV e VI d.C.:
“A palavra ‘judeu’ só passou a existir no ano de 1775. Sua conotação moderna aponta para alguém que segue e adere a uma fé semelhante à dos fariseus de Judá, mas não é da tribo e linhagem de Judá. Em outras palavras, os judeus são pessoas de outras nações além das 12 tribos hebraicas que praticam uma religião conhecida como judaísmo/farisaísmo, a doutrina dos fariseus.”
Em vista disso, é um despautério total dizer que os judeus talmudistas teriam qualquer reivindicação legítima sobre o território palestino, e estariam retomando aquele território de invasores. Os poderes dominantes se alteraram muitas vezes na região, mas a propriedade legítima pertence à população palestina que ocupou a terra ininterruptamente até começar a ser expulsa por terroristas sionistas europeus no começo do século XX.
Em 1948, após intensas campanhas de imigração para a região, uma minoria de 30% da população total era de judeus, que era proprietária de cerca de 6% do território palestino, quando um plano de partilha votado pela ONU sugeria que os judeus ficassem com 55% da Palestina. Os judeus aceitaram na nora a sugestão e começaram a colocá-la em prática. Os palestinos, obviamente, não aceitaram esse roubo descarado e reagiram, e iniciou-se uma guerra que, terminada, deixou Israel, o vencedor, no controle de 78% do território do antigo Mandato Britânico da Palestina. Os sionistas conquistaram o domínio sobre a área do território de Israel na bala, roubando propriedades legítimas dos donos originais, exatamente como o império britânico conquistou as Malvinas da Argentina, mas, estranhamente, a lógica de Milei se inverte – para o lado errado – nesse caso.
Isso que as Malvinas pertenceram à Argentina por breves 13 anos (1820—1833) e, com um território de 12.200 km2, era ocupada por menos de 200 pessoas. Mas isso já foi o suficiente para Milei afirmar que “as Ilhas Malvinas são argentinas, por história e por direito; não há dúvidas quanto a isso”. O que dizer da Palestina que foi ocupada continuadamente por milênios por milhões de palestinos, que viveram em um território com um pouco mais que o dobro do tamanho das Malvinas? (o território da Palestina sob o Mandato Britânico possuía uma extensão territorial de aproximadamente 26.000 km²)
Portanto, se Milei usasse a mesma lógica das Malvinas para Israel, ele seria obrigado a dizer o seguinte:
“A Palestina é dos palestinos, por história e por direito. Não há dúvidas quanto a isso. A Palestina pertence aos palestinos desde tempos imemoriais. Em 1948, sionistas ocuparam a Palestina, expulsaram muitos palestinos e estabeleceram uma situação colonial que persiste até hoje.
Isso implica que os habitantes de Israel, sendo uma população implantada em um território usurpado, não têm um direito legítimo à autodeterminação e que qualquer argumento baseado em referendos realizados em Israel (ou na ONU) é inválido.”
Artigo original aqui










Tudo o que esse cara escreve sobre judaísmo e da relação judaismo-cristianismo é ridículo. O próprio Jesus e seus compatriotas eram judeus e não existe nenhuma evidência de que eles eram “de uma linhagem judaica mais nobre” do que os demais judeus da época, do seu entorno. Muito pelo contrário, justamente nascendo em uma família miserável, é provável que Jesus fosse apenas mais um judeu comum. No final das contas, judeu é judeu. Mas o cara não aceita isso, sendo capaz de distorcer completamente a realidade para caber na sua visão romântica absurda.
Para qualquer um com o mínimo de bom senso, o cristianismo foi uma seita judia que se encorpou ao longo do tempo até formar um corpo de crenças próprias – apesar de que até esses corpo de crenças ainda é completamente judio, isto é, influenciado profundamente por ideias judaicas e pelo judaísmo em si. Até mesmo os fariseus, supostamente tão diferentes dos outros judeus “mais nobres” como Jesus, compartilhavam uma visão comum, que eram as crenças no pentateuco, o Antigo Testamento, que o cristianismo pegou “emprestado” do judaísmo na sua época inicial de seita e até quando se formou como religião própria.
Inclusive historiadores acadêmicos sérios, com abordagem histórico-crítica (baseando-se o máximo em fontes originais próximas dos eventos e com método histórico de análise textual), se referem aos primeiros cristãos como “judeus-cristãos”. A única coisa que distinguía a primeira comunidade cristã em Jerusalém dos outros judeus era a crença deles de que o Messias era Jesus de Nazaré, em todo o resto eles seguiam a lei mosaica e os preceitos do judaísmo do segundo templo. É muito provável que Jesus, em sua ideologia, era uma mistura de fariseu com essênio, que eram duas das principais vertentes do judaísmo na época. Não faz sentido ele ser saduceu por exemplo, que eram judeus de elite, pois ele era de família humilde. Apesar dos embates de Jesús com os fariseus (doutores da lei), Jesus, assim como todo o fariseu medio, tinha um grande zelo pelo respeito a doutrina tradicional do judaísmo, do apelo a letra da lei mosaica, a questão era a divergência em alguns pontos q ele tinha com os fariseus que aparecem nos evangelhos.
Fernando está certo ao apontar a hipocrisia de Milei, mas quando ele fala sobre história da religião e religiões comparadas, é muito tendencioso a um certo catolicismo tradicionalista (as fontes que ele usa são todas de sites de católicos integrais ou o q se chama hoje de “red trads”), que é feroz contra o judaísmo e faz distorções sobre as origens do cristianismo ao tentar negar a influência judaica e geralmente faz uma deturpação da evolução das correntes do judaísmo até os dias de hoje. O cristianismo “católico romano”, de qual a igreja católica solidificada no período medieval evoluiu, deve muito a figura de Paulo de Tarso, que basicamente fez uma revolução na doutrina seguida pelos primeiros cristãos de Jerusalém, permitindo que gentios se convertessem basicamente seguindo apenas as leis de noé, ignorando quase todas as leis mosaicas restritivas, como a circunsição e vários ritos comportamentais, desde sacrificios, a vestimenta, comida, etc…
É um consenso acadêmico que Jesus e os primeiros seguidores em Jerusalém, pouco tem a ver com o cristianismo tal qual evoluiu no império romano e depois na idade média. Jesus histórico jamais abriria mão dos preceitos da lei de Mosaica no antigo testamento e ele era bem refratário a tentativa de converter gentios, com um tendência bem chauvinista, de se importar apenas em pregar para “as ovelhas perdidas de Israel” (judeus que tinham se desviado da verdadeira doutrina).
Quando disse que Jesus “pouco tem a ver” é no sentido de “abertura”, de facilitação de conversão, por rejeitar boa parte dos ritos e crenças do antigo testamento. Na questão de suas falas e exemplos práticos nos evangelhos tem bastante influência, e o judaísmo antigo serve como uma religião monoteísta mais antiga que serve como validação do cristianismo “institucional moderno” ou “Paulino” que se desenvolveu a partir do segundo século, com certos valores compartilhados, mas boa parte de suas crenças, ritos e profecias rejeitadas ou reinterpretadas.
“Inclusive historiadores acadêmicos sérios, com abordagem histórico-crítica (baseando-se o máximo em fontes originais próximas dos eventos e com método histórico de análise textual), se referem aos primeiros cristãos como “judeus-cristãos”. A única coisa que distinguía a primeira comunidade cristã em Jerusalém dos outros judeus era a crença deles de que o Messias era Jesus de Nazaré, em todo o resto eles seguiam a lei mosaica e os preceitos do judaísmo do segundo templo. ”
Você é analfabeto ou retardado? Sempre deixei claro que os cristãos são a continuidade legítima do Judaísmo Antigo, com Jesus cumprindo as profecias dos profetas judaicos. O que eu disse é que o “judaísmo atual” não tem nada a ver com esse judaísmo antigo e falar “judaico-cristão” tendo em mente os judeus talmudistas, é coisa de evangélico retardado.
“Fernando está certo ao apontar a hipocrisia de Milei, mas quando ele fala sobre história da religião e religiões comparadas, é muito tendencioso a um certo catolicismo tradicionalista (as fontes que ele usa são todas de sites de católicos integrais ou o q se chama hoje de “red trads”), que é feroz contra o judaísmo e faz distorções sobre as origens do cristianismo ao tentar negar a influência judaica e geralmente faz uma deturpação da evolução das correntes do judaísmo até os dias de hoje.”
Qual deturpação eu faço seu mongolóide? Quem nega a influência do judaísmo antigo no cristianismo?? O judaísmo rabínico atual é uma evolução do farisianismo, a seita que assassinou Cristo, e é centrado na sinagoga e nos Talmudes, os livros supremacistas que dizem que os gois são inferiores e devem ser usados e explorados e que Jesus é o pior dos homens e está passando a eternidade em fezes ferventes e que Maria é uma vagabunda. Se você é um ignorante que não sabe disso, o que está deturpado é a sua cabeça de titica.
O rabino Eliezer Berkovits escreve que “o judaísmo é judaísmo porque rejeita o cristianismo, e o cristianismo é cristianismo porque rejeita o judaísmo.”
Isso é verdade se comparamos o cristianismo que desenvolveu a partir do segundo século e se solidificou na idade média, com o Judaísmo seja do segundo templo ou da diáspora pós destruição do segundo templo. Se falarmos de Jesus e seus primeiros seguidores em Jerusalém é outra coisa, pois esse “cristianismo” inicial (durante a vida de Jesus e logo após a morte) era profundamente judaico, com a única diferença para com as vertentes tradicionais do judaísmo de que os primeiros seguidores de Cristo acreditavam que ele era o Messias prometido. De resto, Pedro, João, Tiago, etc.. era judeus como qualquer outro, assim como o próprio Jesus. A figura chave que vai distanciar o cristianismo do judaísmo é Paulo de Tarso e os autores posteriores da patrística.
“O próprio Jesus e seus compatriotas eram judeus”
A Palestina onde Jesus Cristo nasceu, era uma província romana, então, afirmar que Jesus era judeu só pode se referir a duas possibilidades: étnica ou religiosa. Porque antes da invasão romana, judeu era o habitante do estado da Judeia, que compreendia etnicamente as tribos de Judá e Benjamin. De modo que os habitantes de Jerusalém eram politicamente judeus, etnicamente benjamitas e, em matéria religiosa, mosaítas. Os habitantes de Belém eram política e etnicamente judeus e da religião mosaica.
De modo que Jesus era judeu étnico, ou seja, quanto a carne. Neste caso, Jesus Cristo que é Deus, cumpriu a Lei mosaica, não porque precisasse, mas que houvessem escândalos. Até porque, ainda que Jesus para um legalista fariseu estivesse contra a lei do sábado, o próprio Jesus disse que os fariseus não entenderam nada do espírito da lei.
E quanto aos Santos Apóstolos não existem indicações de que todos era judeus étnicos, porque a Galileia não pertencia a tribo de Judá.
“No final das contas, judeu é judeu.”
Não é bem assim. Os habitantes do estado de Israel são israelenses. Isso não informa nada sobre sua etnia. Mas certamente depois da destruição do segundo templo e consequente perda dos arquivos das linhagens (e não foram os romanos que colocaram fogo nestes arquivos, mas os próprios sacerdotes com medo de identificação), não é possível provar quem pertence à tribo de Judá. E sendo a religião da Lei e dos profetas (mosaismo) a Igreja Católica, a religião israelense é o talmudismo.
“Para qualquer um com o mínimo de bom senso, o cristianismo foi uma seita judia”
É o contrário. A pregação pública de Jesus jamais falou em abolir a lei, logo, ele não poderia ser líder de uma seita. Até porque, suas disputas com os fariseus foram justamente no sentido de mostrar que eram eles que tinham tendências sectarias. E o próprio Jesus disse: fazei tudo o que eles mandarem, mas não o que eles fizerem. Após a Paixão de Cristo a antiga lei foi ab-rogada e o mosaismo abolido definitivamente com a destruição do Templo. E além disso, o único “crime” de Jesus foi de blasfêmia, ou seja, nada a ver com heresia ou cisma.
“o Antigo Testamento, que o cristianismo pegou “emprestado” do judaísmo na sua época inicial de seita e até quando se formou como religião própria”
Claro, Jesus Cristo que ditou para os profetas o antigo testamento, pegou emprestado para formar sua própria seita. Aqui é mais uma vez o contrário do que afirma a propaganda anti-católica sionista. Os talmudistas, para dar verossimilhança a sua seita, roubaram a Sagrada Escritura dos católicos, rasgando o Novo Testamento e até mesmo alguns livros do Antigo Testamento. Assim puderam dar sentido à sua falsa religião, pois o mosaismo dependia do templo. Quem precisou formar a própria religião foram os judeus que se recusaram a aceitar que Nosso Senhor Jesus Cristo é filho do Deus vivo.
Todas as passagens dos evangelhos sinóticos do novo testamento que não sofreram adulteração dos manuscritos originais mais próximo do texto escrito pelos evangelistas nos anos 70 a 80, mostram um Jesus contrário a evangelização de população não judaica, ele falava explicitamente para ir atrás das “ovelhas perdidas de Israel”, com um profundo zelo da lei mosaica. É praticamente impossível seguidores em vida de Jesus que não fossem judeus étnicos/religioso ou no máximo convertidos ao judaísmo seguindo todas as leis mosaicas. Jesus cumpria todos os ritos do judaísmo tradicional, seja circuncisão, barmitzval, vestimentas, festas, dias sagrados, etc… Falar que jesus era contra a guarda do sábado é ridículo, isso só começou a ser um costume apos a morte de Jesus, como sendo o dia em que cristãos gentios que se convertían no final do primeiro século acreditavam ser o dia da morte dele.
“Todas as passagens dos evangelhos sinóticos do novo testamento que não sofreram adulteração dos manuscritos originais mais próximo do texto escrito pelos evangelistas nos anos 70 a 80, mostram um Jesus contrário a evangelização de população não judaica”
Não mostram não. Até porquê no Antigo Testamento, as profecias já falavam na lei do coração (Jeremias 31,31), ou seja, que não dependeria mais da raça. E São Paulo que foi aceito pelo Colégio Apostólico evangelizou os pagãos. Isso não seria possível se não fosse o desejo de Jesus. Além disso o próprio Jesus evangelizou uma cidade samaritana, que estavam fora do povo escolhido.
“É praticamente impossível seguidores em vida de Jesus que não fossem judeus étnicos/religioso ou no máximo convertidos ao judaísmo seguindo todas as leis mosaicas. Jesus cumpria todos os ritos do judaísmo tradicional, seja circuncisão, barmitzval, vestimentas, festas, dias sagrados, etc…”
Jesus Cristo pregou para os mosaítas, mas seu elogio ao centurião romano por causa de sua fé deve ser entendido como sendo a graça disponível para todos. Além disso, a conversão dos pagãos foi executada pela Igreja Apostólica, logo, sob a autoridade de Cristo, como fica bem claro a conversão generalizada no dia de Pentecostes.
E a propósito. O barmitzval é uma cerimônia talmudista, que obviamente não existia no tempo de Jesus.
“Falar que jesus era contra a guarda do sábado é ridículo, isso só começou a ser um costume apos a morte de Jesus, como sendo o dia em que cristãos gentios que se convertían no final do primeiro século acreditavam ser o dia da morte dele.”
Onde eu disse que Jesus era contra o sábado? Sábado quer dizer dia de descanso, logo, os cristãos adotaram o domingo por motivos óbvios. Ou seja, Jesus curou no sábado porque entendia o espírito da lei, ao contrário dos fariseus, que falavam em guardar o sábado mas hipocritamente cuidavam de um animal extraviado.
Seu relato exemplifica o que falei, de que o movimento cristão ao longo do tempo passou a interpretar passagens do antigo e novo testamento para justificar suas crenças, e não para relatar de maneira factível os acontecimento. Do ponto de vista histórico não faz o menor sentido usar passagens do antigo testamento como um profecia da vinda de jesus ou surgimento da igreja cristã e suas práticas ou cristologia, isso é simplesmente proselitismo religioso. Quanto a isso não vou me repetir, e essa passagem de Jesus curando no sábado não era um desrespeito ou não aceitação do dia sagrado, apenas que segundo o entendimento dele, a guarda do sábado não poderia significar não ajudar uma pessoas doente, entra no que falei que Jesus tinha algumas discordâncias com Fariseus na época, mas sem significar algum tipo de rompimento com o judaísmo tradicional.
Quanto ao Bar Mitzva, não é verdade que ele é “talmudista”, ele é um evento espiritual existente a 2000 mil anos no judaísmo, quando a criança alcança a maioridade espiritual, o que acontece é que na época não existia uma festa específica pra isso, com rurais ou pratica, que passou a existir na idade média, porém é praticamente impossível não considerar que Jesus na época não completou esse estágio dentro da sua fé, isso era um conceito bem estabelecido no judaísmo. Sobre a passagem sobre os samaritanos, apenas a de Lucas é historicamente aceita, a do evangelho de João é vista como sendo de propósitos teológicos dentro do contexto do cristianismo primitivo do início do primeiro século, portanto é bem pouco provável que Jesus “converteu” a mulher samaritana. Já a passagem de Lucas não aponta para uma abertura da fé aos samaritanos, e sim um exemplo de compaixão de uma pessoa que era mal vista pelos Judeus (por ser samaritano), mas que naquele caso estava sendo mais caridosa com a pessoa enferma do que muitos Judeus fariam por conta de uma interpretação das leis de pureza em não tocar em cadáveres ou enfermos. Entra no ponto da interpretação da lei mosaica por parte de jejus, mas sem um rompimento com a mesmo, Jesus tinha grande foco em compaixão e ajuda a pessoas pobres ou enfermas, a interpretação dele da lei mosaica sempre ia neste sentido de ajuda ao próximo independente da situação, mas longe de significar uma “superação da lei” como os cristãos gentios fizeram, principalmente por Paulo.
“é muito tendencioso a um certo catolicismo tradicionalista”
Não existe um catolicismo “tradicionalista”, como se pudesse haver um catolicismo não-tradicionalista. É o catolicismo e o resto. Ou seja. tradição é sinônimo de catolicismo. Até porque a Igreja Católica começou com Abraão, Isaac e Jacó.
Então a briga que há entre católicos seguidores do catolicismo medieval (Concílio de trento até Pio XI ou Xii) e os seguidores do “Concílio Vaticano II” (João XXIII pra frente, Nova Teologia) mais liberais, não existe? Essa ideia de uma “igreja católica” unida em doutrina e ritos desde a morte de Jesus até hoje, é simplesmente um disparate histórico e fruto de mentalidade de um catolicismo fundamentalista. Desde a comunidade em Jerusalém e depois os primeiros cristãos gentios até os dias atuais, o cristianismo ou a igreja católica passou por várias mudanças de doutrina e entendimentos que foram mudando ao longo do tempo. Esse catolicismo “tradicional” que os integralistas falam, não passa da doutrina solidificada no concilio de Trento que foi até mais ou menos os papas “Pio”, do IX até o XII. Hoje claramente você tem um racha dentro da igreja católica, entre os mais liberais, aprofundando pelo concilio vaticano II, e os conservadores contrários a essas reformas.
“Então a briga que há entre católicos seguidores do catolicismo medieval (Concílio de trento até Pio XI ou Xii) e os seguidores do “Concílio Vaticano II” (João XXIII pra frente, Nova Teologia) mais liberais, não existe? ”
Essa briga existe materialmente, mas não formalmente. Porque não existe católicos do tipo medieval versus católicos do tipo maconheiros de DCE. E sim os que professam a fé católica contra os que não professam. Assim, formalmente, os assim chamados católicos liberais que aceitam a hierarquia pós-concilio Vaticano II estão fora da comunidade de fiéis católicos. Fora do corpo místico de Cristo e com as mesmas possibilidades de salvação de qualquer herege, cismaticos ou ateus: mínimas.
“Essa ideia de uma “igreja católica” unida em doutrina e ritos desde a morte de Jesus até hoje, é simplesmente um disparate histórico e fruto de mentalidade de um catolicismo fundamentalista.”
Não é disparate nada, mas a realidade ordinária da comunidade de fé católica até o cisma do Ocidente e posteriormente a rebelião protestante. E na própria Igreja a unidade permaneceu até o Concílio Vaticano II. As defecções trazidas pelos papas conciliares só fizeram com que a fé católica ficasse restrita à um resto. Mas ainda é a Igreja Católica Apostólica Romana.
“Desde a comunidade em Jerusalém e depois os primeiros cristãos gentios até os dias atuais, o cristianismo ou a igreja católica passou por várias mudanças de doutrina e entendimentos que foram mudando ao longo do tempo.”
O que houve foi somente uma compreensão mais elaborada da doutrina, governo da Igreja ou liturgia. A doutrina de Cristo é a mesma desde os tempos Apostólicos (depósito da fé) e a liturgia também. Essa suposta mudança é no máximo em questões acidentais.
“Esse catolicismo “tradicional” que os integralistas falam, não passa da doutrina solidificada no concilio de Trento que foi até mais ou menos os papas “Pio”, do IX até o XII. Hoje claramente você tem um racha dentro da igreja católica, entre os mais liberais, aprofundando pelo concilio vaticano II, e os conservadores contrários a essas reformas.
Poderíamos dizer que o catolicismo no sentido lato sensu é aquele que surgiu no Sacro Concílio de Trento e que permanece inalterado até hoje. Porque o catolicismo não se contradiz. Logo, o último Sumo Pontífice romano foi católico foi Pio XII. A Igreja não mudou uma vírgula portanto, devido à crise de autoridade causada pelo Concílio Vaticano II.
O “racha” é só para quem não entende que a Igreja Católica Apostólica Romana é uma instituição divina, e não criada por homens.
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