O Reino de Deus na Terra – a política milenarista

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O cristianismo desempenhou um papel central na civilização ocidental e contribuiu com uma influência importante para o desenvolvimento do pensamento liberal clássico. Não surpreendentemente, as crenças cristãs sobre o “fim dos tempos” são muito importantes para nós agora.

 

O reconstrucionismo cristão é uma das correntes de crescimento mais rápido e mais influentes na vida religiosa e política americana. Embora a fascinante discussão de Jeffrey Tucker e Gary North (nas edições de julho e setembro da Liberty)[1] tenha despertado a atenção dos libertários para esse movimento — e ajudado a explicá-lo —, para compreender plenamente o reconstrucionismo cristão é preciso entender o papel e o problema do milenarismo no pensamento cristão.

O problema gira em torno da disciplina da escatologia — ou o estudo dos Últimos Dias — e da questão de como o mundo chegará ao seu fim. A visão aceita por quase todos os cristãos é a de que, em algum momento futuro, Jesus retornará à Terra em um Segundo Advento e presidirá o Juízo Final, ocasião em que todos os que estiverem vivos e todos os mortos ressuscitados corporalmente serão destinados aos seus lugares definitivos; e a história humana, bem como o mundo tal como o conhecemos, chegarão ao fim.

Até aqui, tudo bem; um problema incômodo, porém, surge em várias passagens da Bíblia, no Livro de Daniel e especialmente no último livro do Apocalipse, onde se menciona um milênio, um reinado de mil anos de Cristo na Terra — o Reino de Deus na Terra [RDT] — antes do Dia do Juízo Final. Quem estabelecerá esse Reino e como ele deverá ser?

A resposta ortodoxa para esse problema foi apresentada pelo grande Santo Agostinho, no início do século V; essa linha agostiniana foi aceita por todas as igrejas cristãs ortodoxas e litúrgicas: a Católica Romana, a Ortodoxa Grega e Russa, a Luterana de tradição anglicana, bem como pela ala holandesa da Igreja Calvinista (a posição do próprio Calvino é motivo de controvérsia). A visão agostiniana é que o milênio, ou reinado de mil anos, é apenas uma metáfora para a criação da Igreja Cristã; o milênio não deve ser interpretado literalmente, como algo que jamais ocorrerá, temporalmente, na Terra. Essa posição ortodoxa tem a grande virtude de resolver o problema do milênio. A resposta: esqueçam. Em algum momento desconhecido no futuro, Jesus retornará, e ponto final.

Mas para muitos dissidentes cristãos ao longo dos séculos, essa resposta não satisfez. Ela os priva da esperança, das passagens literais da Bíblia que parecem prometer mil anos de bênçãos temporais na Terra: o Reino glorioso. Entre os numerosos grupos de milenaristas, aqueles que acreditam que o RDT há de chegar, como de fato deve acontecer —, existem dois grupos bem distintos: os que acreditam que o Reino será estabelecido pelo próprio Jesus, que retornará à Terra antes do milênio (pré-milenaristas ou “pré-mils”); e os que acreditam que Jesus retornará à Terra após o milênio (pós-milenaristas ou “pós-mils”).

Essa diferença teológica, aparentemente abstrusa, traz consigo implicações sociais e políticas de enorme relevância. Por mais que o pré-milenarista anseie por alcançar o Reino de Deus na Terra e instaurá-lo por mil anos, ele está compelido a aguardar; deve esperar pelo retorno de Jesus. O pós-milenarista, por outro lado, sustenta que o homem deve estabelecer o RDT, primeiramente, para que Jesus possa, por fim, retornar. Em outras palavras, o pós-milenarista tem a obrigação teológica — como parte do cumprimento do plano divino — de estabelecer esse Reino o mais rapidamente possível. Daí advém a sensação de urgência, o ímpeto de correr em direção a um triunfo iminente, que geralmente caracteriza os pós-milenaristas. Pois a marcha da história, e os próprios planos da Providência, dependem de que o pós-milenarista triunfe o mais cedo que puder.

Como, então, deveria ser esse milênio de suma importância — seja na versão pré-milenarista ou na pós-milenarista? Como seria de esperar, tal como ocorre com muitas utopias, a visão é um tanto nebulosa. A maioria dos teóricos — começando por um dos primeiros e mais influentes, o abade calabrês do início do século XIII, Joaquim de Fiore — defendeu abertamente o comunismo: isto é, a ideia de que o trabalho, a propriedade privada e a divisão do trabalho desapareceriam nessa sociedade perfeita. Joaquim, que quase converteu três papas — e, portanto, quase alterou significativamente a história da civilização ocidental —, apresentou uma solução singular para o problema da produção sob o comunismo: ela deixaria de existir porque, na Era de Ouro que estava por nascer (ele previu seu advento para cinquenta anos após ter escrito a obra), toda a carne humana desapareceria, e o homem seria puro espírito. Assim se resolvia a questão da produção ou da propriedade. Esses espíritos humanos puros e incorpóreos, então, entoariam louvores a Deus em êxtase místico durante todo o milênio. Outros milenaristas, contudo, não podiam recorrer a uma saída tão fácil.

Embora a maioria dos teóricos do RDT tenha sido comunista, alguns pós-milenaristas — como o calvinista americano do início do século XX, J. Gresham Machen — foram defensores ferrenhos do laissez-faire e do livre mercado. No entanto, todos os milenaristas concordam em um ponto: não pode haver pecadores dignos de viver no mundo perfeito do RDT. “Pecadores”, naturalmente, são definidos de forma ampla para abranger uma parcela enorme da raça humana existente: incluem adúlteros, sodomitas, blasfemadores, idólatras, profetas de falsas doutrinas e todos os demais. Surge, então, uma questão crucial: como eliminar os pecadores para que o RDT possa ser estabelecido?

Para o pré-milenarista, a resposta é que, pouco antes da Segunda Vinda de Jesus — que estabelecerá o RDT —, Deus enviará o Armagedom, a batalha final do Bem contra o Mal, na qual todas as criaturas estranhas que povoam o livro do Apocalipse desempenharão papéis de destaque: a Besta, o Anticristo, o 666 e todas as outras. Ao final do Armagedom, o mundo terá sido purificado de todos os pecadores, e Cristo e Sua hoste de santos poderão então estabelecer o Seu Reino. Do ponto de vista libertário, o pré-milenarista representa pouco perigo, uma vez que seu papel é aguardar ansiosamente pelos supostos sinais do holocausto iminente. Pois o pré-milenarista, por mais ansioso que esteja, deve esperar que Deus realize os movimentos decisivos. Infelizmente, existem muitas vertentes do pensamento pré-milenarista que consideram importante — e moralmente obrigatório — que o pré-milenarista, ciente de que o Armagedom está próximo, tente acelerar o cronograma divino dando-lhe um pequeno empurrãozinho saudável, cumprindo assim a “vontade de Deus”. Dessa forma — para usar uma expressão de outro famoso milenarista (ateu) —, o pré-milenarista deve atuar como a “parteira da história”. É por isso que eu, pessoalmente, ficaria um tanto inquieto ao ver um pré-milenarista com o dedo próximo ao botão nuclear. (Nosso querido ex-presidente, Ronald Reagan, é um pré-militar declarado, mas é duvidoso que ele compreenda totalmente as implicações de sua própria posição.)

De modo geral, quando se deseja muito um evento e se acredita que ele é inevitável, tende-se a vê-lo surgindo logo ali, no horizonte. Assim, ao longo da história, os pré-milenaristas têm se debruçado sobre a Bíblia e os acontecimentos mundiais, enxergando sinais supostamente infalíveis da iminência do Grande Evento (o Armagedom). Períodos de guerra, convulsão social ou revolução sempre deram origem a um grande número de movimentos pré-milenaristas. No entanto, essas previsões específicas sempre se mostraram falsas — um problema eterno para os pré-milenaristas “historicistas”, aqueles que escolhem datas históricas precisas para o Armagedom ou para a Segunda Vinda. Um dos grupos historicistas mais influentes foi o movimento millerita — seguidores, nos EUA e na Inglaterra, do pregador norte-americano William Miller, que previu o Armagedom para um dia específico de 1843. Tipicamente, quando nada acontece na data prevista, o líder repensa a questão e conclui que houve um pequeno erro em seus cálculos científicos, situando a data real cerca de um ano mais tarde. Foi isso o que aconteceu com Miller. Contudo, quando nada ocorre na segunda data — neste caso, 1844 —, instala-se a confusão e o movimento entra em colapso. No caso dos milleritas, surgiu um subgrupo que afirmava que Jesus havia realmente chegado — validando, assim, a previsão —, mas que seu Advento fora invisível; o Advento tornar-se-ia visível a todos em algum momento futuro. Essa solução, pouco satisfatória, foi o caminho trilhado pelo grupo que mais tarde ficou conhecido como Adventistas do Sétimo Dia.

Mas, finalmente, descobriu-se uma saída criativa para as irritantes falsificações das previsões dos historicistas. John Nelson Darby, um pregador e místico inglês, inventou, nessa época, o conceito de dispensacionalismo, que mais tarde se espalhou como fogo em palha nos Estados Unidos e ficou conhecido como “fundamentalismo” (em referência aos volumes de Os Fundamentos, publicados em 1910). O que Darby e os fundamentalistas fizeram foi repudiar o método básico dos historicistas, que consistia em cronometrar a contagem regressiva para o Armagedom a partir de relógios proféticos que eles haviam descoberto na Bíblia. Darby desvinculou os pré-milenaristas das profecias numéricas baseadas na Bíblia. Segundo Darby, o relógio profético bíblico continuou a funcionar até a fundação da Igreja Cristã. A fundação da Igreja parou esse relógio, pois constituiu uma nova dispensação na história. A Igreja, em uma famosa frase de Darby, “é o grande parêntese na história”. Porém, em algum momento para o qual os pré-milenaristas buscam sinais, o relógio da profecia voltará a correr e a contagem regressiva para o iminente Armagedom começará. Um dos sinais previstos foi o retorno de todos os judeus à Palestina e sua conversão em massa ao cristianismo. Com um pouco de interpretação, então, a maioria dos pré-milenaristas escolheu a fundação do Estado de Israel em 1948 como o início da contagem regressiva, e muitos deles, portanto, escolheram quarenta anos depois, ou seja, 1988, como o Ano do Armagedom.

À medida que o pensamento pré-milenarista se desenvolvia, o Armagedom — que agora se considera durar sete anos e é conhecido como “a tribulação” — começou a representar um grande problema. É verdade que os maus, a vasta massa de pecadores, serão satisfatoriamente eliminados pela ira de Deus. Mas e os bons? Afinal, eles também, durante esses anos maravilhosos, porém árduos, correrão o risco de serem pegos no fogo cruzado e massacrados junto com todos os outros. Isso não parecia justo.

Assim, os teóricos pré-milenaristas, debruçando-se sobre a Bíblia, chegaram a uma solução: os bons não sofrerão durante o Armagedom. Em vez disso, pouco antes do início do Armagedom, Jesus retornará invisivelmente (uma variante da doutrina Adventista do Sétimo Dia) e arrebatará os bons para o Céu. Então, os bons, os salvos, sentar-se-ão à direita de Deus no Céu, observando (e talvez apreciando?) o espetáculo dos maus se massacrando na Terra. Então, depois que a guerra terminar, a poeira baixar e, talvez, a radiação se dissipar, Jesus retornará visivelmente à Terra com seus santos para governá-la por mil anos, com os pecadores eliminados de uma maneira extremamente satisfatória. Portanto, a Segunda Vinda é dividida em duas partes: a primeira, invisível, na qual Jesus arrebatará os bons; e a segunda, visível, na qual Ele retornará com eles para estabelecer o RDT.

Lembro-me bem de um sermão do meu televangelista pré-milenarista favorito, o Reverendo Jimmy Swaggart (antes que forças pessoais ou satânicas o derrubassem). O Arrebatamento, que Jimmy afirmava ser iminente, era o ponto alto da emoção para o reverendo e sua enorme congregação. Enquanto ele descrevia as glórias do Arrebatamento, gritos e soluços de alegria sacudiam os fiéis. Não pareceu contraditório para nenhum dos fiéis quando, alguns momentos de sobriedade depois, Jimmy pediu contribuições para sua faculdade bíblica. Mas por que se preocupar com escolas e faculdades quando o Arrebatamento estava prometido para dali a algumas semanas?

O pré-milenarismo é, essencialmente, uma crença passiva; contudo, desde o início da década de 1970, cristãos fundamentalistas têm se engajado com fervor crescente na ação política. Muitos, compreensivelmente, cansaram-se de aguardar o Arrebatamento e passaram a buscar um programa e uma estratégia política coerentes — algo que o pré-milenarismo jamais teria condições de oferecer. Daí a oportunidade de ouro para os reconstrucionistas cristãos.

Entram em cena, então, os pós-milenaristas. Os pós-milenaristas precisam de algum tipo de programa político, pois acreditam que o homem deve estabelecer o RDT por si mesmo. Os pós-milenaristas podem ser divididos em “imediatistas”, que querem tomar o poder e estabelecer o RDT imediatamente, e gradualistas, que prudentemente preferem esperar um pouco. Os imediatistas mais notórios surgiram no início da Reforma, em quinze breves, porém turbulentos anos, de 1520 a 1535. Em inúmeras cidades da Alemanha e da Holanda, diferentes seitas anabatistas tentaram tomar o poder e instaurar o RDT. Os pecadores deveriam ser eliminados pelo massacre imediato de todos os hereges, o que incluía todos aqueles que se recusassem a acatar as ordens do líder máximo da seita. Líderes como Thomas Müntzer e João de Leiden tentaram impor o comunismo teocrático, jurando exterminar os infiéis e agir como “a foice de Deus”, até que, como alguns deles disseram, o sangue cobrisse o mundo até a altura da rédea de um cavalo. Finalmente, em 1535, o último e mais importante dos sangrentos experimentos do comunismo anabatista, na cidade de Münster, foi derrubado, e seus seguidores massacrados em seguida.

Os fracassos dos anabatistas serviram para desacreditar o imediatismo e, a partir de então, os pós-milenaristas voltaram-se para medidas mais graduais e, portanto, um tanto menos coercitivas. A ideia era que, em vez de matar todos os pecadores e hereges imediatamente, os pós-milenaristas assumiriam as rédeas do governo e, por meios mais benevolentes e gentis, usariam o estado para moldar a todos, tornar os homens morais e erradicar o pecado, de modo a torná-los aptos a entrar no RDT. As principais igrejas protestantes da América do século XIX, por exemplo, foram tomadas por uma fervorosa versão pietista do pós-milenarismo, que enfatizava o revivalismo, as explosões de emoção e a condução pelo Espírito Santo. Esses protestantes pós-milenaristas tornaram-se cada vez mais progressistas e estatistas, sendo sua visão de mundo mais bem expressa por um de seus líderes, o professor Richard T.

Ely, fundador da Associação Econômica Americana, sociólogo cristão e incansável ativista e organizador, considerava o governo o principal instrumento de salvação de Deus. Os pecados que os pietistas protestantes estavam particularmente interessados ​​em erradicar eram: o álcool, a violação do sábado e o conhecido instrumento do Anticristo, a Igreja Católica Romana.

Por outro lado, os puritanos do século XVII nos EUA eram teonomistas, crentes na lei de Deus, que buscavam construir uma comunidade cristã em vez de se deixarem levar emocionalmente pelo Espírito Santo. Os reconstrucionistas cristãos modernos são os descendentes espirituais dos puritanos. Contudo, os teonomistas pós-milenaristas enfrentam um problema: Jesus jamais ocupou ou concorreu a um cargo político, nem defendeu qualquer legislação — o que talvez seja, afinal, um indício de que Jesus era mais libertário ou menos inclinado à doutrina da cristã do RDT do que os reconstrucionistas e outros pós-milenaristas acreditavam.

Portanto, ao tentar construir uma comunidade política baseada na lei de Deus, os puritanos só podiam recorrer ao Antigo Testamento e ao governo do antigo Israel. Daí a ênfase no apedrejamento até a morte dos transgressores e, consequentemente, a disputa sobre se a antiga lei israelita se aplica hoje em dia aos que violam o sábado.

Cristãos conscienciosos procuram seguir uma ética pessoal e política. É difícil conceber como um cristão pode ser utilitarista, niilista ou defensor da lei do mais forte. Parece-me que existem apenas dois sistemas éticos genuínos possíveis para um cristão. Um é a posição da lei natural/direitos naturais dos escolásticos (católicos ou anglicanos), na qual a razão humana está equipada para descobrir a lei natural, e a ética puramente teológica ou divinamente revelada constitui uma parte muito pequena, embora importante, do sistema. O outro é a visão calvinista de que a razão humana está tão corrompida que a única ética viável, aliás, a única verdade sobre qualquer coisa, deve provir da revelação divina apresentada na Bíblia. Com sua perspicácia habitual, Gary North percebe que as duas posições estão e devem estar em conflito, e, portanto, baseia toda a sua argumentação no pressuposicionalismo calvinista. Infelizmente, o pressuposicionalismo não é uma posição que provavelmente encontrará adeptos fora do círculo dos calvinistas mais fervorosos, e mesmo nesse círculo, suspeito que ele possa enfrentar dificuldades. (Existe mesmo apenas uma química cristã, uma matemática cristã, uma maneira cristã de pilotar um avião?)

Por fim, devo confessar que considero toda essa conversa sobre “alianças”, coalizões, associações ou “disposição para trabalhar em conjunto informalmente” (Tucker) um exercício de preciosismo. Os libertários vivem em um mundo onde — infelizmente! — nem todos são 100% libertários. Muitas pessoas — sem dúvida a maioria — são uma mistura de X% libertários e Y% não libertários ou antilibertários. Dizer que é inadmissível conversar ou trabalhar com alguém que não seja 100% libertário é seguir o caminho desastroso e insensato do randianismo ortodoxo: ou seja, cavar um buraco sectário profundo e pular dentro dele. Parece-me que a atitude sensata e de bom senso é trabalhar com os X% libertários das pessoas e ignorar, desencorajar ou combater os outros Y%. Não importa se você chama isso de aliança, coalizão ou qualquer outra coisa. Obviamente, em diferentes contextos e épocas, algumas questões serão mais importantes do que outras, e cabe ao libertário individual, dependendo do contexto, do seu temperamento e dos seus interesses pessoais, decidir quais questões e coligações priorizar.

Obviamente, é importante para os libertários discutir quais questões provavelmente serão dominantes ou mais importantes em qualquer período histórico. Assim, durante a Guerra do Vietnã, na minha opinião, as questões políticas mais importantes eram a guerra e o alistamento militar obrigatório, e daí meu argumento de que uma coalizão, aliança, associação informal ou algo do tipo com a Nova Esquerda era pertinente. Atualmente, o alistamento militar obrigatório está em fase de registro, e parece claro que os “combatentes da liberdade” da era Wheeler-Rohrabacher praticamente desapareceram e que a própria Guerra Fria está chegando ao fim. Se isso for verdade, então, no período que se avizinha, talvez seja cabível algum tipo de associação, coalizão ou algo do gênero com certas vertentes de conservadores. Mas apenas — tal como se propunha outrora em relação à esquerda — com aqueles que se opõem ao establishment. Jamais poderá haver um argumento convincente para nos unirmos ou aliarmos ao aparato estatal. De qualquer modo, espera-se que as discussões estratégicas entre libertários possam ocorrer com um mínimo de anátemas e ameaças de excomunhão, visto que, como bem observa Jeff Tucker, em “questões de estratégia, respostas definitivas são esquivas”.

 

 

 

 

Artigo original aqui

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Notas

[1] Jeffrey A. Tucker, “Puritanism Comes Full Circle”, Liberty (julho de 1989): 72–75, resenhando “Puritan Economic Experiments”, de Gary North. Dominion Press, 1988, 68 pp.; e as respostas em “ Reconstructionists, Libertarians, and Dead Theologians”: Gary North, “Capitalism, Catholicism and Reconstructionism: A Reply to Jeffrey Tucker”, Liberty (setembro de 1989): 48–51; Jeffrey A. Tucker, “Reconstruction and Liberty”, Liberty (setembro de 1989): 51–54. Veja também Jeffrey A. Tucker e Llewellyn H. Rockwell Jr., Ayn Rand is Dead; Llewellyn H. Rockwell Jr., Realignment on the Right?, Conservative Review, vol. 1, no. 3 (maio de 1990); Kinsella, The Three Fusionisms: Old, New, and Cautious. —Ed.

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