Os conservadores não entendem a simples questão da maconha

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A maconha medicinal já é legal em 40 estados americanos e em Porto Rico. A maconha recreativa é legal em 24 estados dos 50 estados americanos. Ambas são legais na capital Washington e nos territórios americanos de Guam, Ilhas Marianas do Norte e Ilhas Virgens Americanas. Muitos conservadores estão muito descontentes com isso.

Naomi Schaefer Riley é uma dessas conservadoras. Ela é pesquisadora sênior do American Enterprise Institute (AEI), onde se concentra em questões de bem-estar infantil e acolhimento familiar. Ela também é pesquisadora sênior do Independent Women’s Forum; colaboradora frequente do New York Times, do Wall Street Journal e do Washington Post; e já apareceu na NBC News, Fox News e CNBC.

Em um artigo de opinião para o Deseret News, também publicado no AEI, intitulado “Dois mitos sobre a cannabis estão se desfazendo em tempo real”, Riley argumenta que “os defensores da legalização da cannabis usaram dois argumentos principais para persuadir o público nas últimas décadas”, mas que “cada vez mais, ambos parecem ser completamente falaciosos”.

Aqui estão os dois principais argumentos que ela tenta refutar:

O primeiro é que a cannabis possui benefícios medicinais.

O segundo mito importante propagado pelos defensores da cannabis é que a legalização da droga melhoraria a vida dos negros.

Riley ridiculariza a ideia de que a maconha tenha benefícios para a saúde no tratamento da ansiedade, depressão e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), citando um novo estudo publicado pela The Lancet que “concluiu que não há evidências da eficácia da cannabis no tratamento de nenhuma dessas condições psiquiátricas”. Ela também destaca que “consumidores em 12 estados entraram com uma ação coletiva contra três empresas de cannabis por alegações de que seus produtos poderiam ajudar com problemas de saúde mental, dor e outros transtornos, mesmo sabendo que as evidências não comprovavam isso”.

Considero o primeiro argumento dela muito fraco. Ela cita apenas um estudo que corrobora seu ponto de vista e ignora outros estudos que chegam a uma conclusão contrária, e o estudo que ela cita se limita ao efeito da cannabis na saúde mental. Quanto ao processo judicial, pessoas e empresas são processadas por todo tipo de coisa. O fato de três empresas de cannabis terem sido processadas não prova nada.

Riley explica a mecânica do segundo argumento da seguinte forma: “A narrativa era de que os negros foram desproporcionalmente afetados pela guerra às drogas e que a descriminalização da cannabis significaria que menos negros seriam encarcerados por crimes não violentos relacionados a drogas”. Ela afirma, em primeiro lugar, que “nossas prisões não estão cheias de pessoas que foram presas por serem pegas com uma pequena quantidade de maconha. Elas estão cheias de pessoas que cometeram crimes violentos e, infelizmente, existem disparidades raciais nesses crimes”. E, em segundo lugar, ela se refere a um artigo de 2022 intitulado “Diferenças Raciais e Étnicas no Uso de Cannabis e Transtorno por Uso de Cannabis: Implicações para Pesquisadores”, de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Dependência Química da Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati, para provar que a legalização da maconha resultou em “um aumento no uso de cannabis entre negros americanos em relação aos seus pares brancos, especialmente entre adolescentes e jovens adultos”.

Novamente, seus argumentos são bastante frágeis. Em nível federal, a maconha ainda é classificada como uma substância controlada de Classe I pela Lei de Substâncias Controladas (CSA), com “alto potencial de abuso”, “nenhum uso médico atualmente aceito” e “falta de segurança comprovada para o uso da droga sob supervisão médica”. Possuir, cultivar, transportar ou distribuir maconha ainda é crime federal, com violações resultando em multas e/ou prisão. Dezenas de milhares de pessoas são presas todos os anos por simples posse, e dados do FBI mostram que prisões por posse de maconha representam mais de 20% de todas as prisões relacionadas a drogas.

Diante das fragilidades das próprias evidências, é Riley quem apresenta argumentos que parecem ser completamente falaciosos.

Mas vamos supor, para fins de argumentação, que ela não só esteja completamente correta, como também tenha subestimado seus argumentos. Vamos assumir que (1) a cannabis não possui absolutamente nenhum benefício medicinal e, na verdade, é extremamente prejudicial à saúde, e (2) a legalização da maconha prejudicou substancialmente a vida dos negros. Vamos também assumir que todos que afirmam que (1) a cannabis possui benefícios medicinais e (2) a legalização da droga melhoraria a vida dos negros americanos não estão apenas errados ou mal informados, mas estão mentindo descaradamente para nós.

Isso não mudaria nada. Só provaria que algumas pessoas estão apresentando argumentos falaciosos a favor da legalização da maconha.

Resumindo, os conservadores, incluindo Riley, não entendem a questão da maconha, porque o único argumento real para a legalização da maconha é a liberdade. Não importa se a maconha não tem benefícios medicinais e se os defensores da legalização da maconha medicinal só querem ficar chapados. Assim como não importa se o uso recreativo da maconha é viciante, prejudicial, arriscado, nocivo à saúde, imoral, pecaminoso ou perigoso.

Não é da alçada de nenhum governo, em qualquer nível, se preocupar com os hábitos alimentares, de consumo de bebidas alcoólicas e de tabagismo dos cidadãos. Isso não é da alçada do American Enterprise Institute nem de qualquer outro think tank conservador. Isso não é da alçada de Naomi Schaefer Riley nem de qualquer outro conservador defensor do estado paternalista e da guerra às drogas.

Enquanto alguém estiver envolvido em atividades pacíficas e privadas que não violem os direitos pessoais ou de propriedade de terceiros, o governo deveria simplesmente deixá-lo em paz.

 

 

 

 

Artigo original aqui

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