Rothbard estava certo

3
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Se você quiser entender Murray Rothbard, você precisa ter em mente um único princípio. Se você se lembrar disso, terá a chave para compreender seu pensamento. E você deveria querer entender Murray Rothbard, porque ele foi o maior defensor da liberdade nos EUA do século XX.

O princípio em questão é que Murray Rothbard teve uma visão consistente de uma boa sociedade que ele defendeu ao longo de sua carreira. Ele descreveu essa visão em um vasto número de livros e artigos, incluindo Man, Economy, and State, Governo e Mercado, A ética da liberdade e Egalitarianism as a Revolt Against Nature. Esta visão sempre foi a mesma.

Algumas pessoas, mesmo entre aquelas que conheciam e admiravam Murray, não conseguem entender isso porque elas o veem através de uma ótica política. Elas apontam para as alternâncias de suas alianças políticas, vendo suas mudanças da Velha Direita para a Esquerda e finalmente para o Paleolibertarianismo. Escapa a elas o ponto essencial.

É claro que Murray queria colocar sua visão em prática. Mas para ele a visão era primordial. Se você se concentrar nas táticas políticas de Murray, você vai perder o verdadeiro Murray.

Qual era esta visão? Como todo mundo sabe, Murray acreditava em um mercado completamente livre. O estado, que Nietzsche chamou de “o mais frio dos monstros” era o inimigo.

Para que uma sociedade livre pudesse se manter, as pessoas precisavam possuir certos valores. Murray era um tradicionalista que acreditava no Direito Natural e na Família. Ele deplorava ataques contra a tradição como os do movimento feminista moderno. Sobre temas de cultura, Murray começou na Direita, e permaneceu sempre ali.

Aqui vão alguns exemplo do que ele dizia: “No nosso século, fomos soterrados por uma avalanche do mal, em forma de coletivismo, socialismo, igualitarismo e niilismo. Para mim sempre foi totalmente claro que temos uma imperiosa obrigação moral, para o nosso bem, de nossos familiares, nossos descendentes, nossos amigos, nossos vizinhos, de lutar contra este mal.”

Para fazer isso, devemos ficar com a sabedoria da filosofia perene: “Em contraste com outras ciências específicas ou com a história, pode haver pouca inovação genuína na filosofia de uma década, ou mesmo de um século, para outro. A filosofia lida com problemas eternos através do discurso racional. Além disso, a filosofia genuína é apenas o senso comum refinado, o qual não possui uma oferta maior hoje do que na Grécia antiga. Então não há nada muito novo que filósofos podem legitimamente dizer.”

Ele não via utilidade no feminismo moderno: “Na raiz do movimento de libertação das mulheres está o ressentimento contra a própria existência das mulheres como uma entidade distinta.”

Murray via as elites esquerdistas como inimigas dos valores que ele defendia: Ele disse que “Vivemos em um país estatista e um mundo estatista comandado por uma elite dominante, formada por uma coalizão do Grande Governo com o Grande Empresariado e diversos grupos de interesses influentes. Mais especificamente, o antigo EUA de liberdade individual, propriedade privada e governo mínimo havia sido substituído por uma coalizão de políticos e burocratas aliados com, e até dominados por, poderosas elites financeiras monetárias e corporativistas.” Como ele resumiu, “O maior perigo são as elites, não as massas.”

Durante a década de 1960, ficou evidente para Murray que o agente da CIA Bill Buckley forçou a rejeição do não intervencionismo da Velha Direita. “Conservadores” daquele período como o ex-comunista Frank Meyer e o ex-trotskista James Burnham queriam uma guerra preventiva para aniquilar a união Soviética.

Para Murray, a luta contra a guerra sempre foi o objetivo político primordial. “A guerra é o alimento do estado”, na famosa frase de Randolph Bourne, e a batalha contra o estado é uma batalha contra a guerra. A Esquerda durante os anos de 1960 e 70 se opunha a Guerra do Vietnam e a Guerra Fria em geral. Por causa disso, ele formou uma aliança política temporária com ela.

Um fato deve ser sempre levado em conta sobre essa aliança. Ela era estritamente limitada a política externa. Murray nunca mudou de ideia sobre os valores sociais conservadores ou, logicamente, o livre mercado.

Quando Murray viu como os valores esquerdistas haviam praticamente tomado conta do Partido Libertário, ele ajudou a formar a famosa “Aliança Paleo”. Ele juntou forças com tradicionalistas que também se opunham à guerra. Ao fazer isso, ele permaneceu fiel a sua visão consistente. Ele jamais titubeou nesta visão.

Se você quiser saber como seria na prática a visão de Rothbard aplicada aos EUA contemporâneo, você deveria olhar para o Ron Paul. A carreira do dr. Paul no congresso, marcada por sua oposição a guerra e ao Fed, é o melhor exemplo dos valores de livre mercado anti-elitista que Murray apoiava.

Aqueles muito focados no “troca troca da política” não enxergam o que é mais verdadeiro e mais vital na obra de Murray Rothbard.

 

Tradução de Fernando Chiocca.

Artigo original aqui.

3 COMENTÁRIOS

  1. “Em contraste com outras ciências específicas ou com a história, pode haver pouca inovação genuína na filosofia de uma década, ou mesmo de um século, para outro. A filosofia lida com problemas eternos através do discurso racional. Além disso, a filosofia genuína é apenas o senso comum refinado, o qual não possui uma oferta maior hoje do que na Grécia antiga. Então não há nada muito novo que filósofos podem legitimamente dizer.”

    Genial!!!