banco-centralMoto-contínuo ou máquina de movimento perpétuo é o nome dado a um motor imaginário que é movido pela energia que ele mesmo produz. Obviamente o funcionamento do moto-contínuo é impossível por razões físicas: tais máquinas violariam a primeira e a segunda lei da termodinâmica. Claro que existem inúmeros charlatões que juram que é possível e até constroem supostos moto-contínuos, mas a própria ciência prova que isso é impossível e qualquer tentativa está fadada ao fracasso. Claro que um suposto moto-contínuo pode se mover por um tempo após o primeiro empurrão necessário, mas ele tenderá a parar porque é simplesmente impossível criar energia do nada para continuar se movendo. Ora, essa máquina precisaria de mais energia além da necessária para o primeiro empurrão e a energia gasta necessária para continuar se movendo não pode ser menor do que a produzida pelo seu movimento. Para tal teria de simplesmente criar energia do nada.

Hoje, ninguém sério acredita na possibilidade de se fazer funcionar um moto-contínuo. Afinal, são bastante claros os fatores que impossibilitam o seu funcionamento. Quem faz objeções para esses fatos são desinformados ou mal intencionados. Não existem outros adjetivos para esse tipo de gente. Seria um absurdo qualquer professor de física afirmar tal coisa.

Mas fica a pergunta: por que é um absurdo um professor de física afirmar que um moto-contínuo é possível, mas não é absurdo um professor de economia defender a emissão de moeda por parte do banco central?

As leis econômicas são ainda mais rígidas que as leis físicas. [1] Rothbard escreveu no seu clássico O que o governo fez com o nosso dinheiro?:

[…] o estoque total – ou oferta – de moeda em uma sociedade, em qualquer momento, seria a massa total da moeda-mercadoria existente. [2]

O que os bancos centrais fazem é falsificar o dinheiro cunhando moeda falsa devido ao monopólio da emissão. O objetivo é claro, bancos se beneficiam da emissão de dinheiro pelos bancos centrais podendo assim praticar reservas fracionárias. Em suma, bancos centrais e moto-contínuos possuem uma coisa em comum: criam coisas do nada. O banco central cria dinheiro do nada e o moto-contínuo cria energia do nada. O problema é que no caso do banco central o resultado é infinitamente muito mais desastroso que a tentativa de construir um moto-contínuo. Quando alguém tenta construir um moto-contínuo, essa pessoa terá o prejuízo sozinha assim como um grupo que tenta fazê-lo. Porém, no caso de um banco central é bem diferente.

O banco central detém o monopólio da emissão de moeda. Ou seja, não podemos usar nenhuma moeda que não seja a emitida por ele. Como Rothbard explicou na citação acima, o valor total da oferta de moeda tende a ser igual a oferta de bens e serviços. Mas quando o banco central produz mais dinheiro do que já se tem, a demanda por ele fica bem reduzida fazendo com que ele perca o valor. O que significa que serão necessárias mais unidades monetárias para cobrir o mesmo valor por um produto. Ou seja, eles criam dinheiro do nada sob o pretexto de melhorar a economia, mas é sabido que isso não adianta. Portanto, a conclusão que chegamos é: quem defende isso ou é ingênuo ou vigarista.

Banco central e moto-contínuo no final só possuem uma semelhança: ambos criam coisas do nada. Mas há de lembrar que o primeiro gera pobreza, crises, falência de empresas e acaba com qualquer planejamento de qualquer família. O moto-contínuo é apenas algo discutido entre ingênuos, mas os bancos centrais são defendidos pelos mais famosos economistas do mundo e pela grande maioria dos professores universitários. O que é irrelevante é ignorado, mas o que serve como ferramenta de poder é defendido por capangas e idiotas úteis. O banco central é pior do que qualquer arma de destruição em massa, mas ele sempre terá seus defensores. Afinal, que estrago provocaria um professor de física que acredita no funcionamento do moto-contínuo? Certamente que bem menos que os professores de economia que defendem o banco central.

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[1] Enquanto a Física admite certo grau de empirismo, a Ciência Econômica tem uma natureza a priori e suas leis são deduzidas de forma a priori à experiência material. Assim sendo, uma violação de uma lei econômica, como a Lei da Utilidade Marginal, por exemplo, é essencialmente uma violação da lógica.

[2] Murray N. Rothbard; O que o governo fez com o nosso dinheiro? (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2013), p. 25.

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