Entrevista com Lew Rockwell, fundador e chairman do Instituto Mises, sobre o Corona

2
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Por muitos anos sou um adepto da Lei Rockwell, que afirma: “Sempre acredite no oposto do que os funcionários do estado dizem a você, e o corolário, sempre faça o oposto do que eles aconselham você.” Portanto, com a pandemia de coronavírus não foi diferente. Quando as autoridades públicas e seus especialistas começaram a alegar que havia um novo vírus que varreria o globo e mataria grande parte de sua população, a menos que todos usassem máscara, ficassem em casa e entrassem em uma banheira de álcool gel, eu não parei de lavar minhas mãos antes das refeições e comecei a lamber corrimãos nas estações de metrô. No entanto, eu não acreditei neles e nunca fiz o que eles disseram. No fim das contas, a Lei Rockwell estava certa mais uma vez. Um ano depois, está claro que o perigo extremo do vírus era uma mentira flagrante (seus especialistas nem sequer eram especialistas – coisa que nem existe), e suas quarentenas e máscaras fizeram o contrário, destruindo a saúde e a vida das pessoas que deveriam salvar.

Durante este – primeiro (?) – ano corona, minha principal fonte para obter informações reais e ver além da propaganda da grande mídia e do governo foi o LRC, lewrockwell.com – como faço com todos os assuntos desde que me tornei um libertário. No entanto, nunca vivi em tempos tão tirânicos e gostaria de agradecer Lew Rockwell por ser um farol de liberdade neste momento difícil de nossa história. Embora eu tenha traduzido e publicado centenas de artigos sobre corona, grande parte vinda do LRC, o Instituto Rothbard publica apenas um ou dois artigos por dia, enquanto o LRC publica doze – além de muito mais coisas nas áreas de blog e teatro político. Portanto, há muitos assuntos que não tratamos e tentarei retomar alguns deles na entrevista a seguir com o próprio Lew Rockwell, a fim de entender melhor o que está acontecendo com o mundo.

Fernando Chiocca: Em primeiro lugar, como estão as coisas em Auburn-AL? As elites globalistas quase conseguiram realizar seu sonho de impor uma ditadura uniforme ao mundo. Com exceção de alguns lugares como a Bielorrússia, governos de todo o mundo impuseram restrições, em maior e menor escala, às liberdades individuais mais básicas como, por exemplo, trabalhar, ir ao parque e à igreja. O que mudou na sua vida?

Lew Rockwell: As coisas poderiam ser piores, do jeito que estão em Los Angeles, mas em Auburn, ainda enfrentamos severas restrições. Estamos sob o chamado “decreto de máscara” que expira em 5 de março, mas acho que os burocratas estaduais e locais irão estende-lo. Jantar em restaurantes é limitado a pequenos grupos. Temos que usar máscaras ao ar livre e devemos “distanciar-nos socialmente”, como diz o termo orwelliano, a um metro de distância das outras pessoas. Felizmente, muitas pessoas ignoram essas ordens e, dentro do Instituto Mises, ninguém usa máscara. Estamos tentando realizar todos os nossos eventos, mas muitas pessoas que costumam comparecer não puderam comparecer devido a restrições de viagens.

Fernando: Em seu tempo de vida, você já testemunhou época pior para as liberdades?

Lew: Eu teria que dizer que essa é a pior, no que diz respeito às restrições à liberdade individual em nossa vida cotidiana. É claro que também houve tempos difíceis no passado, como os treinamentos para ataques nucleares durante a Guerra Fria e o pânico após o ataque de 11 de setembro em 2001.

Fernando: Após um ano nesta loucura, as coisas não dão sinal de que irão melhorar. Aqui em São Paulo o governador acabou de impor um toque de recolher, com a mesma desculpa de um ano atrás de “achatar a curva” para salvaguardar o sistema de saúde. Já sabemos que o estado adora declarar guerras sem fim, como a guerra às drogas, guerra contra a pobreza, guerra contra o terrorismo. Entramos em uma nova guerra perpétua do estado?

Lew: Sim, temo que teremos mais problemas, embora por um tempo eu pensei que a chamada pandemia Covid-19 tinha sido promovida para ajudar Biden à derrotar Trump e que após a chamada “vitória” de Biden, seríamos informados que o Covid-19 foi embora. Mas agora acho que vai continuar por muito tempo, a fim de tornar as pessoas subservientes ao Estado. E podemos esperar que a “guerra climática” se intensifique, com cada vez mais restrições aos negócios, destinadas a aniquilar a civilização e a indústria. A propósito, na realidade Trump ganhou a eleição – ela foi roubada dele. Mas sem a Covid-19, ele teria derrotado Biden por uma margem tão grande que o roubo não poderia ter acontecido.

Fernando: Você ficou surpreso com a facilidade com que as elites conseguiram impor a ditadura corona ao mundo, com apenas a resistência irrisória de libertários e alguns conservadores?

Lew: A maioria das pessoas está zangada com as restrições, mas infelizmente há uma tendência de concordar com o governo, desde que seja alegada uma questão de saúde pública. Fiquei surpreso com o fato de as restrições durarem um ano, embora quando foram introduzidas em março do ano passado, deveriam durar apenas algumas semanas para “achatar a curva”.

Fernando: Você tem publicado regularmente no LRC artigos de Jon Rappoport. Ultimamente ele está focado em expor a “farsa do teste PCR” e em trazer evidências de que o vírus nem mesmo foi isolado. Você já tem uma opinião sobre esses dois assuntos?

Lew: Rappoport é um repórter da área médica muito experiente – ele é jornalista investigativo há 20 anos. Seu trabalho e o trabalho de outros especialistas notáveis, como Bill Sardi, que apresentamos no LRC, mostram que temos todos os motivos para questionar a narrativa médica convencional. Cada aspecto dela é falsa. Aprendi a ser cético sobre o establishment da medicina com meu pai, que era um médico bem ciente da agenda do Estado para a medicina.

Fernando: Outra coisa que há anos vejo no LRC são artigos sobre os perigos de vacinas e como a grande indústria farmacêutica usa a burocracia governamental para empurrar seus produtos ao grande público. Antes de falarmos da vacina covid, gostaria de saber qual a sua visão sobre as vacinas em geral. Você é a favor de algumas ou é um completo anti-vacina?

Lew: Acho que muitas vacinas são perigosas, especialmente as novas, como as vacinas Covid-19, quando os efeitos colaterais não foram estudados. Devemos sempre suspeitar quando os governos querem, ou pior ainda, exigem que tomemos uma vacina. Eu não diria que todas as vacinas são ruins, mas é claro que deve caber a cada indivíduo tomar decisões sobre as vacinas por si mesmo. Os pais não devem ser forçados a vacinar seus filhos.

Fernando: E agora com essa vacina covid feita em menos de 9 meses, ao passo que os próprios especialistas do governo diziam que era impossível uma boa vacina chegar ao mercado em menos de 18 meses. E ainda com a pressão para tornar a vacina obrigatória, com o passaporte da vacina e outras restrições… pode surgir um mercado compulsório de 7 bilhões de clientes – seria esse o grande sonho da indústria farmacêutica em conluio com os governos se tornando realidade?

Lew: Sim, as grandes empresas farmacêuticas têm lucros tremendos com as vacinas. É claro que não se trata de lucros de mercado livre, já que, como você observou, o governo exige que sejamos vacinados. E, à medida que surgem supostas novas variantes do vírus SARS, podemos esperar que mais vacinas sejam comercializadas.

Fernando: E parece que eles também estão em conluio com as grandes empresas de tecnologia. Qual é a sua opinião sobre a censura que as mídias sociais estão fazendo contra todos que ousam desafiar a narrativa da OMS, dos CDCs ou qualquer uma de suas opiniões permitidas?

Lew: Esse é o principal problema. Se você tentar postar algo no Facebook ou YouTube que questione a versão que o governo quer que acreditemos, sua mensagem será removida e você poderá ter sua conta excluída. Se os relatos dos médicos céticos chegarem aos meios de comunicação de massa, eles serão acompanhados por uma declaração “corrigindo” sua alegada desinformação. As pessoas em uma sociedade livre deveriam ser capazes de decidir por si mesmas, sem a coerção de uma elite pseudocientífica.

Fernando: Também há muitos anos me informo no LRC sobre dicas de saúde do grande Dr. Joseph Mercola, e durante essa era covid não foi diferente; o Dr. Mercola forneceu muitas dicas de como aprimorar o nosso sistema imunológico. Você, que já passou dos 70 anos e está no grupo de maior risco, mudou algo nos seus hábitos?

Lew: Estou garantindo que recebo luz solar e vitamina D suficientes, bem como outras vitaminas e minerais como o zinco. Os conselhos do Dr. Mercola foram muito importantes para mim, e fui muito influenciado pelos conselhos de Bill Sardi, um lutador corajoso pela verdade médica.

Fernando: O LRC é uma fonte magnífica de informações sobre a ineficácia e perigos do uso de máscaras. O Dr. Ron Paul contou no podcast que gravou com você sobre quando o dentista dele o informou que ele deveria entrar no consultório usando máscara, dar cinco passos até a cadeira e aí sim retirá-la para ser tratado. Dr. Paul simplesmente mudou de dentista. Você já passou por algum episódio parecido? Máscara em dentista, existe evidência maior que trata-se meramente de um simbolismo? O estado encontrou um símbolo para seu culto?

Lew: Meu dentista e os médicos que vejo conhecem as evidências médicas de que as máscaras não fazem bem e não insistem que dissidentes como eu as usem. As máscaras interferem na respiração e são um sinal de subserviência.

Fernando: O que diria para quem o chama de negacionista?

Lew: Eu diria que eu e outros amigos da liberdade afirmamos os valores da verdade e da liberdade, e nossos inimigos são os negacionistas da verdade e da liberdade. Não devemos permitir que nossos oponentes nos manchem com esse termo falso.

Fernando: Diante deste cenário distópico você encontra espaço para otimismo?

Lew: À medida que mais e mais pessoas se cansam das restrições às nossas liberdades, e como essa coisa se arrasta indefinidamente, espero que a resistência em massa ao programa estatista que suprime nossa liberdade. No Instituto Mises e no LRC, estamos fazendo tudo o que podemos para promover a resistência ao modelo de tirania do Estado.

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Entrevista interessantíssima. Eu que costumo ser cético até dos meus próprios pensamentos, tendo a ser um crente desta religião da Assembléia libertária.

    Eu sigo esta Lei do Rockwell desde que larguei aqueles malditos liberais pseudos defensores da liberdade e da propriedade privada, só que inspirado em uma frase do caudilho Brizola: “se a Globo é a favor, somos contra. Se a Globo é contra, somos a favor”. Depois de compreender que o estado é apenas uma refinada gangue de ladrões em larga escala, entendo tudo o que os burocratas dizem ao contrário, ou como disse certa vez o Alexandre Porto, ao contrário de suas intenções manifestas.

    O meu período acumulado usando máscara fora do ambiente onde os donos me obrigam, é igual a zero. O curioso disso tudo, é chegar a conclusão de que se o vírus fosse realmente mortal a população estaria fudida, já que máscaras não funcionam para impedir a porra do vírus. Como o sistema sabe disso, a possibilidade que paulatinamente somente sejam fabricadas as N95 para se entrar em determinados lugares é grande.

    O estado leviatã como um ladrão refinado é devido a uma cena do Filme “Duro de matar”, onde a mulher do Bruce Willis diz pro líder da quadrilha: apesar desta sua sofisticação, você não passa de um simples ladrão…. o sujeito retruca mais ou menos como um burocrata do estado: ladrão não! ninguém que rouba bilhões pode ser considerado um ladrão. E provavelmente ele esteja certo.