Como o Lockdown vai colapsar os sistemas de saúde pelo mundo

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Foi nos dito que o Lockdown tinha com um único objetivo de impedir que os sistemas de saúde entrassem em colapso. A ideia de retardar o contágio do vírus chinês e permitir ao sistema de saúde dar conta da demanda foi aceita sem muita resistência. Isso seria perfeito se não fosse por uns pequenos detalhes ignorados no debate:

1 – As pessoas não vão ao hospital apenas por covid

Pode parecer óbvio, mas em tempos de histeria coletiva é sempre bom lembrar que ninguém vai ao hospital porque gosta ou só por coronavírus; as doenças não entram em lockdown e não vão aguardar três meses para se manifestar.

2 – O sistema de saúde já está em colapso faz tempo

Nem é preciso usar fontes e dados oficiais para explicar esse dado da realidade, qualquer pessoa que vive nesse planeta sabe a demora de se conseguir uma simples consulta, para ser encaminhado ao especialista, que irá marcar um dia para o exame médico, para depois retornar ao especialista e se der sorte de ainda estar vivo, começar o tratamento.

3 – Ao retardar o diagnósticos cria-se uma demanda maior de casos graves no futuro

Essa demora toda é fruto de uma legislação arcaica, onde são gastos bilhões com burocracias inúteis que impedem que o dinheiro seja reinvestido de fato em saúde. A demora do diagnóstico piora casos que poderiam ser tratados logo no começo, aumentando a demanda por leitos e tratamento de emergência, que também dispensa fontes, não é raro as reportagens por filas de espera e pessoas morrendo por falta de atendimento. Essa é a parte mais cruel, uma pessoa que poderia se tratar sem maiores complicações a um custo baixo, passa a ter um risco de morte muito maior e com tratamento de emergência muito mais caro.

4 – O desemprego vai tirar milhões dos planos privados e levar a falência alguns hospitais privados

Nesse sistema de colapso permanente, que é uma verdadeira linha de produção da morte, a única coisa que consegue funcionar de forma muito precária é a rede particular de saúde. Grande parte da receita dos planos de saúde não são de idosos – essa taxa é bem menor do que se imagina. Apenas 12% dos usuários de planos de saúde tem mais de 60 anos, que seriam aposentados e teriam condições de se manter com plano de saúde independente de estar ou não empregado. Outros 12% são de jovens até 19 anos, e a esmagadora maioria, 76%, são de pessoas economicamente ativas, que tem plano de saúde empresário, ou familiar bancando os 12% de jovens no sistema. (Fonte: ANS)

O desemprego em massa criado pelo lockdown vai afetar a maior parcela dos usuários de planos privados, que são os que mais pagam e menos utilizam por serem mais jovens e com saúde melhor que a parcela de idosos. O impacto será brutal para as finanças dos planos privados, talvez até maior que das empresas de aviação. Muitos planos que estavam tentando se recuperar da queda da crise 2015 não vão aguentar, e é esperado um número alto de falência nessa área.

5 – A baixa arrecadação vai impactar os sistemas de saúde pública

Os planos privados atendem cerca de 44 milhões de pessoas, o SUS finge que cuida da outra parte. Com um sistema falido de saúde pública, sem conseguir dar conta da atual demanda, não é difícil de imaginar o que vai acontecer.Com o acumulo de doentes sem tratamento precoce, a interrupção de tratamentos em planos privados pela saída dos usuários sem emprego, e a falência de alguns planos de saúde, a expectativa é que a demanda cresça muito além do esperado no sistema público. Sem arrecadação com a depressão econômica, será impossível injetar mais recursos em um sistema que já é uma máquina de matar pobres.

6 – Só uma economia totalmente ativa e a pleno vapor consegue suprir demandas

A ideia de se fechar toda a economia para priorizar a saúde ignora o ensinamentos de Bastiat, aquilo que se vê e o que não se vê. Não é possível em uma economia tão diversificada, interligada e uma refinada divisão social do trabalho, separar uma área que atende saúde do resto. Qualquer área da economia está ligada a todas as outras, e qualquer paralisação de um serviço afeta todo o resto. É impossível concentrar esforços e fazer uma operação de guerra na área da saúde paralisando todo o resto da economia.

 

A frase se mantém atual, se o estado cuidar do deserto do Saara em pouco tempo vai faltar areia. O estado se propôs a melhorar a saúde para combater uma pandemia, e o resultado é que teremos menos saúde e o caos permanente dos hospitais.

A lição que fica é que pode ser no meio de uma pandemia, pode ser em depressão econômica, pode ser até em Marte, mas as leis econômicas são sempre imutáveis, e sempre que são ignoradas, os resultados são catastróficos.

2 COMENTÁRIOS

  1. Estou perplexo ante este marasmo aí… todos sem iniciativas… ‘esperando pra ver”! Há que se lançar às opções! Se, sempre fiz um caminho em linha reta, e, aparece ali uma mesa, dou a volta à mesa, oras!… ou devo ficar ali parado, olhando etupefacto, o obstáculo? Pô! Me coloco à disposição p/dialogar.