O alerta de misantropia da Defesa Civil foi real

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Noite de jogo do Brasil na Copa do Mundo. A partida começou às 21:30 e terminou às 23:30. Um jogo mequetrefe contra a seleção do Haiti, que está nessa Copa só porque este ano o torneio foi expandido para uns duzentos países! Assisti em casa mesmo, e antes do joguinho terminar eu já estava dormindo, então, às 1:30 da manhã, quando meu celular começou a soar um alarme estrondoso, eu já estava no vigésimo segundo sono. Nos primeiros momentos aquele barulho infernal invadiu os meus sonhos, e eu aos poucos fui entendendo que o alarme disparando freneticamente era parte da realidade – o som realmente vinha do meu celular, e só aí despertei.

Peguei o celular no criado-mudo para calá-lo e vi que era um alerta da Defesa Civil. Nem li o que dizia o alerta, mesmo sendo apenas uma palavra. Não estava interessado em saber qual era a emergência. Para mim, a emergência era interromper aquele ataque atroz ao meu sono. Parei o barulho e tentei voltar a dormir. Não consegui.

Fiquei tentando entender como meu celular, que não emite som nenhum, pôde me acordar dessa maneira. Ele não toca quando chegam mensagens e nem em nenhuma outra notificação – nem quando alguém me liga (sim, existem pessoas que ainda ligam! Nunca atendo nenhuma.) Eu desativei todos os sons. Meu celular vive há muito tempo eternamente em modo silencioso.

Mas mesmo assim ele apitou no começo desse ano na época das chuvas. Fui surpreendido com uma vibração e um som saindo do meu celular com a mensagem “Alerta da Defesa Civil de chuvas fortes na sua região”. Achei isso revoltante e na mesma hora pesquisei como desativar estes alertas. Descobri como, e os desativei. Alguns dias depois eu estava na academia e uns quatro celulares de pessoas que estavam ao meu redor apitaram ao mesmo tempo. O meu não. Era um outro alerta de chuva da Defesa Civil. Foi a comprovação que eu estava livre dessa amolação.

Então como? Como eu fui incomodado de novo pelo alerta da Defesa Civil que eu já havia desativado? Como? Essa pergunta não saia da minha cabeça enquanto eu tentava voltar a dormir. Eu disse para mim mesmo que assim que acordasse iria verificar como que o alerta que eu desativei foi reativado. Mas não aguentei esperar. Estava tenso com aquela situação e permanecia desperto, então fui pesquisar na madrugada mesmo.

A minha pergunta para a IA de como desativar os alertas no iPhone foi respondida com instruções para o mesmo procedimento que eu já havia executado muitos meses atrás. Mas também veio com uma observação:

Observação importante: Por questões de segurança pública e regulamentação, o iPhone permite que você desative os alertas de nível “Severo”, mas os alertas de emergência “Extremos” não podem ser desabilitados.

Isso me deixou extremamente nervoso e aí sim que o meu sono foi pro espaço. Por uma determinação legal, o sistema operacional do iPhone segue os padrões regulamentados pela Anatel. Através de uma tecnologia compulsória, o sistema nacional (Defesa Civil Alerta) opera via Cell Broadcast o envio de um sinal diretamente pelas antenas de celular da região afetada, sem possibilidade de recusa (opt-out) pelo usuário. Ou seja, a desgraça do estado está invadindo minha propriedade privada, meu aparelho celular, minha casa, meu quarto, minha cama, meu travesseiro, meus ouvidos, minha mente, meu sonho… e tirando minha paz! Ele está colocando um revólver na minha cabeça e impedindo que eu desative um som estrondoso do meu próprio celular.

O estado faz isso usando a desculpa de “salvar vidas”. Onde ouvimos isso antes recentemente? Exatamente; durante a fraudemia Covid. Ali tivemos nossas liberdades mais fundamentais ceifadas pelas armas do estado com a justificativa de salvar vidas. Fomos tratados como débeis mentais que deveriam ser obrigados a seguir as determinações de especialistas para não morrermos. Nossa capacidade de analisar os riscos e tomar nossas próprias decisões foi retirada à força de nós por uma série de medidas compulsórias. Fomos colocados em prisão domiciliar, impedidos de trabalhar de praticar esportes e até de ir à missa, fomos obrigados a perder nossas faces e o direito de respirar livremente, e muitos até foram obrigados a injetar veneno no próprio corpo, que acabou prejudicando a saúde e até matando milhões de pessoas com doenças cardíacas, cânceres e outras moléstias.

Agora, uma lei nos obriga a ouvir um alerta. É o estado nos tratando novamente como imbecis que não podem ter a autonomia de escolher quais alertas ouvir, pois, novamente, não temos capacidade de analisar riscos. Eu não estou nem aí para o que a Defesa Civil considera um risco para mim. Os alertas de chuva que desativei se mostraram totalmente irrelevantes para minha segurança. E considero a Defesa Civil um lixo estatal completamente inútil, como foi comprovado pela atuação estatal nas enchentes no Rio Grande do Sul de 2024.

Então como eu poderia dormir ao descobrir que estava mais uma vez sendo tratado como um idiota pelo estado? Não pude. Só fui pegar no sono novamente após as 4 da manhã. No dia seguinte descobri que mais uma vez eu estava certo em relação ao lixo que é a Defesa Civil. Aparentemente o alerta foi emitido pois o sistema lixo desse órgão estatal lixo foi invadido por um hacker que emitiu o alerta.

A mídia toda noticiou o ocorrido, repetindo a narrativa que o alerta era falso:

Mas embora a mensagem não tenha sido enviada pela Defesa Civil, ela não é falsa.

A mensagem alertava para a misantropia. Misantropia significa “desprezo generalizado pela humanidade e pelo comportamento humano” e foi exatamente isso que foi demonstrado ocorrer. O alerta mostrou que o estado despreza tanto a humanidade a ponto de proibir que desativemos um alerta. O alerta mostrou que os legisladores estatais consideram o comportamento humano algo tão desprezível que deve ser compulsoriamente moldado por eles. Não sei se era essa a intenção do hacker, mas o alerta foi real.

Sim, eu entendo a função de alertas. Se eu morasse ao lado de um dique e uma sirene tocasse alertando para a iminência de uma inundação, a sirene poderia salvar minha vida. Se sirenes tocassem avisando que um furacão estava chegando, todos teriam tempo de ir para abrigos e poderiam ser salvos. Se sirenes tocam na beira-mar avisando que um tsunami está chegando, muitos poderiam sair correndo para as montanhas. E se a cabine dessas sirenes fosse invadida por um engraçadinho que as disparasse no meio da madrugada, seria um caos que deixaria todo mudo revoltado quando descobrisse que tudo não passou de um trote.

Embora os legisladores podem ter considerado que a tecnologia dos aparelhos celulares poderia ser usada como uma sirene, ela não pode.

Também ninguém pode escolher desativar a sirene do local de risco que mora. Isso já é um erro, pois tudo deveria ser privado, e sirenes de alertas deveriam ser a escolha dos proprietários do condomínio privado da área de risco. Porém, mesmo no mundo estatista que vivemos, ainda podemos escolher morar ou não morar em uma área de risco. Eu escolhi não morar em uma área de risco. Aqui não tem risco de enchente, nem de furacão e nem de tsunami. Nenhum provedor de condomínio privado instalaria uma sirene pra nada por aqui. Então eu não preciso de um lixo de Defesa Civil me forçando a ouvir uma sirene no meu celular.

Mas mesmo quem more em locais de extremo risco e não possa escolher não ouvir uma sirene coletiva local, também deveria poder escolher não ouvir seu celular tocando uma sirene individual, pois a vida dele é dele e ele deve poder escolher se quer ou não correr o risco de ter um alerta pessoal desativado.

Se uma enchente inundar minha casa enquanto eu estiver dormindo e eu não acordar porque desativei o alerta que estava avisando que o dique ao lado estava rompendo, e eu morrer, o problema é só meu.

Essa é mais uma faceta do estado babá cuidando dos súditos deficientes mentais, como fez no Covid e como faz, por exemplo, com as leis antidrogas, a regulamentação de medicamentos e até a proibição de ovos com gema mole.

Tirar a autonomia do indivíduo através de uma legislação que proíbe a desativação de um alerta é misantropia. O estado despreza a humanidade.

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