Máscara – instrumento de opressão do proletariado

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No dia 17 de março de 2022, o ditador João Doria encerrou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados no estado de São Paulo. Hoje, quase 6 meses depois, Doria é só um ex-político que encerrou sua carreira por ter acumulado uma rejeição tão grande que não se elegeria nem para síndico de prédio e as máscaras são um incômodo do passado que quase ninguém sequer lembra de ter usado por mais de um ano.

Esta semana foi divulgada uma pesquisa sobre o uso de máscara que mostra que 32% da população não usa mais máscara e 49% ainda utilizam nos supermercados; e 25% em atividades de esporte e lazer. Essa pesquisa é mais furada que as pesquisas eleitorais que colocam Lula na frente de Bolsonaro. Na verdade, nas ruas da cidade 95% não usam máscara e nas atividades de esporte e lazer a porcentagem é ainda maior. Tenho frequentado o parque do Ibirapuera nas últimas semanas e verifiquei que menos de 2% ainda usam máscara. De fato, se você não usa transporte público ou teve que ir a alguma unidade médica (os únicos dois locais que seguem sendo obrigatório por lei o uso de máscara) você nem sabe que máscaras ainda existem.

Restam apenas 3 tipos de pessoas que ainda usam máscara.

O primeiro tipo é a vítima de terrorismo. São as pessoas que foram aterrorizadas pela mídia e pelos políticos, que martelaram na cabeça do povo uma narrativa apocalítica completamente fajuta de um vírus mortal e de como ficar em casa, usar máscara e se vacinar eram as únicas coisas que poderiam salvar a humanidade; isto acabou tornando-as germofóbicas. O estrago na psique dessa gente está feito; nem o fim da campanha terrorista foi capaz de fazê-las parar de usar máscara. Elas seguem apavoradas. Muitas dessas pessoas, em sua maioria velhinhos, provavelmente irão usar máscara pelo resto da vida. São pessoas que, incapazes de pensar por si próprias, escolheram acreditar nas classes mais mentirosas da sociedade – políticos e grande mídia – e foram feitos de idiotas completos, acreditando que um pedaço de pano na cara lhes protegeria de um vírus assassino. São vítimas de terroristas sim, mas também vítimas da própria estupidez.

O segundo tipo é o fanático político. Desde o início, o uso de máscara foi associado com um espectro político, e dado o cunho autoritário e sinalizador de virtude das máscaras, foi o esquerdismo que a adotou como símbolo. Nos EUA, em estados que acabaram com a obrigatoriedade de máscaras há muito tempo, era comum ver os esquerdistas declarando que iriam continuar usando máscara para não serem confundidos com eleitores de Trump. Aqui no Brasil ocorre o mesmo. Bolsonaro, que embora tenha assinado uma lei que permitiu a ditadura sanitária, sempre se pronunciou a favor da liberdade, vociferando contra lockdown, quarentena, restrições e obrigatoriedades de vacinas e máscara. Ou seja, usar uma máscara significa o mesmo que andar com uma faixa escrita FORA BOZO GENOCÍDA, e estes fanáticos cultistas são capazes de sacrificar a própria respiração e abrir mão de possuir um rosto para passar uma mensagem política doentia.

O terceiro e último tipo é um que merece toda consternação: é o proletariado oprimido. Como dito acima, o uso de máscara seguiu sendo obrigatório no transporte público e em estabelecimentos de saúde. Isso significa que diariamente a prole é obrigada a fazer papel de palhaço e colocar uma focinheira para ir ao trabalho, e para ir para qualquer outro lugar nos finais de semana. As elites, logicamente, não andam de ônibus. Nem imaginam o que é pegar um metrô lotado todos os dias. E provavelmente sequer sabem que trabalhadores passam horas de pé em trens para chegarem no serviço. As elites possuem carro próprio, e neles respiram livremente enquanto dirigem no ar-condicionado escutando as músicas no Spotify em seu iPhone. Porém, a opressão não vem apenas do governo, mas também dos patrões. Muitas empresas, restaurantes, bares, lojas ainda mantêm a exigência esdrúxula de que seus funcionários usem a focinheira durante todo o expediente.

Claro que não estou me referindo ao conceito marxista de exploração do proletariado – jamais cometeria este erro infantil. Mas é possível que a força de trabalho seja oprimida de diferentes maneiras. Em um livre mercado seria muito difícil patrões oprimirem empregados. Há tantas oportunidades de emprego e de empreender em um mercado desobstruído que os empregadores teriam que oferecer as melhores condições de trabalho e salário possíveis para manter seus empregados. Já em nosso mundo intervencionista, empreender e arrumar um emprego se tornam muito mais difíceis, e é o empregado que tem que fazer sacrifícios para manter seu emprego. Embora exista exceções, como a relatada no artigo abaixo de um leitor do Instituto Rothbard que preferiu perder o emprego de porteiro do que perder a dignidade e usar focinheira, a imensa maioria do proletariado considerou que era melhor se submeter a essa humilhação imposta pelos empregadores do que se juntar aos milhões de desempregados do país.

Meu empregador exige máscara, e agora?

Então as máscaras evidenciam hoje uma clara divisão de classes; os serviçais sem rostos, com as vias respiratórias obstruídas prejudicando sua saúde de – pelo menos – 376 maneiras diferentes, oprimidos por empregadores sádicos e por leis estatais que afetam apenas a eles, e os servidos que podem respirar e exibir suas faces, sorrir e falar livremente enquanto são atendidos nas lojas por vendedores mascarados, nos restaurantes e bares por garçons mascarados, nas portarias por porteiros mascarados, nas academias por instrutores mascarados, têm suas propriedades e integridades protegidas por seguranças mascarados, seus cabelos cortados por barbeiros mascarados, suas unhas feitas por manicures mascaradas, seus quartos de hotéis arrumados por camareiras mascaradas, etc., etc., etc. Trata-se de uma situação social simplesmente nojenta e revoltante.

2 COMENTÁRIOS

  1. O autor provavelmente não anda em bairros centrais da capital paulista, como a Higienópolis, onde a predominância do segundo tipo bem identificado no texto faz com que a incidência de máscara chegue facilmente a 25% dos transeuntes. Mas nem só isso: uma parcela desses 25% chega a usar duas máscaras ao mesmo tempo, colocando a si mesma num patamar antológico de estupidez que dificilmente será igualado tão cedo.